América do Sul

Bolívia: muitos países em um

Cordilheira dos Andes, o Lago Titicaca, a paisagem ímpar do Salar, lagoas de azuis e verdes profundos, ruínas de civilizações pré-colombianas, Amazônia, calor e neve, misticismo, ricas cultura e história não resumem o país que é um convite à aventura.

Bolívia, caminho para Machu Picchu?

Se você respondeu que sim, está redondamente enganado. Lindo, rico (cultural e historicamente) e um dos destinos mais baratos da América do Sul é destino obrigatório para qualquer mochileiro brasileiro.
Mas acredite, há algum tempo, muitos viajantes brasileiros “passavam” pela Bolívia rumo à Machu Picchu no Peru. Hoje isso mudou e pra ajudar você nessa mochilada, falamos um pouco sobre este interessante vizinho. Boa viagem!

O Trem da Morte: uma viagem à parte

A talvez, rota mais básica mochileira de viagem à Bolívia é via Puerto Quijarro, na divisa com Corumbá (MS), no Brasil. Do vilarejo boliviano partem os trens rumo à Santa Cruz de La Sierra, uma das principais cidades do país vizinho.
O trem em questão é o Expreso Oriental, ou o famoso Trem da Morte. O “marketing” é combatido pela empresa responsável com o slogan “Trem de vida”, em alusão ao programa social de orientação que desenvolvem para alertar para os riscos de acidentes com e no trem. Poderiam também utilizar o marketing com relação aos vários postos de trabalho formais e informais que o trem dá aos bolivianos.

Frisemos que este é um trajeto para quem optar visitar o país (ou um trecho dele) por terra. Para quem sai de São Paulo, por exemplo, a viagem já começa pela paisagem com muito verde e planícies ainda no Brasil.
Trocado o passo de Corumbá para a Bolívia, chega-se a um solo árido, de cambistas desesperados (com cara de boliviano e jeito de brasileiro) e nos vem a primeira impressão do país: tudo é negociável (fato reconfirmado várias vezes durante nossas duas viagens pelo país – uma de 20 dias e outra de “passagem”). Estamos em Arroyo Concepción, onde quem chega por Corumbá deve carimbar o passaporte dando entrada na Bolívia.
Vá com tudo nos conformes. Qualquer “falta de pingo no i” já é motivo para lhe arrancarem uns bolivianos ou reais. Nossa equipe (e mais um viajante brasileiro) estava com o comprovante nacional de vacina contra Febre amarela (papel branco) e embora a proteção seja a mesma, os hombres do turismo boliviano “sugeriram” que voltássemos à Corumbá para conseguirmos a carteira internacional (papel amarelo). Como incorruptíveis brasileiros, dissemos ok (que exemplo hein!)
Dez passos fora da sala do “bota defeito” vem o assistente pedindo US$ 10. Acabamos cumprindo a “diplomacia” e entramos na Bolívia por US$ 5 (cada). Resolvido o problema, seguimos em um táxi rumo à Puerto Quijarro (onde fica a estação de trem).

Não muito diferente que a periferia de São Paulo, o local ainda tem muito de Brasil: na TV, Rede Globo; o idioma, portunhol. A Bolívia só está na fisionomia das pessoas, nas salteñas e em outros pratos servidos nos bares simples da vila.
Na vontade de finalmente sentir-se na Bolívia, o primeiro passo é sair daquele lugar, buscando pela passagem de trem rumo à Santa Cruz de la Sierra.
Dependendo o horário de chegada, a estação pode estar bem lotada e logo alguém pode lhe oferecer uma passagem, por um valor algumas vezes maior que o valor da bilheteria. Reluta-se em pagar tal quantia, mas o local parece que já se organizou para fazer com que a compra no paralelo seja algo oficial. Há pessoas que trabalham com isso. Geralmente na bilheteria só há passagens para três dias a frente, logo, são três dias em um dos hotéis de Quijarro. Esse ciclo é o que parece mover a economia do lugarejo.
Um pouco apressados, pagamos por uma passagem para o dia seguinte à nossa chegada (claro, de segunda mão). Então lá se foi uma noite na vila, num calor de 40 graus. Para o jantar: arroz, metade de uma banana frita e carne (frango, milanesa ou chuleta) tudo regado a muito óleo. Resumidamente, um prato ruim para o organismo, bom para a fome e aceitável para os olhos!
Na manhã seguinte o déficit de atividades nos fez ir à Puerto Aguirre, a Zona Franca local. Há um shopping e um mercado que vende por atacado e varejo. O ar condicionado foi o melhor do passeio. O calor das 8h deveria estar por volta dos 45ºC. Detalhe, é possível chegar à pé no local (uns 5 minutos caminhando), mas se perguntar a algum morador, ele certamente irá lhe recomendar um táxi (deve ser para continuar o ciclo que movimenta a economia local).

Esqueça as lendas

Se estiver a fim de ser protagonista de um filme de suspense esqueça! O trem pode até surpreender, mas não assustar. São 18 horas de viagem em meio a áreas rurais da região. E em todo esse tempo ouvindo os vendedores em uníssono: “Limonada, limonada; café, café; soda, soda (refrigerantes); empanada, empanada…”, espetinhos de frango, carne, peixe frito e mais uma infinidade de produtos incluindo os pratos feitos (PF). A maioria dos produtos é caseira, incluindo as limonadas transportadas em baldes abertos e vendidas em sacos plásticos com canudo.

Além do comércio, o que pode surpreender alguns viajantes é o jeito dos bolivianos: incansáveis correm de vagão em vagão, sobem e descem nas paradas, gritam, se esbarram, quase sentam no seu colo… Outros fatos, são os homens da Polícia Nacional e/ou do Exército que circulam pelo trem e podem conferir sua passagem (sem problema se não estiver com seu nome) e a eventual falta de luz à noite (por isso não esqueça a lanterna e fique de olho na mochila).
Se quiser um pouco mais de sossego na viagem vá na categoria Super Pullman, onde não há acesso aos vendedores e os bancos são reclináveis (não se anime, não chegam a deitar). Se preferir economizar vá nos vagões das classes Pullman e Primera. Elas não têm muita diferença entre si. Na Pullman os bancos são para duas pessoas e em um ângulo de 90 graus. Já na Primera (a mais barata) os bancos também têm 90 graus podem ser para três pessoas e você corre o risco de viajar 18 horas de costas. Também há a opção extra, noturna que sai às 18:30h de Quijarro com apenas dois vagões, o Ferrobus.

Abaixo as tarifas e itinerários do trem:

 

Reprodução

 

 

Belas paisagens, um pouco do povo e ‘adrenalina’ nas viagens por terra

Todo trajeto dentro do país parece uma expedição Off-road e com uma dose maior de adrenalina: os ônibus velhos e pouco confortáveis passam por estradas beirando abismos, num espaço que parece ser estreito até para motos!
Calma, a paisagem é o remédio se o veículo quebrar (coisa bastante comum por lá) ou se alguém estiver horas e horas com o banco sobre suas pernas. Llamas, picos nevados, montanhas, planícies e vales, construções em pedra, formações rochosas das mais variadas formas e cores, Cactos, Ciprestes, Chorões, deserto de sal, minas de prata, flamingos…
No entanto o país, um dos mais pobres da América do Sul não é só beleza e viajando por terra você tem uma real noção disso. Nas cidades mais movimentadas como La Paz e Santa Cruz de la Sierra há muitas crianças e idosos pedindo esmolas, as ruas são verdadeiros camelódromos, e o trânsito é absurdamente desordenado (buzinar é a palavra de ordem).
A população, maioria pobre, corre de um lado a outro, carregando mil coisas do campo para a cidade e da cidade para o campo. As mulheres índias, conhecidas como “cholas”, sempre com suas “mochilas” nas costas (trouxas chamadas Auayu), tranças e chapéu parecem ser as que mais trabalham e através dos trajes e gestos representam bem a cultura local. Se vir um dourado na boca são os dentes de ouro sorrindo pra você, um chapéu quase sobre a testa, cuidado, é melhor evitar conversa.
Reserve um dinheirinho para fotos (os bolivianos, principalmente mulheres e crianças, cobram pelo “uso da imagem”), também seja esperto para tirá-las, eles são capazes de correr para fugir de um clique.
No http://www.boliviaentusmanos.com/terminal/index.php há informações sobre terminais de ônibus em La Paz, Sucre, Potosí e Cochabamba.

Santa Cruz de La Sierra um pedacinho da Amazônia

Ventos fortíssimos, calor, muito calor… movimento: essa é a primeira visão de Santa Cruz de la Sierra. A cidade é capital do departamento Santa Cruz, onde só 1/3 da região é montanhosa, o resto se estende sobre a planície amazônica.
As proximidades do terminal rodoviário de Santa Cruz de la Sierra são cheia de transeuntes, carros e camelôs; não tem muitos atrativos, mas dali partem ônibus para todos os lugares da Bolívia e até para o Brasil (São Paulo).
Nossa equipe apenas passou pela cidade, mas pode destacar Samaipata como o atrativo mais interessante da região (Departamento de Santa Cruz). Fo lá onde morreu Ernesto Che Guevara. O local de exuberante natureza tem um museu arqueológico e o turismo explora a “Ruta de Che” .
La Chiquitanía, nas províncias de Ñuflo de Chávez, Velasco y Chiquitos pode interessar àqueles que gostam de história do período das missões jesuíticas. Por lá há templos construídos pelos nativos. San Javier, Concepción, San Ignacio de Velasco, Santa Ana, San Miguel, San Rafael e o Templo do povoado de San José, construído totalmente em pedra são algumas das igrejas.

Hospedagem em Santa Cruz de La Sierra e em outras cidades
bolivianas você encontra aqui.

 

La Paz, pero no mucho

A maioria dos visitantes chega a La Paz (3600m de altitude) pela planície de El Alto, dela é possível avistar o profundo cânion que abriga a mais importante cidade boliviana e o nevado Illimani (6400m). A paisagem é fascinante. Parece que chegamos a uma cratera lunar habitada por terráqueos e arquitetos “doidos” (tudo é meio rústico e apinhado).
Paz? Nem tanto! Agora é que dá pra sentir o soroche (mal da altitude) e o trânsito local é bastante confuso e como em toda “cidade grande” há pedintes e correria por todos os lados.
A cidade tem atrações para todos os gostos, de artigos esotéricos a museus, passando por pista de ski e locais para escalada. Para o pessoal atento à arquitetura, há grandes prédios antigos como os palácios do governo e do legislativo e a igreja de São Francisco construída no século XVII a mando dos espanhóis. Já em El Prado (avenidas 16 de julio e 6 de agosto) encontram-se construções modernas.
La Paz conta com pelo menos 11 museus:
Museu de instrumentos musicales – Abriga instrumentos musicais antigos e atuais do folclore boliviano. Fica na rua Jaen e Indaburo.
Museu Nacional de Arqueologia– Abriga relíquias arqueológicas de civilizações pré-colombianas. Fica na rua Tiahuanaco, 93 (El Prado).
Museu Nacional de Arte– Há mostras de arte colonial, moderna e contemporânea. Fica nas ruas Comercio e Socabaya, em um antigo palácio de 1775.
Museu de Etnografía e Folklore– Exibe símbolos de grupos étnicos como os Chipayas e Ayoreos. Está instalado na antiga casa de um marquês (de Villaverde) e fica nas ruas Ingavi e Genaro Sanjinez. O prédio data de 1790.
Museu de la Coca– Traz informações sobre a folha de coca, seus usos atuais e o milenar costume de mascá-la. Fica na rua Linares, 906.
Museu Costumbrista– Ilustra os costumes locais. Fica na rua Jaen (uma viela colonial restaurada) juntamente com os Museus Litoral (exibe documentos e relíquias referentes a perda do mar boliviano), do Oro (apresenta valiosas peças pré-colombianas) e o Casa de Murillo (com exemplares de máscaras folclóricas).
Museu Tambo Quirquincho– Está instalado na casa do cacique Kirkincha, um nativo, autoridade no período colonial. Há artesanato, objetos em prata, máscaras etc. Fica nas ruas Evaristo Valle e Plaza Alonso de Mendoza.

Paisagem ‘lunar’ a 30 minutos de La Paz no Valle de la luna

A 30 minutos de La Paz, rumo a Mallasa, há uma bela paisagem com grandes formações rochosas, o Valle de la luna (Vale da Lua), um sítio arqueológico cujo solo lembra a superfície da Lua. No caminho se vê El Peñon e outras rochas “frequentadas” por escaladores nos finais de semana.
Para chegar ao local pegue o ônibus 11, 231 ou 273 à Mallasa, na rua México, na Plaza de los estudiantes, em La Paz ou contrate uma agência local.

Chacaltaya abrigava a mais alta estação de esqui do mundo, mas ainda proporciona bela vista

A cerca de duas horas de La Paz, está o nevado Chacaltaya, um dos picos da Cordilheira dos Andes. Ali estava a mais alta pista de esqui do mundo (5500m) e de acordo com alguns viajantes do Mochileiros.com ela está desativada devido a pouca neve que nele se forma.
Você pode obter mais informações sobre aqui no http://www.mochileiros.com/chacaltaya-perguntas-e-respostas-t28117-105.html
De qualquer forma a subida ao Chacaltaya (cerca de 1 hora na altitude) vale pela vista.
Detalhe de muito fundo de belas fotos de La Paz é o vulcão extinto, Illimani (6.462m de altitude, a maior da Cordilheira Real), tratado como nevado Illimani, visto de diversos pontos da cidade.

Mercado de Los Brujos ainda é atração

Bastante conhecido dos viajantes o mercado de Los Brujos ainda desperta a curiosidade de muitos. Além dos itens “exóticos” (e esotéricos), ali pode ser uma boa oportunidade para observar um pouco da cultura local.
Pequenas peças em pedra representando a Pachamama (Madre Tierra ou Mãe Terra – se quiser adquirir uma é melhor fazê-lo em Tiahuanaco), ervas medicinais, amuletos, afrodisíacos, fetos de llama e mil e um outros apetrechos fazem parte do mercado que está na Calle Jimenez.

Onde se hospedar em La Paz

Os preços dos hotéis em La Paz variam muito conforme sua localização e “constelação”, mas geralmente são muuuuito baratos se compararmos aos preços praticados pela hotelaria brasileira.
Da Zona do Cemitério (área nada nobre em La Paz) partem vários ônibus para Tiquina, Copacabana, Tiahuanaco etc, por isso e pelo fator economia optamos por nos hospedar nessa área.
Apesar de não ter ocorrido nada conosco, nos alertaram sobre o perigo no bairro. As ruas são cheias de bancas vendendo todo tipo de alimento, flores, folhas de coca etc.

Hospedagem em La Paz e outras cidades bolivianas aqui.

Tiahuanaco abriga ruínas da mais antiga civilização pré-colombiana

Longe de ser uma aventura, Tiahuanaco atrai mochileiros de várias partes do mundo, por abrigar ruínas da mais antiga civilização pré-colombiana, a Tiahuanacota (1580 a.C 1172 d.C).

O centro da localidade tem alguns alojamentos/restaurantes, pequenas mercearias, uma praça e uma igreja. O templo foi construído pelos espanhóis (1580) com materiais provenientes da destruição das obras incas. Hoje, o símbolo do domínio espanhol está abandonado.
Caminhando, a uns 15 minutos do povoado, está o sítio arqueológico (ruínas e um pequeno museu). A visitação pode ser feita das 9h às 17h.

Monumentos

Talvez o mais significativo seja o portal de pedra conhecido como La Puerta del Sol, nome dado por arqueólogos que viram na imagem central do monumento, um sol, a divindade mais importante entre os Incas; mesmo com a cultura Tiahuanacota sendo anterior a dos Incas e “formalmente” não tendo o sol como deus principal.
De acordo com uma artesã local, a fachada da “Porta do Sol” é composta pelas figuras do Guerreiro (homem de máscara), do deus Sol e do Mensageiro (homem com máscara de condor).
A porta recebe várias interpretações, mas a mais aceita é de que se tratava de um calendário agrícola. A figura do sol ou “Viracocha” ou “El dios de los báculos” também está em outros objetos como monolitos, objetos feitos com ossos, tecidos, tábuas de madeira, pedras de oferendas entre outros.
A maior escultura Tiahuanacota encontrada até o momento, mede 7,30 m e ficou em La Paz, no bairro de Miraflores, em frente ao estádio Hernando Siles, juntamente com 50 outras esculturas originais da cultura de Tiahuanaco, fazendo do local um museu ao ar livre por um tempo até retornar à Tiahuanaco, como medida de preservação. O monolito Bennett tem esse nome desde 1932, quando o arqueólogo Wendell C. Bennett fez algumas escavações em um pavilhão semi-subterrâneo de Tiahuanaco e encontrou várias peças de grande valor histórico.
O pavilhão foi escavado em 1960 e restaurado quatro anos mais tarde. As paredes internas do local têm figuras de cabeças humanas talhadas em pedra, representando provavelmente as “Cabezas trofeo”; cabeças cortadas dos inimigos e levadas ao templo como troféus. Já um aymará, morador da cidade e uma espécie de vigia da área, Roberto Chiquita, disse que as cabeças representam os diferentes idiomas, raças e animais conhecidos pelos Tiahuanacotas.
Outro ponto que merece destaque é o Palácio de Kalasasaya, obra feita em pedra em quase dois hectares. Por ser um edifício com orientação astronômica exata, em todos os 21 de março e 23 de setembro (equinócios) os primeiros raios do sol transpõem a porta de entrada passando pelo meio com precisão assombrosa.
No centro do pátio do palácio há o chamado monolito Ponce; nome de outro arqueólogo que trabalhou no local, Carlos Ponce. Outros monumentos da área são o Kantatallita (vestígos de um templo subterrâneo com iconografias), o Putuni (edifício conhecido como Palácio dos Sarcófagos), Keri Kala, Puerta de la Luna, Akapana (pirâmide soterrada) e o Puma Punku.
De acordo com o livro “Tercer Milenio, Pueblos del Passado”, de Carmelo Corzón, por volta de 1100 a.C, Tiahuanaco tinha 60 mil habitantes e cerca de 21 mil casas. Não tivemos acesso aos números de hoje.

Copacabana, Titicaca e ilhas

Copacabana, às margens do Lago Titicaca, é um centro de peregrinações desde os tempos pré-colombianos. O local foi fundado por Incas, mas existem vestígios de culturas mais antigas, como a Tiahuanacota. Já a colonização espanhola se deu por volta de 1645.

Das atrações “pós Colombo” destaca-se o Calvário (que permite vistas espetaculares do Titicaca e da cidade) e a Catedral Virgen de la Candelária. Das “pré Colombo”, sobressaem-se interessantes sítios arqueológicos como o Intikala (Tribunal del Inca), Horca del Inca e Kusijata (Baño del Inca).
Horca del Inca (Forca do Inca) por exemplo, “é um complexo observatório astronômico de grande valor para a agricultura”, explicou Enrique Vargas Aguilar, médico e mestre em filosofia e ciência política, morador de La Paz que visitava o local. “O nome Forca do Inca, foi dado pelos espanhóis no intuito de fazer com que tivessem a imagem deturpada de que os Incas enforcavam seus súditos”, acrescentou.

Lago Titicaca e ilhas

Considerado o lago navegável mais alto do mundo (3810m), o Lago Titicaca é um dos pontos mais bonitos do país e ao seu redor se assentaram as mais importantes culturas pré-colombianas. O estreito de Tiquina (que é atravessado em lancha) divide o lago em Lago Maior ou Chucuito, ao norte e Lago Menor ou Huiãnay Marka, ao sul; locais onde estão as ilhas do salgado, sagrado, imenso e profundamente azul Titicaca.
No Lago Menor estão as ilhas Suriqui (há construções indígenas e embarcações de papiro) e Kala Uta (há várias casas e torres funerárias de pedra – Chullpares – atribuídas à cultura Aymará). Para chegar aos locais é preciso pegar uma lancha em Huatajata.
No Lago Maior estão as ilhas do Sol e da Lua, a primeira muito visitada pelos mochileiros. O acesso a ambas é feito em lanchas que saem de Copacabana. É preciso estar atento aos horários (8h e 13:30h), se não, só pagando por um passeio privado.
Do lago, rumo à Ilha do sol, já é possível avistar o Palácio dos Incas (construções em pedra), um dos oito sítios arqueológicos da ilha. O cenário é enigmático, de ocres muito intensas, das roupas dos nativos, do verde da ilha, de suas flores, do intenso azul do céu e do lago…
Escadarias de pedras, a Fonte Sagrada dos Incas, trilhas leves, a montanha cheia de plantações e um perfume único, crianças levando llamas e alpacas para um passeio, crianças correndo em sua direção para vender-lhe um artesanato… realmente um lugar especial.
Mas nem tudo é tão de outro mundo! Tirou fotos? No mínimo um boliviano (aceitam dólares também, real aqui não quer dizer nada além de realidade) ou um presentinho. Há pequenos bares onde servem refeições, lanches e bebidas, hotéis, um muito modesto museu e uma escola.
De acordo com Porfírio Quispe, quem nos apresentou o pequeno museu, o formato do lago Titicaca lembra um Puma: “Titi, gato montês (já extinto); Caca, rocas (rochas)”, comentou. Ele também nos explicou o significado das três saídas de água (cristalina) da Fonte Sagrada dos Incas (e dos Tiahuanacotas, segundo ele): “Ama sua, ama llulla, ama kella”, algo do tipo “Não minta, não roube, não seja frouxo”! Os dizeres são estampados em fitas vendidas na ilha.
Quispe (homem que mexe com quartzos obtendo a energia do sol, em aymará) informou que no alto da ilha, numa cruz com várias pedras empilhadas está o centro energético local. Se trás algo positivo ou não, não deu para saber, mas a visão deste ponto é magnífica! Colocamos até uma pedrinha junto das demais pra garantir boas energias.
Ainda na Ilha do sol, há o Museu Subterrâneo de Ekako (200 metros quadrados abrigam a maior coleção de objetos arqueológicos e antropológicos da ilha) e as Terrazas de Pachamama (terraços incas com mais de 200 espécies de ervas medicinais e produtos agrícolas andinos). Estudiosos acreditam que o museu subterrâneo foi formado pelos espanhóis quando jogaram os símbolos incas no lago para substituí-los por peças espanholas, sobretudo católicas.
A ilha tem bastante representatividade entre místicos esotéricos. De acordo com Enrique Vargas, a ilha e Copacabana são consideradas dois dos mais importantes centros energéticos do continente americano.

Hospedagem em Copacabana e outras cidades bolivianas aqui.

Potosí: a cidade mais alta do mundo

Na chegada ao terminal rodoviário da cidade mais alta do mundo a impressão não foi das melhores por conta dos bolivianos do “tipo esperto ou malandrão”, que vimos por ali e com os quais até então, mesmo em La Paz ou Santa Cruz de La Sierra, não tínhamos nos deparado. Além disso, sentimos bem a escassez do ar.

Chegamos à praça principal da cidade, onde nossa opinião começou a mudar. O local tranquilo e limpo abriga uma grande quantidade de monumentos coloniais, incluindo igrejas do século XIX e vários museus. Dentre eles, merece destaque a Casa de la Moneda (Casa da moeda), considerado um dos museus mais interessantes da América do Sul, o local foi fundado em 1572 está muito bem conservado assim como o que exibe: arquivos coloniais, pinturas religiosas, máquinas de madeira usadas para cunhar as primeiras moedas bolivianas etc.
Se quiser uma experiência mais emocionante, pode visitar algumas das minas de prata da cidade, onde será possível observar diferentes galerias e pátios onde trabalharam os primeiros escravos quechuas e onde ainda hoje alguns homens trabalham manualmente como na época colonial (1545). Além de vivenciar os costumes e superstições dos mineradores como por exemplo observar e oferecer bebida, coca e cigarros à estátua do “Tio” (diablo, diabo), que para eles, é o dono da prata e quem lhes dá proteção no difícil e perigoso trabalho. O acesso às minas só é possível com uma operadora de turismo local (há várias perto da Plaza 10 de Noviembre). O roteiro básico inclui percorrer 2 quilômetros no interior da jazida e descer quatro níveis de 30 a 40 m de altura. O tour dura de quatro a cinco horas. Vá com sua pior roupa e leve alguns agrados aos mineradores como cigarros e folhas de coca.
Além da aventura nas minas, é possível caminhar até os lagos (artificiais) da Cordilheira de Kari Kari (4800 m de altura). O trekking na região montanhosa pode durar de um a dois dias. Também há opções mais “tranquilas” como à Laguna del Inca (Tarapaya) e banhos termais, em águas minerais que brotam da terra a uma temperatura que chega até 75 graus.
Se não quiser contratar uma agência, para chegar a Kari Kari tome um táxi até a igreja San Martin, mais a frente há um desvio que leva até o local. Para a Laguna del Inca tome um microônibus para Tarapaya no mercado Chuquimia. Para chegar à lagoa, desça do ônibus na ponte e suba durante cerca de 20 minutos pelo caminho orientando-se pelo sulco deixado pela água. Há outros locais para banhos termais a 20Km e 45Km do centro da cidade, Don Diego e Chaqui, respectivamente. A 40Km há outro local interessante, Betanzos, onde encontrará pinturas rupestres e a feira dos camponeses aos domingos.
Depois disso, dá pra entender o ditado boliviano para algo muito valioso, “Vale um Potosí”.
A cidade foi declarada Patrimônio Natural e Cultural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

Hospedagem em Potosí e outras cidades bolivianas aqui.

Uyuni: cidade oásis e base para os cartões postais do país

Depois de sete horas de viagem de Potosí a Uyuni é possível descobrir paisagens inigualáveis: pedras das mais variadas formas, cores, tamanhos e posições, animais como a llama, alpaca e até flamingos rosas, cactos, ciprestes, chorões, vários tons de verde, montanhas marrons, roxas, negras, caminhos tortuosos, rios secos (apesar da época de chuvas). Uma paisagem surreal!

O ônibus solitário e a natureza. Uyuni? Disseram que em quatro horas chegaríamos. Naquele cenário parecia impossível haver pessoas, quem dirá uma cidade! Muita beleza, lama, passagens estreitas, abismos, curvas, deslizamentos, voltas, subidas e descidas. Três horas depois do previsto… Uyuni!
A primeira impressão ao longe é que a idade realmente não existe. A olhos não tão míopes, a cidade seria uma faixa cinza no meio do nada. O local só não tem ares de cidade fantasma por conta dos muitos estrangeiros circulando e dos off-road das operadoras de turismo, é mais limpa que as demais cidades visitadas por nós (sinal de que não tem ninguém, pensei – Bem, não havia mal educados, só isso, ainda que não houvesse realmente muita gente na rua).
Uyuni na verdade acabou se transformando em cidade de apoio para quem quer visitar o Salar de Uyuni (abundantes formações de sal e calcário, vestígios deixados ao evaporar-se um gigantesco e antigo mar interior que ocupou grande parte do Altiplano no passado geológico da região), a Isla del pescado (conhecida por seus cactos gigantes) e a região chamada Sud Lípez (que inclui gêiseres, vulcão, e as lindas Lagunas Verde e Colorada, cartões postais bolivianos).
A cidade também tem um museu de trens e um de arqueologia. (Que a meu ver, não valem a visita, a não ser que você seja um aficionado por trens pra visitar).

Salar e Sud Lípez

Salar de Uyuni é o mais extenso do mundo: um enorme e lindo lago de sal a 3660m de altitude. A imensidão salgada só é interrompida por algumas poças d’água e pequenas ilhas. A mais conhecida é a do Pescado. Pelo salar é possível ver alguns montes de sal que formam pirâmides. Lá também existe um hotel construído totalmente em sal, incluindo os móveis.

Afastada, ao sul do salar, está uma das mais impressionantes paisagens. A região de Sud Lípez que abriga rica fauna e lagos de cores profundas. Na Reserva Eduardo Avaroa (parque nacional) fica a Laguna Colorada, cuja cor se deve às algas que nele crescem. Os flamingos que ali vivem completam a beleza do local. Depois de passar pelo Salar de Challviri, perto da fronteira com o Chile, chega-se à Laguna Verde (esmeralda). Atrás do lago está o vulcão Lincancabur (5930m), imagens que você jamais esquecerá.
É possível visitar os locais por conta própria (sem uma agência local), porém é necessário ter um veículo 4X4, dirigir muito bem nos piores terrenos e contratar um guia que conheça muito bem a região. O que obviamente não compensa o risco.
Uyuni tem muitas operadoras e as opções de roteiros são basicamente: Salar, Salar+Isla del pescado ou Salar+Isla del pescado+Laguna Colorada+Laguna Verde. Os passeios duram de 1 a 4 dias e incluem veículo 4×4, guia/motorista, alimentação e alojamento.
Dali, com as próprias operadoras, também é possível conhecer San Pedro de Atacama, no Chile. (Se quiser ir até o deserto chileno, não se esqueça de carimbar no passaporte, a saída da Bolívia em Uyuni).
Atenção: De dezembro a março (época de chuvas) a inundação do Salar e os péssimos caminhos dificultam a viagem.

Hospedagem em La Paz e outras cidades bolivianas aqui.

Sucre: uma das capitais da Bolívia

Fundada em 1538 com o nome de Vila da Prata, Sucre ou a “Cidade Branca”, como também é conhecida é Patrimônio Cultural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). O local é indicado para quem gosta de um roteiro bem histórico-cultural. Em Sucre há vários museus, igrejas e praças, alguns, marcos da história do país.

Merecem destaque: o Mercado Central, com produtos de todos os gêneros, de sobremesas coloridas a cabritos em pêlo e com o pescoço cortado.
Museu Casa de la libertad (um dos monumentos mais importantes da Bolívia. Na casa foi  assinada a constituição do país pelo venezuelano Simón Bolívar). Abriga relíquias históricas e fica na Plaza 25 de mayo.
Na mesma praça estão os Museus de História Natural (minerais, fósseis etc), a Catedral Metropolitana (arte sacra, um dos mais importantes do país) e a Igreja de San Francisco, que conserva a histórica “Campana de la libertad” (Sino da liberdade) que chamou à revolução de 25 de maio de 1809.
Há também os Conventos de la Ricoleta e de Santa Clara e o Castelo de la Glorieta, que pertenceu à família espanhola Argandoña (hoje é um colégio militar). Os atrativos são a arquitetura e o salão de quadros.
Um pouco mais afastado da cidade há outros pontos interessantes como o Cal Orcko – maior área com vestígios de dinossauros que se conhece na América do sul. Há muitas pegadas procedentes de espécies de 65 a 85 milhões de anos atrás. As marcas estão conservadas em um canteiro da fábrica de cimento, Fancesa. É possível chegar perto do local em táxi ou microônibus (Que saem da avenida Siles, atrás do mercado central), depois caminhe cerca de 30 minutos na estrada para Cochabamba até a fábrica.
A região conta ainda com os seguintes atrativos (as distâncias em quilômetros apresentadas abaixo são com relação ao centro de Sucre):
Las siete cascadas (8Km) – cascatas de água cristalina;
Potolo (60Km) – onde há os famosos tecidos Jalq’a;
Quila Quila (40Km) – terraços pré-colombianos;
Humaca (60 Km) – vestígios de dinossauros;
Maragua (48 Km) – zona de interesse geológico;
Chataquila (30 Km) – pinturas rupestres e caminho pré-colombiano;
Talula (50Km) – banhos termais no rio Pelcomayo;
Patatoloyo (25 Km) mais 8 Km de caminhada – Capilla Sixtina de arte rupestre;
Povoado de Tarabuco (60Km) – aos domingos realizam feiras tradicionais onde vendem vários tipos de artesanato incluindo roupas.
Sucre é a capital constitucional/legal da Bolívia embora La Paz seja sede do governo boliviano desde 1898.

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Bolívia e um ilustre argentino: Che Guevara

A figura mais importante do país não é boliviana, mas está por todas as partes, em camisetas, bandeiras, pôsteres e em grafites (até em Tiahuanaco): Ernesto Che Guevara, um argentino, ícone da revolução cubana.

O solo que recebeu os pés de Che na América do Sul está na região de Vallegrande. Foram 11 os meses de luta de 38 combatentes contra todo o Exército boliviano apoiado pela CIA, para chegar ao fim da pretensa revolução na América Latina.
Guevara foi preso e assassinado no povoado de La higuera, em 8 de outubro de 1967. Mais vivo do que há 35 anos, o guerrilheiro é responsável pela existência da região que é a “Meca” de cientistas, arqueólogos, antropólogos, historiadores e claro, mochileiros. O turismo local explora a “Ruta de Che” (“Rota de Che”).
Antes da empreitada do mitológico Che, a Bolívia já contava com o MNR (Movimento Nacional Revolucionário – 1951), que acaba em 1964, sendo implantado o Regime Ditatorial. Em 1982 surge o MIR (Movimento da Esquerda Revolucionária). Um ano depois há a abertura política do país, cuja economia gira em torno da agricultura, petróleo, mineração e gás natural e plantação da coca.

Hospedagem em Samaipata e outras cidades bolivianas aqui.

Nós infelizmente não fizemos a “Ruta de Che”, mas você encontra informações de outros viajantes que já fizeram, clicando aqui.

 

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14 Comments

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  1. Ana Claudia

    18 de novembro de 2015 at 10:08

    Estou me informando sobre viajar para Bolívia agora no final do ano de 2015. Tens informações a respeito de como estão os custos de viajar para lá com dólar alto e real em baixa? me informei com um mochileiro, que falou estar caro e ser melhor neste momento o Peru. Procede?

  2. Claudia

    15 de março de 2015 at 20:10

    Adorei, nos ajudou muito e me deixou ansiosa para conhecer

  3. Pingback: 12 dias na Bolívia (via Campo Grande/MS) – Jan/2014 | nathaly fogaça

  4. Gustavo Torres

    1 de julho de 2013 at 12:35

    Muito legal, parabéns! Fiz alguns relatos sobre a Bolivia no meu blog, caso tenha interesse: http://daportaprafora.com ou minha pagina http://facebook.com/portaprafora
    Abraços!

  5. Pingback: As cidades perdidas (e descobertas) da América do Sul - Mochila Brasil

  6. Pingback: Bolívia é o país que pior recebe turistas no mundo, diz pesquisa - Mochila Brasil

  7. Pingback: 80% dos turistas na Bolívia são mochileiros - Mochila Brasil

  8. Mauro Sergio Guimaraes

    25 de janeiro de 2013 at 11:51

    Boa tarde!
    2 perguntas básicas?
    Vale a pena ir pelo Trem da Morte ou é só marketing?

    Quantos dias é o ideal para conhecer o essencial da Bolivia?

    E parabéns pelo site, muito bom!

    Obrigado!!

    • Claudia Severo

      Claudia Severo

      6 de fevereiro de 2013 at 0:46

      Oi Mauro! Que bom que tenha gostado do site e obrigada por participar.
      Bem, vale a pena ir via Trem da Morte pela curiosidade. Vai depender também do tempo que você tem disponível para a viagem.
      Há um relato bastante interessante sobre a Bolívia, recém postado no Mochileiros.com que fala que a estrada que liga Puerto Quijarro à Santa Cruz de La Sierra já está pronta, então o ônibus agora é uma opção. Vale uma lida no http://www.mochileiros.com/bolivia-guia-politicamente-incorreto-t78236.html (o relato tem boas dicas, numa linguagem bastante agradável e bem humorada).
      Bem, o número de dias também vai depender das formas que vai escolher se deslocar (ônibus, avião, van…) e do seu estilo de viajar (gosta de parar uns dias e ficar curtindo o lugar, noite, dia etc), mas acredito que com 15 dias você já consegue conhecer o essencial do país.
      Abraço e uma ótima viagem!

  9. michel abite

    1 de dezembro de 2012 at 10:46

    Bom dia. achei muuuito interessante as reportagens sobre machu picho e bolivia porem nao consigo abrir todo o texto, só fica meia pagina a outra parte esta coberta por propagandas. caso possivel encaminhar agradeço muito.
    MICHEL

    • Claudia Severo

      Claudia Severo

      3 de dezembro de 2012 at 19:56

      Oi Michel!
      Obrigada por deixar seu comentário.
      Abri as páginas nos navegadores Google Chrome, Mozilla Firefox e no Internet Explorer e consigo visualizar textos e imagens normalmente. Que navegador você utiliza e qual a configuração do seu monitor?
      Abraço

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