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Como visitei 40 países antes dos 40 anos


Escrevi esse post quando estava prestes a desembarcar na Indonésia, o 40º país que visitei.
Sim, 40 países, nem eu acredito !! Principalmente porque a primeira vez que sai do Brasil foi aos 31 anos de idade.
Nem sempre é fácil. Tenho pertences armazenados em depósitos em todo o mundo, não tenho carro, casa e nem um lugar onde cair morto. Na verdade, agora, nem sequer tenho um endereço fixo… Mas nunca estive mais feliz!

O Começo

Tudo começou em 2008. Estava trabalhando como professor de química em São Paulo, mas não estava nada satisfeito com  minha vida. Depois de ter feito alguns trabalhos como modelo no Brasil, decidi ir para a Europa para tentar encontrar trabalho como modelo lá.

Do tempo que ainda trabalhava como modelo.

Nessa época minha mãe morava em Portugal, minha irmã na Suíça, e um amigo tinha me convidado para visitá-lo em Paris; porém o que eu queria mesmo era ir para Itália. Assim, sabia que naquela viagem ia visitar pelo menos quatro países . Para alguém que nunca tinha viajado para o exterior antes, estava super ansioso!
Me lembro chegando em Lisboa pela primeira vez, e pegando o ônibus para o Algarve, onde minha mãe morava. Vendo os pináculos sobre os telhados das casas contra o sol forte do verão europeu foi marcante!

Como falava a língua, e com minha mãe lá para me ajudar, Portugal terminou sendo um bom estágio.

De Portugal, eu voei para a Suíça para ver minha irmã e, em seguida, peguei um trem para Milão, completamente só, na esperança de fazer fortuna na capital da moda.
Mas nem sempre as coisas saem como planejamos… Nunca vou esquecer o momento em que um policial italiano exigiu que eu abrisse minha bagagem para inspeção na frente de todo mundo no trem – Fiquei super envergonhado!
Mas andando pelas ruas de Milão, vendo coisas que eu nunca tinha visto antes, aprendendo italiano nas ruas, desvendando o sistema do transporte público, me perdendo no supermercado, e conhecendo pessoas de outros países no albergue, foi como experimentar o mundo pela primeira vez!

Em Milão pela primeira vez em 2008.

Não me tornei um supermodelo, mas algo em mim havia mudado, e eu nunca mais seria o mesmo novamente…

Me apaixonei pelo mundo e por viajar, tanto que acabei indo também para a Alemanha, Espanha e Vaticano. Na minha primeira viagem ao exterior terminei visitando sete países!

Quando Comecei a Conta

Quando voltei ao Brasil, estava determinado a viajar novamente. Queria conhecer culturas diferentes, visitar mais países, e até mesmo compará-los uns com os outros. Assim, em 2010, depois de trabalhar numa loja por mais de um ano para economizar dinheiro, fui para a Europa novamente.
Desta vez, visitei nove países durante um período de 35 dias. Estava nas nuvens! Ainda consegui encaixar Argentina e Bolívia quando voltei para o Brasil em 2011. Foi nessa época que eu comecei a manter o controle do número de países que visitei usando o aplicativo do TripAdvisor no Facebook.

Lago Titikaka, um dos lugares que visitei na Bolivia em 2011

Como em 2011 me mudei para os EUA para estudar, não tive oportunidade de viajar muito nos próximos dois anos, além do Brasil e dentro dos Estados Unidos.

Em 2014, eu consegui voltar com minhas viagens internacionais, e visitei a Ásia (Tailândia e Vietnã) pela primeira vez, e mais seis países europeus (Portugal, Inglaterra, França, Grécia, Turquia e Espanha). Após essa viagem, decidi que só iria viajar para países que nunca tinha ido antes.

Em 2015, viajei para a Europa de novo, e consegui acrescentar nove novos países à lista. Eu também fui para a China, Filipinas, Bahamas e Paraguai antes de voltar para o Brasil novamente. Estava no meu caminho para me tornar um verdadeiro cidadão do mundo!

Mesmo 2015 sendo um ano super difícil para mim, por ironia do destino, foi o ano em que eu viajei para mais países, 17 no total.

Os Tropeços e as Recompensas

Mas nem tudo são flores em minhas viagens.

Se lembra do ônibus de Lisboa para Albufeira na minha primeira viagem para a Europa? Foi também a primeira experiência desastrosa. Coloquei uma sacola com lembranças no compartimento superior da bagagem, terminei esquecendo, e nunca a vi novamente!
Mais tarde, na mesma viagem, tive problemas ainda maiores. Desta vez eu deixei uma mochila com meu book e outros pertences no compartimento superior da bagagem do trem. Sem meu book original, minha carreira internacional de modelo terminou antes mesmo de começar… Aquele foi o pior réveillon da minha vida.

Mas aprendi uma lição super importante: viaje leve! Quanto mais coisas você carrega, maior a probabilidade de você perder ou esquecer algo.

Essa foi mala que levei para uma viagem de cinco meses pela Ásia.

Nessa mesma viagem pela Ásia no começo de 2017, por exemplo, tive que procurar hospedagem em Bangkok às três da manhã, porque o gerente do hotel perdeu minha reserva, e pro meu azar, o hotel estava cheio naquela noite. E tem mais, quando estava no Peru em 2016, minha carteira foi roubada, e me peguei em um outro país, sozinho, sem conhecer ninguém, sem dinheiro, e sem cartões de crédito…

Quando viajamos demais, é inevitável lidarmos com situações, pessoas e culturas que não somos familiarizados, o que pode aumentar as chances de mal-entendidos e de decisões erradas.
No entanto, esses momentos difíceis sempre nos ensinam algo, e nos ajudam não só a nos tornarmos viajantes mais experientes, mas principalmente pessoas melhores.

Ademais, nada pode substituir a alegria que você sente quando descobre algo novo, como uma nova cultura ou costume. Nunca vou esquecer o momento em que entrei na Hagia Sophia em Istambul. Mesmo tendo visto várias fotos desse museu antes, fiquei boquiaberto em vê-lo ao vivo. Lembro do meu amigo vendo minha cara de felicidade e falando: “Agora eu entendo porque você viaja tanto”…

Meus olhos brilhavam durante minha visita à Hagia Sofia em Istambul, 2014.

É por isso que eu viajo, porque minha felicidade não tem preço!
E por mais que pareça que eu já viajei o mundo todo, há muitos lugares que ainda não fui; e quanto mais eu viajo, mais eu descubro lugares que quero visitar.

Viagem Como um Estilo de Vida

Em 2015, voltei para o Brasil. Como eu disse, foi um momento difícil para mim – sentia falta dos EUA e de viajar convenientemente. Mas estava determinado a não perder a fluência do meu inglês, e também manter as memórias das minhas viagens vivas. Daí comecei a escrever sobre minhas experiências. Inicialmente era só pra mim, mas depois que alguns amigos leram algumas das minhas histórias, eles me incentivaram a compartilhar com outras pessoas.

Assim, a um pouco mais de um ano atrás, criei o meu blog, o 7 Continents 1 Passport. Não é fácil, especialmente porque escrevo em três idiomas (inglês, espanhol e português), e além das fotos, tem a edição dos vídeos que é muito demorada. Pra completar, ainda não estou ganhando tanto assim com o blog…
Mas estou super feliz trabalhando como blogueiro de viagem, e é uma pena não ter começado antes. No momento estou apenas viajando e escrevendo, escrevendo e viajando, tanto quanto eu puder.

O meu mapa mundi está assim nesse momento. Só conheço 17% do mundo, e ainda tenho muito o que ver…

Como Arrumo Dinheiro para Viajar?

As minhas fotos no Facebook e Instagram provocam reações diversas, mas sempre há algumas perguntas que são semelhantes: “Como você consegue dinheiro para viajar?”, “O que você faz da vida?”, “Quem paga as suas viagens?”, e assim por diante…

Parece que para essas pessoas, dinheiro é a coisa mais importante do mundo, e isso me deixa triste. E principalmente pelo fato que elas pensam que pra viajar tem que ter muito dinheiro…
Como faço para viajar tanto? É uma combinação de fatores. No momento viajo com o dinheiro proveniente de trabalhos que tive no passado. Também ganho um pouco de dinheiro com o blog e, por vezes, consigo alojamento e passeios em troca de uma menção ou resenha. Ainda faço itinerários para viajantes menos experientes, e estou panejando lançar passeios num futuro próximo.
A verdade é que minhas prioridades são tais que, mesmo se eu não ganhar o suficiente para me sustentar com o blog, vou procurar outro emprego, economizar dinheiro e, em seguida, adivinha???
A primeira oportunidade que eu tiver, vou viajar novamente.

Super feliz em Tallin, Estônia, 2015.

Se eu Posso, Você Também Pode

Fico frustrado quando ouço as pessoas dizerem: “Vou viajar quando me aposentar”, ou “Quando eu ganhar mais dinheiro vou viajar”, etc. O futuro é tão incerto, e cabe a nos decidirmos nossas prioridades. Você pode perder sua saúde a qualquer momento, ou até mesmo achar que seu dinheiro nunca será suficiente para viajar. Mas você não precisa ser rico para viajar! Você apenas tem que ter foco, não perder as oportunidades e, às vezes, até ser criativo. Olha quanta gente aí viajando de kombi, de moto, e até mesmo de fusca…

Uma vez comprei um bilhete de avião de ida e volta por € 0,02 com a Ryanair. Usando milhas ou outros programas de pontos, e ficando de olho nas promoções, pode te render barganhas.. E em muitos países você pode comer e beber gastando pouquíssimo. Visitei o Camboja recentemente e fiquei pasmo com os preços lá: cerveja por US$ 0,50; refeição em um restaurante simples US$ 2.50 / 3.00; e em restaurante chique US$ 7,00 / 8,00.

Comida de rua nunca foi tão boa e tão barata como no sudeste asiático.

Fico super feliz quando as pessoas vêm até mim e dizem que estão programando sua primeira viagem internacional. Fico feliz porque sei que elas voltarão com uma visão muito mais ampla do mundo.

Então, da próxima vez que você pensar em visitar aquele mesmo lugar de sempre, por que não se aventurar? Saia da sua zona de conforto e vá a um lugar que você nunca pensou em visitar. Vá para mais de um país numa mesma viagem.
Aposto que essa viagem vai te mudar como pessoa, fazer você se conhecer melhor, e ajudá-lo (a) a compreender os outros de uma maneira diferente.

Viaje e conquiste o mundo !! O que você está esperando?

Noruega, 2015

Se você gostou, compartilhe, e inspire mais pessoas a viajar mais 😉

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