Brasil

Aparados e Serra Geral, na divisa de SC e RS guardam os mais belos cânions brasileiros

Paredões que parecem ter sido aparados à “fio de faca”, ventos cantantes e o mais belo pôr do sol à nossa espera, um bem-vindo ao solo gaúcho. Num formato quase matemático, no final da tarde: igreja + praça + rua principal e lá está Cambará do Sul, principal cidade para visitação aos Parques Nacionais Aparados da Serra e Serra Geral.
No Aparados da Serra está o famoso cânion Itaimbezinho, bom para ser visitado à tarde (melhor para as fotos). No Serra Geral está o Fortaleza, cuja visita é melhor pela manhã (até nisso a natureza caprichou). Alguns relatam o contrário, mas conosco a “fórmula” funcionou, nada de neblina (fomos no outono).
Dependendo do horário que você chegar à cidade, se estiver em veículo próprio dá para visitar os dois num só dia! Pode parecer um pouco corrido para alguns, mas é preciso encaixá-los no seu roteiro, pois além destes imperdíveis desfiladeiros, há muitos outros atrativos naturais na região dos parques.

Aparados da Serra

Com trilhas bem marcadas e boa estrutura, o parque que tem o Itaimbezinho como principal atração é opção para qualquer idade e tipo físico. Para conhecer o cânion o visitante pode optar por duas trilhas leves e bastante fáceis:
Trilha do Cotovelo (aberta somente até às 15h) – Aliás, este pode ser chamado de um “passeio” de 6Km (ida e volta) por uma estrada de terra bastante aberta.
A partir dela é possível avistar cerca de 70% do Itaimbezinho, numa das mais belas cenas da natureza. Fendas e paredes de até 720m de altura e seus 5.800m de extensão impressionam qualquer um.
Trilha do Vértice. Com 1,1Km de extensão possibilita observar os outros 30% do Itaimbezinho, e as cascatas das Andorinhas e Véu de Noiva. É um caminho calçado com placas de concreto, plano.
O parque fica a 18Km de Cambará do Sul. Funciona de quarta a domingo, das 9h às 17h. Entrada R$ 6 por pessoa. Estacionamento: R$ 5.
Esta seria a visita “basicona” ao Aparados da Serra, na parte alta do cânion (borda) do Itaimbezinho.
Um pouquinho além do básico ali é fazer a Trilha do Rio do Boi. O caminho adentra o cânion (o que resulta claro em visões espetaculares – imagine 720m de altura!) e passa por várias cachoeiras e piscinas naturais.
A trilha de 12km, sinuosa segue pelo rio e suas pedras e em alguns trechos é preciso atravessá-lo com água até os joelhos.
Esse trekking é bastante recomendado, sobretudo se estiver visitando a região no verão e com dias ensolarados. O clima em regiões de serra é bastante instável e é bom evitar essa trilha se em dias anteriores houve muita chuva (por causa do aumento do leito do rio).
A visita ao Itaimbezinho não requer acompanhamento de guia. A Trilha do Rio do Boi sim.

Serra geral

O Cânion Fortaleza é mais extenso e profundo que o Itaimbezinho: são trechos com até 900m de altura e 7,5Km de extensão. O parque é menos estruturado também, o que não afeta em nada a visita.
Num percurso de 3Km (ida e volta) é possível avistar 95% do Fortaleza. Essa é a conhecida Trilha do Mirante e uma subida de pouco mais de 1h30 leva ao seu topo, onde, com dias claros é possível ver parte do litoral gaúcho e da planície catarinense.
No caminho há trilhas que levam às quedas d’água da cachoeira do Rio do Tigre e seguindo por ela (mais ou menos 3,5Km) é possível chegar à Pedra do Segredo, uma das atrações locais. A pedra tem 5m de altura e aproximadamente 30 toneladas e fica apoiada numa pequena base. Qual será o segredo de sua sustentação. Um sopro parece poder derrubá-la a qualquer momento e ventos cortantes a lapidam dia a dia.

Este seria o “basicão” do Serra Geral que também conta com várias outras opções de trilhas.
Um pouco mais além, seria fazer a Trilha Churriado e Malacara. Este trekking na Serra Geral passa por outros cânions, revelando grande beleza cênica. São cerca de 7h30 de caminhada por uma região que no passado foi habitada pelos índios Kaingang. O Malacara é o ponto mais alto do Rio Grande do Sul e em seu topo, em dias sem névoa é possível avistar parte do litoral (Praia Grande e Lagoa do Sombrio em Santa Catarina e Torres, Itaipeva e Lagoa do Jacaré no litoral gaúcho).
A visita ao Cânion Fortaleza, Trilha do Mirante e Pedra do Segredo não requerem guia, a do Churriado e Malacara sim.

Você pode ter estranhado os termos “basicão” e “ir um pouco ou pouquinho além”, é que a região é palco de muitas oportunidades para quem curte travessias, por exemplo; e para fazê-las é preciso estar preparado fisicamente e com vestuário e equipamentos adequados, bem como muito bem informado com relação aos tipos de terreno que serão encontrados, clima e temperatura, o que é permitido ou não em determinadas áreas dos parques nacionais etc.
Não é permitido acampar nas áreas de ambos os parques nacionais.

No http://www.mochileiros.com/canions-serra-geral-ate-aparados-a-pe-t19510.html#.T99fqRfOWSo você pode conferir o relato do viajante Jorge Soto que fez a travessia Serra Geral à Aparados da Serra à pé e no http://www.mochileiros.com/trekking-pelos-penhascos-e-platos-da-serra-geral-sc-t31366.html#.T99jTRfOWSo você lê o relato (com fotos e mapas) do viajante Augusto, em um trecho entre as serras Geral e da Anta Gorda.

Dica: alguns viajantes relatam que uma boa opção para economizar nesta viagem é ficar hospedado e utilizar os serviços (quando necessários) de tours ou guias da cidade catarinense de Praia Grande. Digamos que a cidade favorece a visita às partes baixas dos cânions (interior) e Cambará as partes altas (bordas e mirantes); portanto você também pode fazer um roteiro ficando parte em Santa Catarina, parte no RS.
De Junho a Agosto faz mais frio, mas as paisagens são “mais nítidas”. Setembro tem muitas chuvas e queimadas. A região tem bastante vento, até mesmo no verão.
Não há transporte público para os Aparados da Serra ou Serra Geral. Se você estiver com veículo próprio poderá deixá-lo no estacionamento (aparados) ou na estrada perto da entrada (serra geral).
Não é permitido acampar nas áreas de ambos os parques nacionais, mas há áreas próprias dentro de Cambará do Sul onde o camping (comercial) é permitido:
No centro há o camping da Pousada Pindorama (54 3251-1225), a 1Km do centro o da Corucacas (54 3251-1123) e a 15Km do centro o Camping da Fazenda Capão Alto (54 9985-0779).
As hospedagens na cidade de modo geral oferecem bom custo-benefício, então se você quer ficar num camping só por causa da economia, é bom pesquisar os preços das pousadas.

Mais informações:

No site da Associação de Condutores Locais de Ecoturismo de Cambará do Sul – RS a Acontur, você pode conferir os guias cadastrados (com e-mail e telefones) e informações sobre outros passeios e trilhas na região e até preços: http://acontur.wordpress.com/about/

Nos telefones (54) 3251-1277/1262 ou através do e-mail parnaaparadosdaserra@icmbio.gov.br  do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) responsável pelos parques você pode obter mais informações, bem como na Casa do Turista em Cambará do Sul que fica na Avenida Getúlio Vargas, 1720. Telefone (54) 3251-1320.

Um pouquinho de História

Em 1494, antes do descobrimento do Brasil o atual território de Cambará do Sul pertencia aos reis da Espanha. No local viviam os índios Jê, cujos remanescentes passaram a denominar-se Caaguás e mais tarde Kaingang. Tais moradores atrairam portugueses, baianos e paulistas os quais buscavam índios para escravizar. É possível que antes mesmo dos jesuítas espanhóis terem cruzado este solo, os jesuítas portugueses o tenham feito por volta de 1609.
A partir de 1700, netos e bisnetos dos primeiros portugueses e bandeirantes tropeavam por estas bandas, comercializando gados, mulas e cavalos entre Minas Gerais e São Paulo. A partir daí surgiram as primeiras estâncias (fazendas) no local.
Já a urbanização começa somente por volta de 1864, quando da doação de terras feita por Úrsula Maria da Conceição, para a construção de uma capela em devoção a São José.

História natural

As rochas encontradas em Cambará do Sul têm de 137 a 150 milhões de anos. Neste período o local era um grande deserto de arenito que fazia parte da Bacia Sedimentar do Paraná, então aconteceu o que na geologia é chamado de “derrame basáltico” ou seja, esse deserto se rachou e o magma (material que está no interior do globo da terra) imergiu e alagou uma área de mais de 1.000.000 quilômetros quadrados. O magma vinha do centro da terra a uma temperatura de 3000 graus centígrados e ao entrar em contato com a superfície resfriava e solidificava. Esses derrames constituem o maior vulcanismo desse tipo ocorrido no globo terrestre e deram origem ao Planalto Meridional Brasileiro ou Serra Geral. Uma vez formado o planalto, por volta de 135 milhões de anos a África começou a se separar da América do Sul e em virtude disso surgiram às fendas que chamamos de cânions.
Com o passar do tempo a umidade vinda do litoral possibilitou o surgimento de vegetação que por sua vez começou a reter a umidade gerando chuvas que deram origem aos rios. Os rios deram sua contribuição na formação dos cânions, mas não foram os principais fatores da formação; os cânions são fruto da separação dos continentes.

Onde comer

A cidade tem algumas opções de restaurantes e lanchonetes bastante simples. Dos pratos destacam-se o Carreteiro de Charque, paçoca de pinhão, churrascos de gado, ovelha e porco, polenta etc.
Uma excelente opção é o Galpão Costaneiro que fica na Rua Dona Úrsula, 1069. Buffet self-service com churrasco ou sem, sobremesa, pratos quentes e frios em um ambiente rústico. Ainda mais interessantes são as mesas cheias de bilhetes e cartões deixados pelos visitantes.

Como chegar

Via terrestre, quem vem do Sul deve pegar a RS-020 passando por São Francisco de Paula e Tainhas, até chegar a Cambará do Sul. Quem está visitando Gramado e ou Canela também pode seguir até São Francisco de Paula (sem passar pelo centro da cidade), passar por Tainhas e chegar à Cambará.
Quem vem do Norte, pega a BR 101 até Torres (RS) e de lá, ainda na BR mais 45km até o município de Terra de Areia, onde se pega a RS-453 e depois a RS-020 que leva à Cambará.
De Torres a Cambará a estrada tem muitas curvas e não é aconselhável pegá-la com neblina.
Se você quiser pode fazer um caminho alternativo via Praia Grande (SC) que fica a 30Km de Torres. O caminho é por estrada de terra e é preciso subir a Serra do Faxinal até Cambará.

Para chegar aos parques

Não há transporte público coletivo de Cambará do Sul (RS) ou Praia Grande (SC) para os parques, portanto é preciso conseguir um meio de transporte nas cidades (taxi, agência, alugar etc).

Fotos:

Comentários do Facebook

comentários

1 Comment

1 Comment

  1. Pingback: Salto do Yucumã, um destino "Corra antes que acabe!" - Mochila Brasil

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

To Top

E aí, tudo bem? Bora logar!

ou

Entrar

Esqueceu a senha?

Ainda não tem uma conta? Cadastro

Fechar
de

Enviando Arquivo…