Blog

As cidades perdidas da América do Sul

Mitos como o de Atlântida, a lendária ilha mencionada nos diálogos Timeu e Crítias de Platão, e outras lendas sobre continentes, cidades e civilizações perdidas ainda habitam o imaginário de aventureiros e viajantes. Ao longo da História muitos se arriscaram e perderam a vida em busca de suas ruínas e tesouros. Algumas destas cidades foram redescobertas e se tornaram grandes pontos de visitação turística, outras ainda fazem parte do mundo das lendas e continuam instigando nossa imaginação.

Confira quais são as principais cidades perdidas (e redescobertas) na América do Sul:

Cidades (re)descobertas

 

Teyuna, Buritaca-200 ou Ciudad Perdida – Colômbia

Ciudad Perdida - Foto: Marioluc / Membro de honra da comunidade Mochileiros.com

Ciudad Perdida – Foto: Marioluc / Membro de honra da comunidade Mochileiros.com

Buritaca 200 ou Ciudad Perdida foi descoberta em 1976 por uma equipe de arqueólogos colombianos e é o mais preservado sítio arqueológico entre os mais de 250 encontrados na região da Serra Nevada de Santa Marta, na Colômbia.  A pequena cidade construída e habitada pelos índios Taironas entre os anos de 800 e 1600 d.C, hoje recebe viajantes de todo o mundo. O acesso à cidadela se dá por trilhas que cortam o vale do Rio Buriticá em um trekking que tem duração média de 5 dias (ida e volta). Confira relatos e posts de viajantes que passaram por lá:

Relatos e tópicos no Mochileiros.com:
Ciudad Perdida – Relato do viajante Marioluc (Membro de honra da Comunidade Mochileiros.com)
Ciudad Pedida – Perguntas e Respostas

Relatos e posts em Blogs de viagem:
– http://www.dentrodomochilao.com/a-cidade-perdida-da-serra-nevada/ – Relato da viajante Cris Marques do Blog “Dentro do Mochilão”

Tiwanaku – Bolívia

Templo de Kalasasaya - Foto: Wikimedia Commons

Templo de Kalasasaya – Foto: Wikimedia Commons

A civilização Tiwanaku foi a mais importante cultura pré-incaica do altiplano andino e é considerada por alguns historiadores como a “Cultura Mãe da Bolívia”.  A cidade construída à margem sudeste do lago Titicaca, foi o principal centro religioso e urbano desse povo que habitou a região entre os anos de 1500 a.C e 1.000 d.C.  O sítio arqueológico que possui o título de Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, é formado por templos, monolitos e pórticos, e ao longo dos anos sofreu com saques e escavações amadoras. Alguns de seus monumentos e construções estão em mau estado de conservação ou parcialmente destruídos, como é o caso da Piramide de Akapana, mas a cidade que fica a 76 Km de La Paz, vale a visita e é uma das principais atrações da região.  Confira relatos e posts de viajantes que passaram por lá:

Relatos e tópicos no Mochileiros.com:
Tiwanaku –  Relatos e tópicos relacionados com Tiwanaku

Relatos e posts em Blogs de viagem:
– http://viajandocomeles.com.br/bolivia-pontos-turisticos-tiahuanaco/– Dicas do viajante Leonardo Castro do Blog “Viajando com eles”
– http://mochilaotrips.com/tiwanaku-bolivia-la-paz/ – Relato da viajante Carol Moreno do Blog Mochilão Trips

Posts relacionados no Mochila Brasil:
http://mochilabrasil.uol.com.br/destinos/bolivia – Bolívia: muitos países em um

Caral – Peru

Ruínas de Caral - Foto: Divulgação

Ruínas de Caral – Foto: Divulgação

A 200 km ao norte de Lima e escondida entre as montanhas do Valle de Supe, estão as ruínas de Caral, a mais antiga civilização da América.   Encontrada em 1994 durante escavações da arqueóloga peruana Ruth Shady, a cidade sagrada de Caral possui diversas construções como templos e pirâmides que foram erguidas pelos Supes que viveram na região entre os anos 3000 a.C. e 1800 a.C.

Caral é considerada a maior descoberta arqueológica do continente e foi a única civilização americana contemporânea das civilizações Chinesa, Indiana, Egípcia e Mesopotâmica. A cidade que em seu ápice chegou a possuir mais de 3.000 habitantes, desapareceu devido a ocorrência de longas secas que forçaram sua população a abandonar a região. Confira relatos e posts de viajantes que passaram por lá:

Relatos e Tópicos no Mochileiros.com:
– Caral – Perguntas e Respostas
Posts relacionados com Caral – Peru

Relatos e posts em Blogs de viagem:
– http://paulostefanie2011-2012.blogspot.com.br/2011/12/ruinas-e-piramides-de-caral-peru-cidade.html – Post do Blog do casal Paulo e Stefanie
http://www.vovosmilenio.pro.br/caraluma-cidade-de-5-000-anos-peru/ Relato do Blog Avós do 3º milênio, da viajante Heloísa Cunha
– http://www.saproject.com.br/br/destaques/projeto-caral – Relato do Blog South America Project

 Posts relacionados no Mochila Brasil:
– http://mochilabrasil.uol.com.br/blog/peru-guarda-sitios-pre-incaicos-de-norte-a-sul – Peru guarda sítios pré-incaicos de norte a sul

Site Oficial:
– http://www.caralperu.gob.pe/

Chan Chan – Peru

Statue in Chan Chan ruins

Foto de Éamonn Lawlor 

Chan Chan foi a capital do Reino Chimú, povo que habitou a região dos vales dos rios Moche e Chicama, no norte do Peru, entre 900 e 1470 d.C. Declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO em 1986, as ruínas da cidade ficam a 5 km da atual cidade de Trujillo. Todo construído em adobe (barro misturado com palha ou outras fibras naturais), este centro urbano e religioso chegou a abrigar mais de 35 mil pessoas. Suas praças, templos, palácios e muros são decorados com desenhos em alto relevo que representam elementos da natureza, guerreiros e divindades da Cultura Chimu.  O nome Chan Chan, vem de Chang Chang do idioma Quingnam (nativo dos Chimus) e significa Grande Sol. Confira relatos e posts de viajantes que passaram por lá:

Relatos e Tópicos no Mochileiros.com:

– http://www.mochileiros.com/trujillo-chachapoyas-setembro-2012-t74181.html – Relato do viajante Daiti Osakada
– http://www.mochileiros.com/trujillo-huanchaco-perguntas-e-respostas-t48429.html – Trujillo / Huanchaco – Perguntas e Respostas

Relatos e posts em Blogs de viagem:
– http://www.lavamosnos.com/ruinas-de-chan-chan-peru/ – Post do blog Lá Vamos nós
– http://www.1000dias.com/ana/imperio-chimu/ – Post da viajante Ana Biselli do Blog 1000 dias
– http://www.amigosdemochila.com/2011/04/trujillo-peru.html – Post do Blog Amigos de Mochila

 Posts relacionados no Mochila Brasil:
– http://mochilabrasil.uol.com.br/blog/peru-guarda-sitios-pre-incaicos-de-norte-a-sul – Peru guarda sítios pré-incaicos de norte a sul

Site Oficial:
– http://chanchan.gob.pe/

Machu Picchu

Machu_Picchu

Ruínas de Machu Picchu – Foto: Wikimedia Commons

A cidade perdida dos incas, redescoberta pelo arqueólogo norte-americano Hiram Bingham em 24 de julho de 1911, dispensa apresentações e hoje é um dos destinos mais visitados do mundo. Machu Picchu já foi tema de um post especial aqui no Mochila Brasil que você pode conferir aqui

Relatos e Tópicos no Mochileiros.com:
– http://www.mochileiros.com/machu-picchu-f49.html – Fórum Especial de Machu Picchu no Mochileiros.com

Choquequirao

www.tvn.hu_2039e5f50f668ef203a8982cafaddfb1

Ruínas de Choquequirao – Foto: Divulgação

A Irmã sagrada de Machu Picchu foi um centro cultural e religioso, e ponto estratégico para o controle de acesso à outras cidades do império Inca. Foi também um dos últimos focos de resistência e refúgio durante a invasão espanhola. Os viajantes que procuram por uma experiência “mais econômica e menos turística” na região de Cusco, podem se aventurar por um trekking de 60 Km até suas ruínas. A travessia que dura em média 4 dias,  passa por um dos cânions mais profundos do mundo, o Cânion do Rio Apurímac, e segue até Choquequirao por estreitas e sinuosas trilhas que dão vista ao nevado de Salkantay. Confira relatos de quem já esteve por lá:

Relatos e Tópicos no Mochileiros.com:

http://www.mochileiros.com/trilha-para-choquequirao-em-4-dias-peru-sem-agencia-t60934.html – Relato do viajante Rafael Gonçalves, autor do Blog Raffa no Caminho e colaborador do Mochileiros.com
– http://www.mochileiros.com/trilha-para-choquequirao-peru-t52821.html – Trilha para Choquequirao – Peru
– http://www.mochileiros.com/choquequirao-um-misterio-ainda-maior-que-machu-picchu-t29360.html – Choquequirao – Um mistério ainda maior que Machu Picchu
– http://www.mochileiros.com/peru-choquequirao-a-cidade-sagrada-dos-incas-com-fotos-e-filmes-t41131.html – Peru – Choquequirao, a cidade sagrada dos Incas (com fotos e filmes)

 

Kuhikugu ou sítio X11

xinguartimpression

Maquete virtual da cidade de Kuhikugu

Kuhikugu ou X11 é o sítio arqueológico da maior cidade pré-colombiana já descoberta na Amazônia. Construída por ancestrais do povo Cuicuro (que habitam o que hoje conhecemos como Parque Nacional do Xingu) contava com construções complexas e servia de conexão a diversas aldeias menores, de acordo com estudos iniciados em 1992, pelo arqueólogo Michael Heckenberger.
Kuhikugu chegou a renir 50 mil habitantes e seu desaparecimento se deu por conta do contato destes povos com as doenças trazidas pelos descobridores europeus.

Saiba mais sobre Kuhikugu clicando aqui e informações como visitar as regiões próxima ao Parque Indígena do Xingu aqui

 

Cidades Lendárias

Cueva de los Tayos

Índios amazônicos e um missionário católico colecionador de tesouros. Um pesquisador húngaro-argentino e as ruínas de uma cidade subterrânea. Um escritor canastrão e uma expedição presidida por um astronauta americano são os elementos de uma história baseada em fatos reais, e que facilmente poderia se transformar em um filme de Hollywood: A Lenda de Cueva de Los Tayos.

Sala de Cueva de los Tayos - Foto da Expedição Moricz de 1969

Sala de Cueva de los Tayos – Foto da Expedição Moricz de 1969

O primeiro personagem desta história é o italiano Carlos Crespi Croci (1891-1982), o Padre Crespi, missionário salesiano enviado ao Equador em 1927, que reuniu até o ano de sua morte,  uma coleção com diversos objetos presenteados pelos índios da tribo Shuar.   O acervo que fazia parte de um pequeno museu localizado nos fundos de sua igreja, na cidade de Cuenca, era formado por estatuetas e placas metálicas (com inscrições e desenhos) e eram, de acordo com o religioso, de origem suméria e babilônica. Todo os objetos da coleção teriam sido encontrados em diversas cavernas na região da província amazônica de Morona-Santiago.

A mais importante caverna da região é Cueva de los Tayos (Caverna dos Tayos), que é formada por um conjunto de longas galerias subterrâneas e serve como habitat para os Tayos, uma espécie de pássaros com hábitos noturnos.   As formas lineares de algumas das estruturas da caverna lembram tetos e paredes de pedra e ajudaram a fundamentar a tese do segundo personagem da trama, János Moricz, pesquisador húngaro-argentino que em 1964, afirmou ter visitado o local e encontrado o que seriam “as ruínas de uma cidade subterrânea”. Moricz afirmava que aquelas estruturas eram parte de um “mundo subterrâneo” que ligava diversos pontos da América do Sul e que ali ainda haviam diversas placas que compunham uma espécie de “biblioteca metálica com a relação cronológica da História da humanidade”.

Para confirmar sua tese, em 1969 o pesquisador realizou uma expedição até o local, quando conseguiu tirar algumas fotos das supostas ruínas.  A notícia se espalhou pelo mundo e despertou interesse de diversos pesquisadores da época, entre eles uma figura controversa que é nosso terceiro personagem, o escritor suíço Erick Von Daniken, autor de “Eram Deus os Astronautas?”.

Daniken instigado pela descoberta viajou ao Equador onde foi recepcionado por Moricz. que lhe contou todos os detalhes de sua expedição e o levou para fotografar as peças do Padre Crespi.   O fruto desse bate-papo e as fotos dos objetos compõem o livro  “The Gold of the Gods” de 1973, no qual Daniken, narra ter, ele próprio percorrido “subterrâneas construções no Equador” e encontrado diversas peças que continham evidências sobre visitas de extraterrestres às antigas civilizações da Terra.   Mais tarde, Moricz desmentiria o escritor através de uma entrevista concedida à revista alemã Der Spiegel. De qualquer forma, o livro que foi traduzido para 25 idiomas e que na época vendeu mais de 25 milhões de exemplares, foi o principal motivo para que outros estudiosos visitassem a região.

87909311-video-the

Imagem da expedição organizada por János Moricz em 1969

Em 1976 uma expedição científica organizada pelo engenheiro escocês, Stanley Hall e patrocinada pelo governo britânico levou uma equipe com mais de 150 pessoas para investigar o local. A expedição amparada pelos exércitos britânico e equatoriano, contou com a participação de 35 cientistas e foi simbolicamente presidida pelo o astronauta americano Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar na lua. A equipe percorreu 5 km pelo interior da caverna e relatou não ter encontrado nenhum objeto de interesse arqueológico. Os estudiosos também constataram que as formas inusitadas de algumas das galerias e salas da caverna eram obra da natureza.

As placas e demais objetos da coleção do Padre Crespi sumiram misteriosamente após a sua morte e Cueva de los Tayos continua sendo visitada por aventureiros e pesquisadores. No vídeo abaixo você pode conferir imagens do padre recebendo o engenheiro Stanley Hall em uma visita à sua coleção.

 

 Z, uma cidade perdida no Coração do Brasil

Reportagem sobre o Coronel Fawcett publicada no Jornal Correio da Manhã em 02-02-1952

Reportagem sobre o Coronel Fawcett publicada no Jornal Correio da Manhã em 02-02-1952

Tradições orais, lendas, um manuscrito encontrado em 1839 na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro e o misterioso desaparecimento de um arqueólogo britânico em 1929, são os principais elementos do maior mito arqueológico do século XX. Uma epopeia que inspirou personagens como Indiana Jones e romances como “O Mundo Perdido” de Arthur Conan Doyle.

Uma carta enviada por bandeirantes às autoridades do Império do Brasil, o Documento 512, relata a descoberta de uma cidade abandonada em meio ao sertão baiano. O manuscrito com o longo título de “Relação historica de uma occulta, e grande povoação antiquissima sem moradores, que se descobriu no anno de 1753.” descreve os diversos ambientes de uma cidade abandonada, encontrada pelos bandeirantes que estaria localizada próxima aos rios Una e Paraguacú, na região da Chapada Diamantina.

Baseado neste documento e em diversas outras lendas, Percy Harrison Fawcett (1867 – 1925?), o Coronel Fawcett, arqueólogo e explorador britânico que, entre os anos de 1906 e 1924 já havia realizado diversas expedições de reconhecimento pela floresta Amazônica, decide voltar à região para encontrar  “Z”: uma cidade de pedra construída por uma civilização desconhecida na floresta.

Para realizar a empreitada, Fawcett convidou seu filho mais velho Jack Fawcett e um amigo, Raleigh Rimmell; em março de 1925 o trio seguiu floresta adentro a partir da cidade de Cuiabá e desapareceu sem deixar rastros. O último registro do grupo se deu em 29 de maio de 1925, através de uma carta enviada por Fawcett à esposa, avisando que a expedição entraria em um território até então inexplorado por ele. Esse território eram as terras dos índios Cuícuros, que hoje fazem parte do Parque indigena do Xingu.

Há várias versões sobre o desaparecimento de Fawcett e seu grupo, entre elas o relato do sertanista Orlando Villas-Bôas que afirmou que o Coronel teria sido morto pelos índios Kalapalos, após um desentendimento com membros desta tribo.

A saga do Coronel Fawcett foi tema dos livros “O Enigma do Coronel Fawcett: o Verdadeiro Indiana Jones” de Hermes Leal (Ed Nova Fronteira) e “Z, A Cidade Perdida” de David Grann. (Ed Cia das Letras). O último terá uma versão adaptada para o cinema trazendo o ator Brad Pitt no papel do Coronel Fawcett.

 

Continuação:

As outras cidades perdidas da América do Sul

 

Imagens:

Votar

0 ponto

Total de Votos 0

Votos Positivos: 0

Upvotes percentage: 0.000000%

Votos Negativos: 0

Downvotes percentage: 0.000000%

Comentários do Facebook

comentários

18 Comments

18 Comments

  1. Pingback: 6 grandes motivos para você viajar para o Peru | Barraca & Mochila

  2. Pingback: 6 grandes motivos para você viajar para o Peru - Mochila Brasil

  3. LUIGER

    29 de maio de 2013 at 15:23

    CIDADES

  4. Pingback: As outras cidades perdidas da América do Sul - Mochila Brasil

  5. Cris Marques

    22 de maio de 2013 at 11:39

    Das cidades perdidas citadas aqui já estive em Machu Picchu, Tiwanaku, Chan Chan, Choquequirao e a Cidade Perdida na Colômbia… Acho que tenho uma queda por “cidades perdias”. rsrs
    Grata por compartilhar o link do blog.

    • Foto de perfil de Silnei L Andrade

      Silnei L Andrade

      22 de maio de 2013 at 13:00

      Impossível não ter uma queda por elas, Cris! 🙂 Parabéns pelo Blog!

  6. Guilherme - Viajando com Eles

    22 de maio de 2013 at 1:32

    Oi Silnei,

    Obrigado pela indicação.

    Irada a ideia de mostrar as cidades perdidas…deixei o post nos favoritos 🙂

    Abraços

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

To Top

E aí, tudo bem? Bora logar!

ou

Entrar

Esqueceu a senha?

Ainda não tem uma conta? Cadastro

Fechar
de

Enviando Arquivo…