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Ansiedade: britânica relata superação em viagem pela América do Sul

A gente sabe que viajar faz um bem danado. Já mostramos várias histórias inspiradoras por aqui, inclusive uma de um jovem que, sofrendo de depressão, viajou por 3 anos para combatê-la.
Dia desses me deparei com um texto que conta uma bonita experiência, de incentivo ao enfrentamento de medos, soframos ou não do mesmo problema que Joanna: ansiedade. Em um blog que fala sobre saúde mental, a britânica contou sua história num texto intitulado “Mochilando com ansiedade”.

Joanna | Foto: Reprodução/Facebook.

Joanna | Foto: Reprodução/Facebook.

Ela começa o texto falando que sempre foi muito preocupada com as coisas e que em setembro de 2013 recebeu o diagnóstico e iniciou seu tratamento. “Os ataques de pânico me assustavam e desorientavam; o medo e o estresse eram intensos e em alguns dias eu me sentia tão inquieta que era incapaz de dormir”.
Mesmo assim, no ano seguinte, ela começou a planejar um mochilão pela América do Sul. “Estava motivada por um desespero para viajar e ver o mundo, mas me sentia prejudicada por minha ansiedade”, conta.
Cerca de um mês antes da partida ela entrou em pânico. “Passei muito tempo fazendo coisas que só fizeram minha ansiedade piorar. Passei horas online lendo histórias de horror sobre o transporte público sul-americano. Passava a noite toda escrevendo listas e listas de coisas que eu precisava embalar, fazer, comprar, pesquisar. “E, provavelmente o mais rídiculo de tudo: construí em minha cabeça o cenário de que engravidaria na América do Sul e teria que voltar para casa [na Inglaterra] para fazer uma aborto de emergência. Até mesmo planejei o discurso que faria para minha mãe”, revela acrescentando que “esses comportamentos parecem totalmente irracionais, mas no momento o medo e ansiedade eram reais e me fizeram chorar”.
Joanna contou ter ficado extremamente preocupada com seu estado de saúde mental e no topo de todas suas “preocupações bizarras e improváveis” ela pensava que tendo um ataque de pânico durante a viagem não poderia ir para seu quarto, sentar-se sozinha e respirar até que se acalmasse “eu estaria em dormitórios compartilhados, com desconhecidos que poderiam não ser tão simpáticos com relação a minha condição, como são meus amigos e família”. Pensava que se depois de uma noite de festa, comum nas viagens, talvez com álcool ou música alta ou pessoas amontoadas ela não poderia simplesmente pegar um táxi e voltar para sua cama na Inglaterra. “E se eu tivesse realmente um mau momento com minha ansiedade, meu pai teria que voar para a Colômbia para me ‘resgatar'”?
Diante das noites agitadas as pessoas ao seu redor estavam preocupadas e pensando que a ideia da viagem que duraria cinco meses teria sido muito ruim; mas ela seguiu. “Por um milagre, fiz isso”.
Em janeiro ela foi sozinha ao aeroporto Gatwick, a 46Km de Londres. Em 06 de julho relatou essa experiência no site, escrevendo sentada em uma cama de um beliche em Cusco, no Peru aclimatando-se à altitude para seguir mais preparada para Machu Picchu. “Agora posso dizer que estou tão, tão feliz por ter ido contra todos os meus instintos ansiosos”, comenta.

Silêncio, natureza e amizade em praia de Mancora, no Peru | Foto: Armando Lobos.

Silêncio, natureza e amizade em praia de Mancora, no Peru | Foto: Armando Lobos.

Apesar da superação, ela considera que nem toda a viagem foi de vento em popa. “Tive um episódio particularmente ruim em um café em Mancora, Peru, onde eu estava sentada com dois amigos comendo e sorrindo, mas sentindo medo, pavor e náusea; sentimentos que me deixaram tão sobrecarregada que tive que fugir”. Embora ainda assustada e chateada ela foi para praia e caminhou junto com um amigo, em silêncio. “Paramos em uma parte rochosa da costa e eu fiquei em águas rasas, respirando lentamente… Um minuto depois, percebemos um movimento na água: cerca de cinco metros de mim, um Leão-marinho selvagem surgiu. Foi um momento bonito e emocionante”.
Ela pondera afirmando que não, o mágico Leão-marinho não a curou (ou curará) de sua condição mental mas pelo que se percebe ao final do relato é uma incrível força e aceitação. “Sempre vou me preocupar irracionalmente, vou ter sempre pensamentos e sentimentos terríveis em maus momentos; sempre haverá momentos em que odiarei ser eu, mas esta é apenas uma faceta da minha identidade. Eu também tenho ambições e crenças, hobbies e talentos. Tenho amigos e família incríveis e um enorme banco de experiências e memórias. Eu posso ser o tipo de pessoa que foge de cafés e amigos, mas também sou o tipo de pessoa que ama animais, praias e viajar!”

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