América do Sul

Cabo Polonio – Uruguai

Você já assistiu “A Praia”? Aquele filme com o Leonardo DiCaprio interpretando um mochileiro num paraíso escondido na Tailândia? Pois, eu nunca pensei que pudesse chegar a um lugar, tão pertinho de nós, que pudesse lembrar algo daquele filme.
Esse lugar existe e se chama Cabo Polonio! Ok, não havia uma comunidade mochileira ‘fundamentalista radical’, nem a paisagem lembra a tailandesa, nem 100% das pessoas que estavam ali eram mochileiras (98% era), tampouco o acesso ao local é tão difícil, mas a atmosfera festiva, na praia, em plena tarde de um dia de semana, com todos completamente integrados lembrou muito as cenas (meio utópicas) do filme.

Todos dançam numa festa improvisada na praia | Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

Todos dançam numa festa improvisada na praia | Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

O acesso ao povoado, que está dentro de um Parque Nacional (Parque Nacional do Cabo Polonio) só é feito através das dunas que o cercam. É possível chegar até lá cruzando um trecho de 8Km de dunas móveis, algumas com até 30m de altura, caminhando. É o chamado circuito Valizas-Cabo Polonio e para fazê-lo é preciso ter bom preparo físico e escolher um bom horário para completar a pequena jornada que começa nas areias do balneário de Valizas, sentido sul.
Nós escolhemos a forma que 99,9% dos viajantes elege para chegar ao povoado: via ‘porta’. A porta é a entrada do parque nacional, no KM 264,5 da Ruta 10. Ali, os viajantes chegam de carro, moto, bicicleta, carona ou ônibus para tomar os carros adaptados à areia, caminhões 4×4 que cruzam por cerca de 20 minutos a bela paisagem de areia e pinheiros até chegar ao cabo.
Se você tiver de veículo próprio o estacionamento custa: 150 pesos (de 1 a 6 horas), 180 pesos (de 6 a 12 horas) e 220 pesos a diária (24 horas).
O transporte ida e volta custa 170 pesos uruguaios por pessoa (perto de R$ 17). Na alta temporada parte de hora em hora, tanto para ir quanto para voltar (guarde o seu ticket, você precisará dele para voltar num dos caminhões).

Caminhões 4x4 transportam os visitantes da entrada do parque até o vilarejo | Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

Caminhões 4×4 transportam os visitantes da entrada do parque até o vilarejo | Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

Chegando lá, um grupo de músicos levava todos a dançar na praia. Os mais tímidos no mínimo assistiam ao espetáculo de felicidade com um sorriso no rosto. Talvez tenhamos dado sorte, mas aquela primeira impressão foi especial e inesquecível.
No povoado não há energia elétrica e passar ao menos uma noite ali é obrigação de todo viajante. A noite estrelada e gente de todas as partes do mundo ali, praticamente confraternizando (sem falar na festa-bagunça que é feita nos hostels), é uma experiência legal para qualquer um.

Então… onde ficar?

Hostel é a hospedagem mais comum do local. Todos lotados! O Hostel “Lo de Marcelo” o mais próximo do desembarque do caminhão tinha somente uma vaga, a 400 pesos por pessoa (perguntei quanto seria o quarto de casal se tivesse vaga: 1200 pesos). Como estávamos em dois, fomos procurar outro lugar pra ficar. Tudo lotado! Não ficar ali nenhuma noitezinha seria frustrante e então… remaneja orçamento daqui, remaneja orçamento dali, cata moedinha daqui, um realzinho perdido de lá e acabamos ficando no ‘La perla del Cabo – hosteria y restaurant‘. O hotel que propaga que começou ali com uma casinha de madeira é hoje um dos mais estruturados do povoado (talvez o maior), todos os quartos têm banheiro privativo e o café da manhã é bem completo.
No restaurante, comida boa a preço justo. Boa cerveja a um preço ótimo! Litro de Heinekken, 9 pesos (perto de R$ 9 – tem lugar no Brasil, cujo acesso é super fácil, com energia elétrica e mil e uma facilidades que cobra R$ 7 numa long neck!)
Como os preços variam muito de temporada alta, para temporada baixa, você pode consultar o La Perla ou outras opções de hospedagem aqui (neste link há apenas dois hostels no vilarejo e algumas outras opções nas proximidades).

A praia

Bem, ali não é daqueles lugares pra ficar estatelado ao sol tomando uma cerveja na cadeira de praia (embora você possa fazê-lo, já que há gosto pra tudo – risos), então bora caminhar pela vila.

Apesar de a vila não ser muito grande, é cheia de cantinhos especiais | Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

Apesar de a vila não ser muito grande, é cheia de cantinhos especiais | Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

Além da natureza, as casas típicas de arquitetura irregular entre ruas de areia e pequenos pastos e o imponente farol (de 1881) completam o cenário paradisíaco; sem falar nos Lobos-marinhos que vivem no cabo – ver e ouvir aquelas vidas ali, soberanas, intocadas, chega a emocionar. Ali está uma das maiores concentrações desses animais do mundo!
Embora dentro de alguns minutinhos de caminhada você já possa ver os bichinhos, existe também a possibilidade de visitar em um bote, uma colônia de Lobos Marinhos partindo da Praia Norte. É que em frente a Cabo Polonio há um grupo de 3 ilhas que podem ser visitadas: La Encantada, Roquedal (ou “Cafundú”), Rasa (residência de lobos marinhos e refúgio de gaivotas).
Para mais informações sobre passeios de barco para as ilhas, segue o telefone da ‘Poseidón – Avistamiento de Fauna Marina’: 099969554.
A área do Parque Nacional tem mais de 200 espécies de plantas e 300 de animais.
Não deixe de subir no farol (20 pesos por pessoa) que fica aberto até às 20:30h na alta temporada. Se escolher o horário do pôr-do-sol não vai se arrepender. A vista que é magnífica, fica ainda melhor! Dali dá pra se localizar direitinho (o farol fica entre as praias Norte e Sul do Cabo).
Há alguns passeios guiados no Parque Nacional. O circuito 1 por exemplo, dura aproximadamente 1h30m; já o 4 leva cerca de 6h de caminhada. Mais informações através do e-mail info@turismorocha.gub.uy ou dos telefones 095 643217 e 095 643724.
O terminal de 4×4, na “porta” do Parque Nacional funciona diariamente das 09h às 19h. Celular: 099 094617.

Ah, você deve ter ficado curioso com a nossa matemática e se perguntando: “e os outros 2% das pessoas que estavam lá?” Bem, eram famílias uruguaias curtindo um dos mais belos e bem preservados destinos turísticos do seu país.

Na vila há poucos moradores e no inverno muitos deles não permanecem ali | Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

Na vila há poucos moradores e no inverno muitos deles não permanecem ali | Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

Como chegar?

De ônibus a partir de Montevidéu – do Terminal Tres Cruces na capital uruguaia partem ônibus para Valizas os quais param na entrada do Parque Nacional (onde estão os veículos 4×4 que seguem para o povoado). Confirme esta informação antes de comprar sua passagem. Atente para as empresas Rutas del Sol, COT e CYNSA que operam em vários destinos de Rocha (até a capital do departamento Rocha, também Rocha, as viagens de Montevidéu costumam durar aproximadamente 3 horas).
No http://turismorocha.gub.uy/images/noticias/HORARIOS%20OMNIBUS%20VERANO.xls há uma planilha do Departamento de Turismo de Rocha com os horários de ônibus da região.
De veículo próprio a partir de Montevidéu – siga pela Ruta 1, sentido Rocha (Estado onde está o Parque Nacional). Dali você deverá pegar a Ruta 9 (no KM 209 desta estrada se encontra a entrada para La Paloma) entrado à direita pela Ruta 15, continuando até uma bifurcação com a Ruta 10, pegue à esquerda até o KM 264,5 onde está o estacionamento do Parque Nacional, onde você deixará seu veículo para tomar os 4×4.
De ônibus a partir do Brasil – Uma das opções até Montevidéu partindo das capitais da região Sul e de São Paulo é a empresa TTL Turismo (horários e preços no http://www.ttlturismo.com/horarios.html ).
De avião a partir do Brasil – Há voos do Brasil para Montevidéu e também para Punta del Este. Ambas cidades têm ônibus para os destinos de Rocha e outros pontos do Uruguai.

Nosso trajeto

Para chegar ao Cabo Polonio, fizemos o caminho de carro a partir de Montevidéu.
No meio da rota, em algum ponto (some-se a isso o cansaço) ela tornou-se um pouco confusa. Paramos 2 vezes para pedir informações (em um ponto inclusive havia obras, que pareciam estar perto do fim). Era noite e acabamos dormindo no Camping Funcionarios Municipales y M.T.O.P em La Paloma (300 pesos uruguaios/duas pessoas).
Por ali há hotéis e hostels que, além de caros, estavam lotados. Há também muitos campings, todos bastante grandes.
A região (e todo departamento de Rocha) é uma das mais frequentadas do litoral uruguaio.
Pela manhã deixamos para trás o Parque Nacional Cabo Polonio e seguimos para o Parque Nacional de Santa Teresa.

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comentários

22 Comments

22 Comments

  1. Pingback: 10 razones por las que deberías visitar Uruguay apenas puedas | La Ciudad - El Diario Digital de la Ciudad de Goya -

    • Priscilla

      12 de agosto de 2015 at 14:23

      Tiago, você reservou ou achou vaga na hora? Lembra o nome do hostel? Pretendo ir em Setembro, acho que estará ainda mais deserto… Tudo estava funcionando?

  2. Daniel Garcia

    29 de novembro de 2013 at 0:08

    Alguem sabe se o dinheiro brasileiro é aceito para pagar os veículos 4×4 e os restaurantes lá ou seria melhor trocar por pesos uruguaios?

    • Claudia Severo

      Claudia Severo

      29 de novembro de 2013 at 18:34

      Oi Daniel! Quando fomos pra lá (final do ano passado), aceitaram Reais sim, mas sugiro que leve pesos uruguaios, para no caso de terem mudado a política com relação à aceitação de nossa moeda.

  3. Adriana

    31 de maio de 2013 at 11:01

    Tem um site que dá informacoes sobre Cabo Polonio e dicas de outrsa praias em Rocha:

    http://www.brasileirosnouruguai.com.br/busca/rocha/praias

  4. Pingback: Parque Nacional Santa Teresa - Uruguai - Mochila Brasil

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