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Travessia dos Lençóis Maranhenses – passo a passo


Resolvi fazer esse relato sobre a travessia dos Lençóis Maranhenses porque tive muita dificuldade de encontrar informações atualizadas para planejar minha viagem. Como chegar até lá, o que levar, como é o percurso??? Eram muitas as dúvidas. Aqui deixo respostas para os próximos aventureiros.

 

Como é a travessia?

São quatro dias de caminhada, com pernoites na casa de moradores em pequenos povoados, verdadeiros oásis na imensidão de areia. Ao todo são percorridos cerca de 60 km, ora na beira do mar ora no sobe-e-desce das dunas. A simplicidade é absoluta. A refeição, a R$ 35 por pessoa (setembro 2017), vem dali mesmo do quintal dos moradores: galinha caipira, peixe frito, macarrão, arroz e feijão. Para dormir, é só escolher uma das redes penduradas no redário. O preço do pernoite com o café da manhã fica entre R$ 35 e R$ 50. Em Canto do Atins e Baixa Grande o local do pernoite também tinha quartos com camas. Fiquei na casa da dona Loza e recomendo. Hospitalidade 1000%. Existe uma estrutura mínima nos locais de pernoite, com banheiro e ducha. As instalações podem ser mais ou menos confortáveis de acordo com a casa escolhida. O redário é coletivo e cada “hóspede” recebe um lençol para passar a noite. O café da manhã com tapioca, manteiga, ovos mexidos e café está incluído na diária. Nesses pontos de apoio há água para abastecer o cantil e outras bebidas à venda, além de almoço e jantar.

A travessia dos Lençóis Maranhenses é mais do que superação física. É também uma viagem de conhecimento, de contato com um Brasil que muitos acreditam ter ficado no passado. Na exuberância dos oásis maranhenses famílias vivem sem energia elétrica, sem telefone, sem escola ou um simples posto de saúde.
Na falta do básico sobra hospitalidade. Depois de horas de caminhadas debaixo de sol, somos recebidos com comida na mesa, rede estendida e, se precisar, até remédio para as dores no corpo ou bolhas nos pés.

Qual a melhor época?

A melhor época para visitar os Lençóis é de junho a início de setembro, quando a temporada de chuva acabou e as lagoas que se formam nas dunas estão cheias. Eu fiz a travessia em setembro num grupo com mais seis pessoas. Ainda tive lagoas cheias, mas encontrei muitas já secas pelo caminho. Acho que meados de setembro é uma data limite para fazer o trekking desfrutando de banhos refrescantes todos os dias em lagoas de água cristalina.
Fiz a travessia no sentido Atins-Santo Amaro. Para essa época do ano é o mais recomendado porque se faz a caminhada com o vento, e a areia, claro, sobrando nas costas, e não direto no rosto. É indispensável a companhia de um guia já que não há sinalização nas dunas. É muito fácil se perder naquele deserto de areia.

Como chegar aos Lençóis

Barreirinhas é a porta de entrada para os Lençóis Maranhenses. Ela fica a 248 quilômetros da capital São Luís, cerca de quatro horas de viagem. O trajeto pode ser feito por vans e microônibus fretados para turistas ou ônibus regular. Agências oferecem o transfer por cerca de R$ 50 a R$ 60 por pessoa. A vantagem do transfer é que eles te pegam e deixam no local em que estiver hospedado. Uma das empresas que prestam o serviço são a Levatur e Giconect. Já se quiser ir de ônibus tem que se deslocar até a rodoviária de São Luís e comprar a passagem em uma das empresas que viajam até Barreirinhas, como a Cisne Branco. Há saída às 6h, 8h45, 14h e 19h30. Táxis também fazem a viagem mas o preço é bem mais salgado, cerca de R$ 500.

Como contratar um guia?
Não é possível fazer a travessia sem um guia. O risco de se perder é alto porque não há caminho sinalizado. Você pode contratar uma agência que organiza a trekking ou contratar diretamente em Barreirinhas um guia. Recomendo que faça isso com antecedência. Sugestão o guia Fabrício (https://www.facebook.com/fabricio.ferreira.5070).

O que levar para a travessia?

  • Mochila – (lembre-se de não exagerar porque terá que carregá-la por horas sob o sol)
  • Lanterna de cabeça com pilhas (para o trekking ainda à noite)
  • Compartimento para água- Garrafa/Cantil/Camelbak (mínimo de 02 litro)
  • Bota/Tênis de caminhada ou papete
  • Camisas tipo Dry Fit (ideal manda longa se possível com proteção UV)
  • Fleece/Anorak/Corta Vento
  • Repelente de insetos
  • Protetor solar e labial
  • Bermudas
  • Toalha
  • Shampoo
  • Sabonete
  • Chinelo
  • Meias
  • Esparadrapo
  • Atadura (caso tenha bolhas no pé)
  • Bastão de caminhada (se estiver acostumada a caminhar com eles)
  • Chapéu ou Boné
  • Medicamentos de uso pessoal
  • Lanche para a trilha (frutas secas, paçoca, barra de cereal, castanhas/nozes, biscoitos)

Distâncias do trekking

1º dia – Barreirinhas até Canto do Atins
Trekking: cerca de 3 horas (6km)

2º dia – Canto do Atins até Baixa Grande
Trekking: 8 a 9 horas (24 km)

3º dia – Baixa Grande até Queimada dos Britos
Trekking: 4 horas (12 km)

4º dia – Queimada dos Britos até Santo Amaro
Trekking: 8 horas (cerca de 20 km)

Fiz um relato do dia-a-dia da aventura aqui! Acompanhe.

 

Trecho à beira-mar na madrugada entre Canto do Atins e Baixa Grande

 

Baixa Grande, oásis no meio do parque nacional, local do primeiro pernoite

 

Redário do segundo pernoite
Casas simples de moradores hospedam os turistas

 

Uma das lagoas durante a travessia

 

Travessia de rio ao longo do trekking

 

Almoço na cada de dona Joana, em Queimada dos Britos

 

Lagoa no trecho entre Queimada dos Britos e Santo Amaro

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