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As outras cidades perdidas da América do Sul

(Na imagem que abre o post:  Marcahuasi – Peru –  Foto do geólogo Luis Ayala do Blog Explorock)

No post anterior mostrei as principais cidades perdidas e (re)descobertas da América do Sul, algumas já bastante conhecidas dos viajantes brasileiros. Mas ainda há muito a ser explorado por “las tierras hermanas”. Não são novas “Machu Picchus” como procuram alguns, mas são tão ou mais interessantes que a cidade perdida dos Incas.

O primeiro da lista é um exemplo disso, não é uma cidade, mas um território que foi habitado por uma antiga e ainda desconhecida civilização, e hoje é um destino turístico que já foi considerado por sites peruanos como uma das 7 maravilhas do país, destino ainda desconhecido dos mochileiros brazucas: Marcahuasi

Marcahuasi

Marcahuasi - Foto do geólogo Luis Ayala do Blog Explorock

Marcahuasi – Foto do geólogo Luis Ayala do Blog Explorock

Marcahuasi é um planalto de origem vulcânica com 4.000m de altitude, localizado ao leste de Lima, na cordilheira dos Andes, e que entre os anos de 1200 e 1460 foi habitado pelos índios Huancas.  A área de 4Km² possui um conjunto extenso de formações rochosas, sendo que algumas lembram animais, cabeças e perfis de rostos humanos, as quais, segundo o arqueólogo Daniel Ruzo (1900-1991), teriam sido esculpidas há mais de 10.000 anos por uma civilização desconhecida.

Algumas destas formações, como o “Monumento à Humanidade”,  possuem riqueza de detalhes e realmente nos levam a questionar se os antigos habitantes não teriam aproveitado as diferentes formas naturais para esculpi-las. De qualquer maneira, se foram ou não esculpidas, formam um cenário único, que vale muito ser visitado. Um destino pra mochileiro nenhum botar defeito.

Em feriados e no período das festas pátrias peruanas o local recebe centenas de viajantes, que passam os dias acampados em uma área conhecida por “Anfiteatro”.

A melhor época para conhecer Marcahuasi é no período de seca que vai de agosto a outubro.

Para chegar ao local é preciso pegar um ônibus a partir de Lima com destino ao Parque Echenique, que fica na cidade de Chosica e de lá pegar outro até o vilarejo de San Pedro de Casta. Em San Pedro você deve seguir a pé por um caminho com 4km de subida até o local chamado Anfiteatro (foto abaixo). Outras informações sobre este destino você encontra aqui e aqui. Você pode conferir mais fotos de Marcahuasi  na galeria de imagens no final do post.

 

Uma das formações de Marcahuasi, o Monumento à humanidade - Foto: Wikimedia Commons

Uma das formações de Marcahuasi, o Monumento à Humanidade – Foto: Wikimedia Commons

 

Foto tirada na semana da Páscoa com mais de 1.000 pessoas acampando na área conhecida como Anfiteatro, am Marcahuasi - Foto de Alan Matthew

Foto tirada na semana da páscoa com mais de 1.000 pessoas acampando na área conhecida como Anfiteatro – Foto de Alan Matthew

Relatos e posts de viajantes que passaram por lá:
– Só encontrei 2 citações para este destino no Mochileiros.com, que você pode conferir aqui, porém nenhuma delas traz mais informações sobre o local, são apenas citações de roteiros de viajantes. Também não encontrei nada em blogs brasileiros. O destino realmente ainda não recebe muitos viajantes brazucas.  Abaixo seguem os posts que encontrei em blogs estrangeiros:

Post no Blog da viajante Emily Welch:
http://emilyandheradventures.blogspot.com.br/2011/04/marcahuasi.html

Relato de viagem no Blog Explorock, do Geólogo peruano Luis Ayala
http://explorock.wordpress.com/2012/12/27/geoparajes-de-marcahuasi-y-san-pedro-de-casta-peru/

O Forte de Samaipata

O Forte de Samaipata é considerado o maior petróglifo do mundo. A pedra que mede 250m de comprimento e 60m de largura  fica no topo de uma colina a 1.950m de altitude em uma área próxima ao Parque Nacional Amboró na Bolívia. É chamado de “Forte” devido sua localização estratégica, mas serviu como um centro cerimonial e ponto de observação astronômica para a Civilização Chané, povo que possivelmente teria esculpido o macico rochoso. Na pedra há figuras que representam animais e outros desenhos geométricos.
O local que desde 1998 é Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO ainda não passou por estudos aprofundados, mas sabe-se que além dos Chanés, foi ocupado pelo império Inca pouco antes da invasão espanhola. O sítio arqueológico fica a 9km da cidade de Samaipata, que está a 120km de Santa Cruz de La Sierra.

Turistas visitando o Forte de Samaipata - Foto do fotógrafo Eduardo Tain Daza

Turistas visitando o Forte de Samaipata – Foto do fotógrafo Eduardo Tain Daza

Relatos e posts de viajantes que passaram por lá:

Relato da viajante Maria Emília, editora do Mochileiros.com:
http://www.mochileiros.com/outra-vez-bolivia-samaipata-vallegrande-cochabamba-sucre-tarabuco-t46172.html
Tópico de Perguntas e Respostas sobre Samaipata e Região:
http://www.mochileiros.com/samaipata-pn-amboro-e-rota-de-che-guevara-perguntas-e-respostas-t37843.html

Matéria sobre Samaipata no Blog do Jornalista Claudio Eduardo:
http://blogclaudioeduardo.blogspot.com.br/2013/02/samaipata-o-ultimo-vestigio-da.html

Relato do viajante João Aender do “Blog do Aender”:
http://www.aender.com.br/?p=1950

Relato do viajante Allan Cob do Blog Frango pra Viagem:
http://frangopraviagem.blogspot.com.br/2011/05/samaipata-tierra-sin-males.html

Chachapoyas, os guerreiros das nuvens!

Os Chachapoyas formaram entre os séculos VII e XV, a maior e mais importante civilização pré-incaica da Amazônia peruana. Foram responsáveis pela construção de diversos monumentos de pedra como Kuélap, Gran Pajatén e as tumbas da Laguna de los Cóndores. Eram conhecidos como guerreiros das nuvens por habitar e construir fortalezas nas terras altas do Amazonas e por serem “índios brancos”, característica que chamou a atenção do cronista e conquistador espanhol Pedro Cieza de León, que relatou em um tom narcisista em La Crónica del Perú,(1551)  que ” los chachapoyas eran indios blancos cuya hermosura era digna de soberanos cuyos ojos eran azules, los cuales eran más blancos aún que los mismos españoles” (os Chachapoyas eram índios brancos cuja beleza era digna de soberanos; cujos olhos eram azuis, os quais eram ainda mais brancos que os próprios espanhóis”).
Os guerreiros das nuvens resistiram durante muito tempo até serem submetidos ao império Inca. Por esse motivo teriam se tornado aliados dos espanhóis durante o processo de conquista.

A hoje, cidade de Chachapoya, é a capital do departamento homônimo e ponto de partida da região, que é repleta de atrativos naturais, históricos e arqueológicos, entre eles as ruínas da civilização Chachapoya, a Catarata de Gocta e a Laguna de los Cóndores.

Kuélap – que é o maior complexo de ruínas desta civilização – é uma fortaleza amuralhada construída no alto de uma montanha com 3.000m de altitude.  O nome Kuélap, significa “lugar frio” e se deve ao fato de ter sido construída em um floresta nublada.

Como chegar:
A partir de Chachapoyas é necessário tomar um ônibus até o vilarejo de Tingo e depois outros ônibus até a entrada do complexo. 4 horas de viagem no total. Também há agências locais que organizam trekkings e  tours pelo local, como é o caso da Vilaya Tours  e da Eagle Tours

Relatos e posts de viajantes que estiveram lá:
http://www.mochileiros.com/huaraz-trujillo-chachapoyas-kuelap-iquitos-t48307.html

Muralha de Kuelap - Foto de Joseph A Ferris III

Muralha de Kuélap – Foto de Joseph A Ferris III

 

Fotografia aérea da fortaleza de Kuelap - Foto de Gordon Wiltsie do site Alpenimage.com

Fotografia aérea da fortaleza de Kuélap – Foto de Gordon Wiltsie do site Alpenimage.com

Catarata de Gocta - Foto: PromPeru

Catarata de Gocta – Foto: PromPeru

 

 

Bônus track ‘Indiana Jones Virtual’

Seguem abaixo alguns links para que você faça uma busca na internet por outras cidades perdidas:

Ingrejil – Cidade perdida do sertão Baiano – Relato do explorador Yuri Leveratto
Marcahuamachuco – Ruínas de uma cidade pré-incaica no Peru
Manco Pata – Ruínas de uma fortaleza encontrada próximo na região de Cusco
Huaca Chotuna – As pirâmides de barro da civilização Lambayeque
Pachacámac – Ruínas de uma cidade pré-incaica da Civilização Lima
Sacsayhuaman – Ruínas de uma fortaleza Inca que fica a 2km de Cusco
Akakor – Lenda sobre a possível existência de 3 pirâmides na Floresta Amazônica. Criada por um alemão fugitivo que se refugiou no Brasil e que provavelmente usava a história para enganar turistas europeus. Um verdadeiro roteiro de Hollywood com direito a assassinatos e tudo mais.
Paititi – A lenda mãe que originou lendas como El Dorado, conta sobre uma cidade construída pelos Incas na Floresta Amazônica, para onde foram levados diversos objetos de ouro do império Inca durante a invasão espanhola. Para alguns pesquisadores é mais que uma lenda, pois há vários registros históricos sobre sua existência. Seria também um belo argumento para uma produção hollywoodiana. Uma das versões da história é conta que a cidade  teria sido encontrada durante o Governo Fujimori e que o mesmo a teria saqueado e levado todo seu ouro para o Japão. Essa versão é contada pelo padre Juan Carlos Polentini no Livro “El Padre Otorongo” que você pode conhecer aqui e no vídeo abaixo:

 

 

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  4. Luis Ayala

    29 de maio de 2013 at 14:03

    muito obrigado

  5. toninho

    28 de maio de 2013 at 23:15

    Recomendo a AREA NATURAL DE MANEJO INTEGRADO NACIONAL APOLOBAMBA – com superfície de 4.837 hectares na Bolívia, a UNESCO em 2003 declarou como Patrimônio Oral e Intangível da Humanidade. É a capital da etnia andina dos Kallawayas, grandes admiradores que possuem um rico conhecimento no manejo da natureza e poder de cura com seus remédios e sabedoria, no percurso observa-se centenas de vicunhas, alpacas e llamas e se atinge uma altitude de 5.100 metros, passando por diversas comunidades.

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