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Em 13 dias eles percorreram o lado oculto do Rio de Janeiro e Minas Gerais


Das Montanhas de Itatiaia e suas Cachoeiras geladas.  Do Saco do Mamanguá até a travessia da Joatinga, por praias desertas e vilas caiçaras de Paraty.

Duração total: 13 dias.

Fizemos essa expedição eu e meu primo-irmão @Mauricio Gomes Loiola, com mais de 1000km de estrada, 60km de trilhas, 15km de caiaque, 18km de barco, 30km de ônibus e algumas breves pescarias.

DIA 1 (Sábado)  – NOITE EM PENEDO
Saímos de SP em direção ao RJ, chegamos a Penedo, cidade de colonização finlandesa e com uma arquitetura maravilhosa, tudo isso no pé da serra de Itatiaia. Havia milhares de turistas e muitas opções de bares, lanchonetes, chocolateiras e cervejas artesanais. Chegamos anoite e acabamos dormindo no carro, em um estacionamento privado, por algumas horas.

DIA 2 (Domingo) – CAMPING DOS LÍRIOS, CACHOEIRA DA FRAGÁRIA e Itamonte
Saímos na madrugada fria pra parte alta da Serra de Itatiaia, sendo que gastamos quase três horas até o Camping dos Lírios o mais próximo do parque. Imprevistos aconteceram e fizemos um passeio que estava fora do cronograma.
No caminho paisagens montanhosas de tirar o fôlego, inclusive no próprio camping, que parecia um sonho.
As estradas nessa região eram extremamente precárias e alguns locais quase inacessíveis sem carro alto. Após 2h30 das piores estradas inimagináveis, chegamos à Cachoeira do Fragária, com mais de 70m de altura.
Voltamos por outro caminho, conhecendo o povoado da Fragária e a cidade de Itamonte (MG), onde o povo é extremamente simpático e solicito.

DIA 3 – Pico das Agulhas Negras (2780m) e“Balada das Estrelas”
Na sede do Parque Nacional de Itatiaia fizemos a escalaminhada de um dos 4 pontos mais altos do Brasil com o guia Ivan, que fez um preço bem bacana e deu todo o suporte pros desafios que enfrentamos.
Este Parque é absurdamente lindo, com uma riqueza ambiental incomparável. primeira unidade de conservação implantada no Brasil, com cumes e uma paisagem de campos de altitude com muitas espécies endêmicas e uma beleza cênica comparável as mais bonitas que já conheci no Brasil.
A escalaminhada exige muito esforço aeróbico, com muitos momentos de impulso físico bem intenso, em uma atmosfera com oxigênio mais rarefeito. Em diversos momentos precisei parar pra me recuperar ou ficaria tonto.
A vista do Pico das Agulhas Negras é a melhor pra ver os picos do próprio parque, e o platô da parte alta, que lembra muito o topo das chapadas brasileiras.
Anoite fizemos fogueira, tomamos chá e cachaça pra enfrentar o frio de quase 0° (Fazia temperatura negativa lá nos picos). Assamos alguns pinhões que encontrei por perto e tocamos violão de baixo de um céu forrado de estrelas. Acho que foi um dos melhores momentos de toda a viagem.

DIA 4 – Travessia Coutos-Prateleiras (até 2600m de altitude)
Travessia de um dia, com 14km de caminhada. Também exige equipamentos, caso você vá subir o pico das Prateleiras, subida que seria extremamente difícil sem um guia e cordas.
A paisagem dessa trilha é alucinante, com melhor visão pra Pedra da Mina (2798m de altitude), Pico das Agulhas Negras, pro Vale do Paraíba e principalmente pros abismos da borda da serra de Itatiaia.
Logo no início da caminhada tive a imensa sorte de me deparar com uma jararaca raríssima e endêmica a de Itatiaia, a Bhotrops fonsecai, com mais de 1m de comprimento.
O Pico das Prateleiras exige menos esforço físico e mais mental do que as Prateleiras. Tem vários “becos sem saída”, que só com guia/conhecimento prévio pra saber como passar. Quanto mais você sobe, mais tenso ficam as escaladas na beira do abismo.
Na volta a sorte ainda me sorriu pela segunda vez: Avistei o “Sapo Flamenguinho”, anfíbio endêmico dali e animal símbolo do parque.

DIA 5 – TRAVESSIA DE CARRO, CONTORNANDO A SERRA PELO NOROESTE
Desmontamos cedo o acampamento e partimos pela Estrada Real em Itamonte e pelo povoado de Alagoas onde fizemos um almoço maravilhoso, no restaurante de uma senhora muito atenciosa.
Passamos por lugares muito isolados, preservados e com acesso extremamente precário.
Descobrimos no caminho a Cachoeira de 5 Estrelas. São várias quedas enormes, que despencam para um abismo sem fim. O local possui um moinho incrível, mas está totalmente abandonado.
E a sorte pela terceira vez: Consegui ver um sapo irado com aspecto de folha, totalmente camuflado na serapilheira da trilha.
Anoitecendo passamos pela belíssima e minúscula cidade de Mirantão, depois pelas charmosas vilas de Maringá e Maromba, onde ficamos no Camping da Cabacana, muito arrumado e com opção de chalés.

DIA 6 –  Pesca de Truta, Cachoeira do Escorrega e Cachoeiras do Poço do Céu e Poço dos Dinossauros.
Enquanto meu primo descansava, fui pescar Trutas Arco-Iris, espécie que foi introduzida nas áreas mais altas e frias do país. Nunca imaginei que iria poder pescar esse peixe manhoso e saí vitorioso.
Depois fomos até a cachoeira do escorrega, o toboágua mais insano (e gelado rs) que já fui e ainda criado pela mãe natureza. Almoçamos uma Truta à Parmegiana, iguaria local e sem igual.
A tarde conhecemos as cachoeiras do Poço do Céu/Poço dos Dinossauros, absolutamente lindas, 100% cristalinas e imperdíveis para um snorkeling.

DIA 7 – DESPEDIDA DE ITATIAIA E CHEGADA AO SACO DO MAMANGUÁ (PARATY MIRIM) ANOITE.
Pela Estrada Real, viajamos 250km até Paraty Mirim, um povoado caiçara há 25km de Paraty, onde há uma comunidade indígena e a igreja mais antiga do município.
Deixamos o carro num estacionamento onde ele ficou por cinco dias. Saímos de caiaque quase no anoitecer, navegando por águas cristalinas.
Fizemos 6km de remada em 1h, no maior gás. No percurso pescamos alguns saborosos “Olho de Cão”.
Já era noite quando chegamos no Camping do Sr. Orlando dentro do Saco do Mamanguá, na Vila do Cruzeiro, um capitão de navio e pescador aposentado, que nos atendeu com muito entusiasmo.
Assim, acampamos bem na beira de um dos mais belos pontos de todo o litoral paulista.

DIA 8 – DESCANSO E PESCARIA NO SACO DO MAMANGUÁ
Apesar das previsões de tempo catastróficas, o tempo amanheceu com sol no magnífico Saco do Mamanguá. Esta baía possui águas cristalinas, cercada por serras dos dois lados, sendo considerada o “único fiorde brasileiro”.
A sensação era de estar pescando num aquário vivo, no paraíso da pesca e snorkeling.
Anoite fizemos uma boa fritada de peixe, que só não foi perfeita, por quê não tínhamos mais cachaça e nem farinha pra empanar os peixes que ficaram encharcados de óleo kkk.

DIA 9 – SUBIDA NO PICO PÃO DE AÇÚCAR E INÍCIO DA TRAVESSIA DA PONTA DA JOATINGA
Na parte da manhã subimos no pico que fica na vila do Cruzeiro. 1,5km de subida intensa, 400m de desníve. O tempo estava maravilhoso! Chupa previsões! A vista daquele pico, não tem como descrever, não tem como acreditar, é um dos lugares mais lindos que já estive e minha principal meta de toda a viagem.
Depois do almoço desmontamos o camping e iniciamos a Travessia da Joatinga. Mesmo com GPS, a trilha da Travessia da Joatinga é muito confusa. Você vai beirando o mar, subindo e descendo morros e entrando em muitas casas e mansões luxuosas.
Após algumas horas chegamos no MOMENTO MAIS DIFÍCIL de toda essa expedição!!! A travessia de uma serra pra chegar na Praia Grande da Cajaíba.
Corpo fadigado, mochila pesada, um calor de 35°C e uma trilha de quase 4km, com desnível de 380m, escorregadia com mata muito fechada e inúmeros obstáculos (árvores/bambuzais/bambuzais caídos e barrancos).
A noite caiu e andamos por horas a fio com a luz da lanterna e de uma imensa lua cheia.
Chegamos totalmente destruídos e destroçados na belíssima Praia da Cajaíba, no Camping da Dona Dica. A senhora Dica é uma caiçara de 3° geração e conhece-la foi um dos momentos também dos mais incríveis daquela viagem. O Camping é todo artesanal (feito por ela e seus filhos), cheio de balaios e artesanatos feito por ela. Apesar de bem velhinha, ela mora pra dentro da mata, 3km da praia, e anda aquela distância todos os dias. Ainda planta, cria animais e produz farinha de mandioca.

DIA 10 –  TRAVESSIA DA JOATINGA, DA PRAIA GRANDE ATÉ O POUSO DA CAJAÍBA
A travessia da Joatinga consiste de 44km de trilhas, praias e comunidades caiçaras isoladas, tudo acessível somente por caminhada ou por barco.
Atravessamos várias vilas caiçaras parecidas tiradas de filme, com praias maravilhosas e translucidas, as quais gostaria muito de ter tido tempo de mergulhar com snorkel.
No Pouso da Cajaíba pegamos um barco até Ponta Negra.
De fato o mar estava muito bravo, mas conseguimos fazer a travessia de uma hora pelo mar espetacular, de maneira segura com um piloteiro caiçara chamado Richard, que nos ensinou muito sobre o modo de vida caiçara, ainda bem preservado naquelas vilas isoladas.

DIA 11 – TRAVESSIA JOATINGA – SAÍDA DA PONTA NEGRA – CHEGADA EM PARATY.
Nosso pouco tempo na vila Caiçara de Ponta Negra foi muito intenso. Tive uma crise de dor de barriga/diarreia anoite.
Pra piorar o camping que ficamos, era extremamente pobre e precário. Aliás, ao contrário das outras vilas caiçaras que visitamos, que pareciam bem prósperas, a comunidade da Ponta Negra foi uma das comunidades mais pobres que tive contato.
Deu um aperto muito grande aquela situação, fora o desconforto por causa da diarreia.
Pra minha sorte, achei um pé de limão e consegui fazer um remédio indígena milagroso pra diarreias que aprendi na Colômbia e funciona melhor que Imozek….
A trilha a partir da Ponta Negra é bem menos puxada, principalmente entre a Praia do Sono e a Vila do Oratório, que parecia uma brincadeira depois de tudo que enfrentamos.
Na praia do Sono, tinham um zilhão de campings e restaurantes e até aceitavam cartão, apesar de não ter acesso de carro pra lá também.
Fim do dia chegamos na Vila do Oratório e pegamos um ônibus pra Paraty, onde pernoitamos num Hostel muito aconchegante e extramente barato pra o que eu esperava de Paraty.
Aproveitei pra conhecer o centro histórico de Paraty e sua riquíssima vida noturna.

DIA 12 – DESCANSO E RESGATE DO CARRO e Caiaques, a conclusão da TRAVESSIA ponta da Joatinga.
Dormimos até tarde no hostel, aproveitando pra descansar. Resolvemos coisas no centro da cidade e pegamos um ônibus pra Paraty Mirim, pra iniciar o “fim da travessia” e da Expedição RJ/MG Oculto.
Chegando em Paraty Mirim, o primeiro desafio foi fazer o carro pegar após 5 dias parados e uma bateria que estava com dois anos de uso.
Depois fomos atrás de barqueiro pra nos levar pro Saco do Mamanguá e puxar nossos caiaques e tralhas de pesca que ainda estavam no Camping do Sr. Orlando. A maioria não queria pelo mau tempo, que voltou dessa vez pra ficar. Ficamos todos ensopados por conta das ondas que batiam no barco e sem blusa, ficamos com muito frio.
E assim resgatamos tudos e nos despedimos daquele paraíso. Adeus saco do mamanguá ou até breve.
Ainda voltamos pra Paraty, pra dormir no mesmo hostel e sairmos mais uma noite.

DIA TREZE VOLTA PRA SP, PASSANDO POR SÃO LUIZ DA PARAITINGA.

GRATIDÃO
Aos meus pais que me despertaram quando pequeno uma apetite voraz por conhecer nosso país. Ao meu primo e irmão de consideração Mauricio por ter embarcado nessa comigo. A todos que nos receberam bem. E por ter realizado mais uma expedição nesse lindo Brasil.

Texto e fotos: Vinicius De Souza Almeida e Mauricio Gomes Loiola

Postado originalmente no Grupo Mochileiros em:
https://www.facebook.com/groups/mochileiroscom/permalink/10154309701672260/

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