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10 dias meditando em um Monastério Budista na Tailândia… Vale a pena?


As pessoas andam cada vez mais estressadas, e muitos buscam formas de acalmar, relaxar, olhar p si mesmo e fugir um pouco dos problemas do dia a dia, ou melhor ainda, aprender como lidar com eles. Talvez sejam esses uns dos motivos que conheci tanta gente que fez ou quer fazer um retiro de meditação na Índia, Nepal ou Tailândia. Só ouvi coisas boas sobre isso, exceto uns dias antes de eu ir, um espanhol me disse que uma amiga detestou, e ele jamais faria (eu também dizia isso), mas claro, ela devia ser uma exceção…

Eu não me encaixo nesse perfil de estressada querendo aprender a lidar com os problemas, aliás, to de novo na melhor fase da minha vida, super zen, sem problemas, mas resolvi aprender um pouco mais sobre meditação e budismo. E fui…

São 10 dias de total silêncio, sem dar uma palavra, sem celular ou internet, acordando as 4 da manhã, indo dormir as 9 da noite em uma cama de cimento, sem colchão, com um travesseiro de madeira, fazendo duas refeições vegetarianas por dia, uma as 8:00 da manhã e outra(e última) meio dia e trinta, tomar banho enrolada num “sarong”, um pano mais grosso que uma canga, costurado, e banho tipo de canequinha numa mega “tina”, pois chuveiro, nem pensar… Mas isso não é nada pra quem ta fugindo do stress, né? (lembrando que não era meu caso…)

(Consegui tirar essa foto antes de entregar o celular. Esse é o dormitório feminino, um quarto (58 no total)ao lado do outro, em forma de U. Na parte de baixo da foto, é o que eu chamo de “tina”…essas na frente dos quartos, são p escovar os dentes e lavar roupa. As do banho são maiores e quadradas, ficam lá no fundo, em frente os banheiros, q são normais.rsrs)

As 4 da manhã, ainda noite, até os mosquitos tão dormindo, só os grilos estão acordados, toca o sino, alto, por uns 15 minutos…blem, blem, blem… (aliás, o sino toca sempre que muda a atividade).Todos tem 30 minutos p estarem no “galpão” de meditação e começar os ensinamentos do dia, sentados no chão, em posição de meditação.

A programação é exatamente a mesma nos primeiros 8 dias:

– Das 4:30 as 5:30 tinha ensinamentos com uma monja de voz doce, que dá mais sono ainda, e os últimos 30 minutos é só meditando…

– As 5:30 é a aula de yoga, passa para outro lugar, todos tipo galpão, tudo de madeira, com teto, mas aberto aos lados. Meu problema nas pernas não me permite fazer yoga, então eu fazia alguns alongamentos e voltava de fininho para o quarto p tirar mais um soninho (nem tinha amanhecido ainda)… As 7hs tocava o sino de novo, para (me acordar) avisar que terminava a aula de yoga, e era hora de voltar ao primeiro galpão, para mais ensinamentos e meditação…

-8:00- Hora do “café da manhã”: Um arroz bem papa, com um grão de feijão e de milho lá e outro cá, boiando, verduras cozidas bem temperadas, normalmente dois tipos, um com curry e apimentado, outro normal, salada(só folhas secas, sem um sal ou azeite…hehe), uma fruta, geralmente banana e um chá que tem gosto de fumaça…isso mesmo, gosto de fumaça!

Cada um tem uma atividade de limpeza, que normalmente fazem depois do café da manhã. A minha era varrer o refeitório(parte dele, pois éramos 4 pessoas) depois do almoço, então depois do café eu aproveitava p tirar mais uma soneca até as 10, quando o sino tocava de novo…

– 10:00 – Uma hora de mais ensinamentos com um monge e meditação

– 11:00 – Meditação caminhando (Walking Meditation)

Se passasse um carro do manicômio levava todos…Imaginem um monte de gente caminhando em marcha super lenta, slow motion mesmo, levanta o pé atrás, passa ele a frente, encosta no chão e firma o passo… faz o mesmo com o outro pé, muitooooo, mas muitoooo devagar, todos olhando pro chão… Tem gente que compra roupa larga lá, branca, tipo de hospital, aí parecem mais doidos ainda…rsrsrs

– 11:45 – Volta a sentar no chão para meditar até as 12:30

– 12:30 –  Almoço- As vezes o mesmo arroz papa do café, as vezes um arroz mais sequinho, feito com côco, sempre verduras cozidas bem temperadas, muitas vezes com tofu, a salada sem sal, e a fruta ou doce. O “chá de fumaça” tava em todas as refeições…

Depois do almoço, e das atividades de limpeza, hora de descanso, ou banho, ou lavar roupa… ninguém tem internet ou livro p ler…nada!!!! Se teve alguém que não entregou na chegada, com certeza a bateria acabou, e não existia tomada p carregar…

– 14:30 –  Mais ensinamentos e meditação sentados

– 15:30 – Meditação caminhando

– 16:30 – Meditação sentados

– 17:00 – Chanting – São tipo mantras, que ficam repetindo,tipo “cantando”, eu particularmente não gosto disso, acho que peguei trauma dos templos muçulmanos na Índia, onde repetem palavras que não entendo, me passa uma ideia de fanatismo…

Nessa hora eu fugia pro lago, p curtir um lagarto enorme que ia tomar banho todo dia nesse horário…

– 18:00 – Hora do chá, que na verdade era um achocolatado, bem aguado, mas ajudava a não dormir morrendo de fome… Descanso até as 19:30

– 19:30 – Meditação sentados

– 20:00 – Meditação andando em grupo – Pra mim era a melhor parte do dia, andando na volta do lago, principalmente nas noites de lua cheia…

– 20:30 – Volta p meditação sentados

– 9:00 – Todos para cama dormir. Cada um tem seu quarto com sua cama dura, as mulheres em um lado e os homens em outro lugar…

Eu praticamente esvaziei minha mochila, colocando toda roupa possível de colchão, p tentar dormir um pouco melhor…a mochila era meu travesseiro…

– 9:30 – Trancam os portões dos dormitórios e apagam as luzes

Homens e mulheres nunca se misturam, tanto no refeitório, como na sala(galpão) de meditação, homens sentam no lado esquerdo e mulheres no lado direito.

No terreno do monastério, que é bem no meio do mato, tem águas termais (hot spring), uma piscina natural de água quente, eu diria quase fervendo, onde podíamos ir todos os dias depois do café da manhã e do chá da tarde… não é recomendado ficar mais q 10 minutos, mas alivia qualquer dor no corpo… E claro que a dos homens era bem longe da das mulheres…rsrs

Ah, o silêncio…Ninguém fala uma palavra! O silêncio em grupo é interessante… eu me dei conta que o EGO sai pela boca… Em silêncio não havia ego, eram todos iguais, não havia o mais inteligente, o mais falante, o mais extrovertido, o mais calado…eram todos iguais, ninguém se salientava mais que outro. Mas por outro lado, o silêncio não tem alegria, as pessoas não riem, não se divertem, não sorriem, não tem expressões… todos muito sérios, ninguém tinha nenhum traço de felicidade, e isso tava me consumindo…

Ao invés de me concentrar nas meditações, eu só pensava em como eu tava muitooooooo mais feliz fora dali, que há muito tempo não me via tão séria, quase triste…

No 8º dia eu já não via a hora disso tudo terminar, não agüentava mais essa rotina, queria voltar ao meu mundo de viagens, um dia diferente do outro, conhecer gente nova, lugares novos, acordar quando der vontade, comer um sanduíche, olhar o mar… Eu tava tão feliz antes de entrar lá… Mas só faltavam 2 dias…

No chá das 18 hs colocaram a programação do dia 09 e 10:

Iríamos “viver como monges”, não teriam mais ensinamentos, só meditando por conta própria, e seria só uma refeição por dia, as 8:30 da manhã…

Nesse 8º dia, eu já tava completando 10 dias lá dentro, pois já fui dormir lá no dia anterior  da inscrição. Eu nunca quis ser uma monja, e além do mais, só uma refeição por dia, pra mim foi a gota d’agua. Se não teriam mais aulas e ensinamentos, por que eu iria ficar ali, me privando da alegria de ver o mundo lá fora? Pedi pra sair! Tem que assinar uma folha, e ali vi que eu fui a 18ª pessoa a sair…tinha outra brasileira lá, que sumiu no segundo dia…

No 9º dia depois da única refeição, fui embora, e não me arrependi nem  por um segundo de ter ido curtir o mercado diferente e fantástico em Suratani e no dia 10, com o povo ainda lá, meditando como todos os outros dias, eu tava no barco, indo p ilha de Koh Tao, linda, onde tive um dia maravilhoso, conhecendo pessoas incríveis e anoitecendo na praia, tomando uma cerveja, curtindo o mar…

Quero deixar bem claro aqui, que cada pessoa tem diferentes pensamentos, reações, sentimentos, e duas pessoas podem viver a mesma situação e terem experiências totalmente diferentes. Essa foi a minha experiência, eu encontro meu “nirvana” todo dia nas minhas viagens, fazendo o que eu amo, curtindo a vida e a natureza… não gosto de nada que me prenda, não gosto de regras, tenho pavor a rotina. Tinham pessoas que estavam lá pela terceira, quarta, sexta vez…Eu gostei de ter aprendido mais sobre meditação e budismo, valeu a experiência, mas jamais faria isso de novo!

Um dos ensinamentos de Buda, diz “Não acredite, investigue!” Portanto, não quero desanimar ninguém que queira passar por essa experiência… Quem quiser, vá lá, investigue…e tenha sua própria experiência!

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