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O que eu aprendi em Israel


Sabe quando você volta de viagem e as pessoas te perguntam “e aí? Como foi?”. A pergunta é tão genérica e ampla que a gente só consegue responder “Foi ótimo!”, e no caso da última viagem eu tenho respondido também “foi surpreendente”, mas nada muito além disso, normalmente a pessoa não quer gastar muito tempo da vida dela pra ouvir mil histórias e está apenas sendo educada.

Acontece que existem aquelas pessoas que realmente querem saber e tem curiosidade para ouvir um pouco mais sobre Israel, um destino ainda pouco comum por aqui, e é para essas pessoas que eu resolvi escrever tudo que tenho vontade de falar quando me fazem a tal pergunta.

Fui para Israel para visitar uma amiga que havia se mudado para lá, completamente sem ideia do que nos esperaria. Eu particularmente não sabia absolutamente nada sobre o judaísmo e bem pouco sobre os conflitos que a terra prometida vive há séculos, então tudo teve um gostinho bom de descoberta a cada dia.

Descobri que os Judeus tem  muito mais costumes e tradições que qualquer religião que já tive o prazer de conhecer de perto. Eu já sabia das regras super restritivas para comer, mas vimos de perto como eles levam a sério o shabbat, o dia da semana em que além de não trabalhar, não dirigem carros, não usam telefone, alguns sequer acendem as luzes, aprendemos que os simbolismos são infinitos, desde as vestimentas até objetos pendurados por todo o corpo para lembrar de sua fé, que eles rezam com o corpo inteiro balançando para frente e para trás, que as comidas são maravilhosas e MUITO fartas, que por terem se espalhado por todo o mundo por tanto tempo a religião desenvolveu vertentes infinitas e bem diferentes entre si,  mas que todos elas valorizam (e muito) a comunidade judaica e suas tradições.

Pude perceber que tudo em Israel é uma mistura de diversas culturas por ser um Estado tão jovem, principalmente a comida, um pedacinho da cada canto do mundo. Você consegue ver claramente que há influências cristãs, muçulmanas, armênias e tantas outras que transformam o lugar em algo diferenciado, mesmo ainda não tendo encontrado a sua identidade própria como nação.

Aprendi que os conflitos são muito mais complexos do que parecem e que uma pequena minoria concorda com medidas extremistas, e, apesar da sociedade estar claramente dividida entre judeus e muçulmanos, todos querem a paz.

Foi uma viagem de muita reflexão e aprendizado e confesso que fiquei me sentindo um pouco alienada por saber tão pouco sobre algo tão significativo que acontece no planeta que eu também estou inserida.

Além de suas peculiaridades e complexidades, Israel é um país realmente lindo e um prato cheio para viajantes de todos os tipos.

Temple Mountain

Jerusalém tem uma energia religiosa tão carregada que mesmo quem não acredita em nada consegue sentir que a atmosfera da cidade é, de fato, diferente de qualquer lugar do mundo. Principalmente em Old City, onde 4 culturas distintas dividem um pequeno espaço, cada uma com suas comidas, aromas, músicas e tradições, separas por apenas alguns passos umas das outras.

Monte do Templo | Foto sob licença Creative Commons.

Igreja do Santo Sepulcro

É emocionante entrar na Igreja do Santo Sepulcro e imaginar que ali, há milhares de anos, Jesus foi crucificado. É inacreditável ver o muro das lamentações e pensar que aquele pedacinho de parede foi a única coisa que resistiu às inúmeras guerras e diferentes dominações às quais Jerusalém se submeteu. É surreal perceber que o lugar mais sagrado pros judeus fica à poucos metros de um dos lugarem mais sagrados pros muçulmanos, o Temple Mountain. E é simplesmente imperdível subir o Monte das Oliveiras e ver o sol nascer, ver aquela cidade magnifica acordar.

Detalhe da Basílica do Santo Sepulcro | Foto sob licença Creative Commons.

A região do Mar Morto e Massada oferece muito mais que um deserto. O ponto mais baixo da terra, a mais de 400m abaixo do nível do mar, tem águas oleosas (sim!) extremamente amargas e mortais, de maneira que nenhum ser vivo consegue sobreviver àquele ambiente hostil que é o mar morto. Qualquer machucadinho que você tiver no corpo eu te garanto que você vai sentir arder enquanto estiver flutuando sem o menor esforço por lá. O maior problema que tive é que eu simplesmente não suportei ficar muito tempo, o termômetro marcava nada menos que 50 GRAUS! A água parecia uma sopa e eu o macarrãozinho pronto pra derreter a qualquer momento, impossível. Claro que era alto verão, isso tem que ficar bem claro.

Ainda na região, existe a fortaleza de Massada, lugar de uma história realmente incrível e símbolo de resistência nacional. Fizemos a trilha da madrugada para ver o nascer do sol e eu garanto que não tem maneira melhor de aproveitar o passeio. A trilha em si não é leve, 40 minutos a 1 hora e meia de subida muito íngreme e, mais uma vez, com aquele calorzinho do deserto, mas pense numa coisa que vale a pena! Ver a fortaleza se pintar de rosa e laranja enquanto o sol enorme desponta atrás do mar morto não é nada mal.

Palácio construído pelo rei Herodes em 3 níveis da rocha | Foto: אבינועם מיכאלי /Creative Commons. 

Haifa e Tibérias são cidades próximas ao Mar da Galileia, no norte do país. A primeira é de uma beleza e organização invejáveis e relevo bem interessante. A cidade é toda disposta em um morro enorme em formato de meia lua e lá em baixo você pode ver o mar maravilhoso de Israel. Já Tibérias é uma cidade típica de praia, bem tranquila e cheia das feirinhas (gostamos). A gente quis dar uma passada por lá pra entender como era a vida dos Israelenses fora dos ponto extremamente turísticos, e vou te contar, não me pareceu nada mal.

Sderot Hatsiyonut, Haifa | Foto sob licença Creative Commons.

Ruínas de teatro romano em Tibérias | Foto: Carole Raddato/Creative Commons. 

Por fim, Tel Aviv, ou “a bolha”, como alguns gostam de chamar a cidade mais desenvolvida do Oriente Médio. Se tem um lugar que me senti bem à vontade em vestir meu biquíni e shortinho de brasileira foi lá. Tem gente de todos os tipos, ao lado de uma mulher nadando de burca, uma outra de cabelos azuis e piercing no umbigo toma uma cerveja. Nos falaram que 2 dias seriam mais que o suficiente para ver tudo em Tel Aviv, o que é verdade se você só se interessar por monumentos e passeios turísticos, mas acabamos esticando nossos dias por lá para curtir a praia maravilhosa. Atmosfera de Rio de Janeiro, estrutura de Europa e um azul do mar que só Israel tem. Além disso passear por Jaffa e seus inúmeros bares e mercados era uma diversão à parte. Tel Aviv definitivamente não dá pra ser definida em apenas algumas palavras.O engraçado é que mesmo com tanta coisa diferente e bonita para se ver, os próprios nativos se espantavam quando a gente contava que 1-era brasileira 2-não era judia 3-não tinha ido lá por motivos religiosos. Eles ainda se surpreendem com a ideia de que Israel é sim um país muito interessante.

Praia de Jaffa – Tel Aviv | Foto sob licença Creative Commons.

Essa foi uma experiência daquelas que ainda vou demorar um bom tempo para absorver tudo o que vi e vivi. Eu tenho, sim, as minhas opiniões e ressalvas em relação aos conflitos e com a maneira que Israel tem lidado com a situação, tenho refletido até sobre a pratica do judaísmo por lá, mas nunca irei deixar de admirar esse país, nunca deixarei de respeitar e reconhecer a magnitude da cultura.Não há maneira melhor para se abrir a cabeça, e os olhos, para diferentes realidades do que viajar, e eu sou eternamente grata por essa oportunidade.

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