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Há 3 anos na estrada, brasileiro faz um resumo da vida nômade


No dia 5 de abril de 2014 saí de Vitória, minha amada cidade natal nas praias tropicais de um país agora distante chamado Brasil, depois de desistir de uma carreira de engenheira e vender quase tudo que tinha e começar uma viagem ao desconhecido sem olhar para trás. O plano era não ter nenhum plano nenhum além de viajar onde quer que a estrada me levasse e fazer algum dinheiro pelo caminho.

A maioria das pessoas pensa que estou de férias eternas e que eu tenho a melhor vida jamais imaginada, mas já de cara eu aviso que tudo mostrado nas mídias sociais pode ser enganador. Na era do “Nomadismo Digital”, quando as pessoas trabalham on-line de qualquer parte do mundo, ser um nômade oldschool com um orçamento diário ao redor do globo de US$ 20 não é uma festa todos os dias: muitas vezes sinto falta de minha família e amigos, sempre sou o imigrante que se mudou para um país rico para “roubar” o trabalho de outras pessoas, cada nova amizade não dura mais do que alguns dias, eu durmo em sofás de estranhos e pego carona em carros aleatórios, constantemente me encontro cercado por muitas pessoas que mal conheço ou sozinho e perdido em meus pensamentos e às vezes o sentimento de viagem “maneira” dá lugar a um mero instinto de sobrevivência.

“Qual é a recompensa por tudo isso?”, você pode me perguntar. A resposta curta seria algo como: Os últimos 3 anos têm produzido algumas das melhores lembranças da minha vida e me deu um melhor entendimento sobre mim e outras culturas e religiões além de me ajudar a me livrar de alguns preconceitos que antes habitavam esta mente, sem mencionar as pessoas incríveis que eu conheci ao longo destes anos. A resposta longa pode ser facilmente obtida de mim depois de algumas cervejas e um bom bate-papo.

Muitas vezes me perguntam se sou rico por viajar por tanto tempo ou como financio minhas viagens. Em primeiro lugar, eu trabalho duro! Em segundo lugar: Eu tinha alguma grana guardada da minha recisão e das vendas dos meus bens em 2013. Para aqueles que não se lembram ou me conheceram recentemente, isso é o que minha vida tem sido nos últimos 3 anos:

2014
Abril – Setembro: Uma curta viagem para a Argentina e Chile seguido de um roadtrip de 5 meses pela Nova Zelândia, cozinhando, dormindo e vivendo em uma van.
Setembro – Fevereiro (2015): Resolvi sentar a bunda na bonita cidade de Queenstown, ilha sul de Nova Zelândia, onde trabalhei como ajudante de cozinha em um dos restaurantes os mais movimentados da cidade.

2015
Março – Agosto: Deixei os dias de cozinha pra trás e começei a trabalhar como pintor de casas em toda a região de Otago, Nova Zelândia. Um interessante texto publicado sobre minha experiência de trabalho foi publicado no Projeto Vira Volta (http://projetoviravolta.com/como-juntar-grana-na-nova-zela…/ )
Agosto – Setembro: De volta à estrada, viajei a Nova Zelândia por mais um mês.
Setembro – Outubro: Passei 45 dias viajando na Papua Nova Guiné, vivendo como um local em muitas aldeias sem eletricidade ou água corrente. Lá eu tive o prazer de conhecer o povo melanésio, o povo mais bondoso e generoso ​​que eu me deparei até hoje!
Outubro – Novembro: Viagem curta a Cairns (Austrália) antes de começar uma roadtrip de 2 semanas de Darwin a Adelaide pelo deserto do Outback, também conhecido como Centro Vermelho.
Novembro – Março (2016): Me estabeleci em Melbourne por alguns meses para recompor a minha conta bancária. Meus trabalhos em Melbourne incluíram mudança, ajudante de cozinha, manutenção de playgrounds de jardim de infância, jardinagem e cobaia de laboratório em experimentos clínicos.

2016
Março – Abril: Viajei ao redor de Melbourne por alguns dias e segui para a Costa Leste Australiana por duas semanas.
Abril – Maio: De volta à Nova Zelândia por um mês para realizar a etapa mais aventureira da minha viagem. Fiquei em Bay of Islands, ilha norte da Nova Zelândia.
Agosto: Caronei um veleiro da Nova Zelândia para a Nova Caledônia e Vanuatu, onde fui adotado por uma família melanésia novamente. As praias mais bonitas e inexploradas que eu já vi estão provavelmente lá! Fiz uma breve visita à Fiji depois.
Agosto – Dezembro: Iniciei a tão sonhada viagem pelo Sudeste Asiático na Indonésia, Timor-Leste, de volta à Indonésia, Cingapura, Malásia, Brunei, Laos, Vietnã e Camboja.

2017
Janeiro – Fevereiro: Finalmente cheguei à Tailândia, onde minha irmã veio ae juntar à mim e juntos viajamos o país por um mês. Foi a primeira vez que vi um parente desde que saí de casa em 2014.
Fevereiro – Março: Voluntariei em um hostel em Chiang Mai (norte da Tailândia) durante 5 semanas.
Março – Abril: Atualmente explorando Myanmar, um país recentemente aberto aos turistas.

Como estou me sentindo nostálgico sobre esta celebração de aniversário de 3 anos, gostaria de compartilhar alguns fatos e estatísticas sobre esta viagem:
* Até agora eu visitei 18 países e vivi em 3 deles. Viajo para viver experiências e não ver coisas, por isso o ritmo lento.
* 13.000 km foram conduzidos durante os 5 meses que vivi em uma campervan na Nova Zelândia.
* Muitas vezes tento acompanhar o número de cervejas que bebi, mas sempre me perco após algumas garrafas…
* 0 (zero) é o número de vezes que fui roubado, ameaçado ou roubado.
* Gastei cerca de R$ 35.000 das minhas economias desde que saí do Brasil em 2014. Todo dinheiro juntado e gasto durante a viagem não tem importância.
* Meu recorde de dias sem banho é 5.
* Só fui parar no hospital duas vezes: uma vez quando eu tive um anzol de pesca atravessado no meu braço em Vanuatu e também quando eu tive o tornozelo esquerdo trincado e engessado após um acidente de moto no Vietnam. Coincidentemente, ambas as contas me custaram US$ 30 cada.
* Eu não tenho um país favorito, mas o lugar que mais gostei é Bali. Embora não haja nenhum país que eu particularmente não goste, eu achei Brunei muito chato e não tive um bom sentimento sobre o Camboja.
* O país mais caro que eu estive é provavelmente Nova Caledônia e o mais barato poderia ser Tailândia ou Vietnã.
* Peguei carona 63 vezes e me lembro de algo sobre cada uma das vezes que caronei!
* Eu não me lembro de estar em uma situação extremamente perigosa, mas, embora eu pilote motos há 10 anos, eu realmente senti que poderia ter morrido nas rodovias vietnamitas.
* A temperatura mais alta que fui exposto foi 44 °C no Outback australiano e a mais fria foi -10 ° C em Queenstown, Nova Zelândia.
* Não houve um único dia eu tenha acordado e me arrependido de viver assim!

3 anos na estrada e continuo contando…

Muitas fotos e histórias dessa maluquice que tem sido minha vida podem ser encontradas na minha página, The World Upon my Shoulders.

Há algum fato ou estatística que você gostaria de saber? Comente abaixo e eu estarei feliz em responder!

Fotos e texto: Guilherme Brunner

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