América do Sul

Colonia del Sacramento: encanto uruguaio

Fundada por portugueses em 1860 e em momentos portuguesa, momentos espanhola (alternativamente por pelo menos 7 vezes, com tomadas hora bélicas, hora diplomáticas), Colonia del Sacramento é uma das mais encantadoras cidades uruguaias.
O centro histórico local, Patrimônio Mundial pela Unesco (1995), mescla as belas arquiteturas coloniais de Portugal e Espanha em meio a belas praças e tortuosas ruas de pedra às margens do Rio da Prata (rio do qual você deve ter ouvido falar muito nas aulas de História).

Centro Histórico é cheio de cantinhos especiais | Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

Centro Histórico é cheio de cantinhos especiais | Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

Às ‘portas’ do centro histórico, ampla avenida (a General Flores, a principal da cidade) tomada de árvores de maple (aquela da folhinha da bandeira do Canadá). À frente da cidade, a capital argentina, Buenos Aires – cenários únicos que encantam viajantes de todo o mundo.
E esses viajantes chegam por terra (como nós) ou por água, navegando pelo Prata a partir da capital argentina. Tal ‘facilidade’ faz com que a cidade tenha muitos portenhos à passeio, bem como outros viajantes que conhecendo a vizinha, vão à Colonia e seguramente, não se arrependem.
Há oferta de passeios guiados pelo centro histórico ( asociacionguiascolonia@gmail.com ), saindo diariamente a partir da Calle de Los Suspiros y Plaza Mayor (150 pesos uruguaios ou R$ 17 – preços consultados em janeiro de 2013); mas caminhar ali sozinho por si só já é um mergulho na História. Ops, sozinho é o modo de falar, dependendo do horário, tem até gente se inspirando numa foto sua pra fazer uma igual! (Inevitável no pôr-do-sol e após às 10h, quando todos os visitantes parecem ter decidido passear pelo local).

Chevrolet Bel Air fabricado nos anos 50 estacionado na Av General Flores | Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

Chevrolet Bel Air fabricado nos anos 50 estacionado na Av General Flores | Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

Todo cenário ali é belo e merecem destaque:
– Ruínas do Convento de São Francisco e o Farol (verdadeiro cartão-postal) – construído em 1694 e destruído por um incêndio em 1704; suas obras foram retomadas em 1845 e interrompidas pela Guerra Grande (não confundir com Grande Guerra, a 1ª Mundial), voltando a serem feitas em 1855, terminadas em 1857. Desde 1976 é Patrimônio Histórico Nacional.
É possível subir no Farol qualquer dia a partir das 13h (nos finais de semana ele é aberto às 11h – fecha ao entardecer). O monumento fica na Calle De San Francisco (entre Plaza Mayor y De San Pedro). Ingresso: 20 pesos uruguaios (o valor arrecadado é utilizado para conservação do farol).
– Portón de Campo – conserva os restos de uma antiga muralha e partes de sua ponte elevadiça. Caminhando rente ao muro chega-se ao Bastión de San Miguel, onde os visitantes apreciam o pôr-do-sol.
– Basílica del Santísimo Sacramento – (antes de se chamar Colonia del Sacramento, a cidade se chamou Colonia del Santísimo Sacramento) – belíssima construção portuguesa, com suas cúpulas azulejadas.
– Calle de los Suspiros – rua tipicamente portuguesa, mantém traçado e pavimento originais; uma boa mostra de como eram os espaços da primeira época colonial na cidade.

Bem, não há uma rota a seguir pelo centro histórico e o mais interessante é você mesmo ir descobrindo cada pedacinho interessante deste lugar tão especial. No entorno da Plaza Mayor estão restaurantes e bares e alguns museus como o Português (construção em pedra, do século XVIII), o Casa de Nacarello (outra construção portuguesa do século XVIII, onde é possível encontrar móveis e um pouco da vida portuguesa da época), o Municipal (construção de 1795, reconstruída pelos espanhóis em 1835, foi o primeiro museu da cidade e ali é possível ver elementos de diferentes períodos coloniais) entre outros. Há ainda os museus Indígena, Espanhol, do Azuleijo e Naval. Mais sobre os museus da cidade você pode encontrar aqui e sobre todos os museus uruguaios aqui.
Dica: Se você pretende visitar alguns dos museus, atente para as datas. Eles não abrem nos dia 1 de janeiro, 24 de abril, 1 de maio e 25 de dezembro. Nos demais dias do ano, nem todos abrem diariamente. A boa notícia é que um único ticket (50 pesos) dá direito a visitar todos os museus da cidade (à venda no Museu Municipal, na Calle Del Comercio, 77).

De carro no Centro Histórico?

O lugar é perfeito e seria perfeito³ se por ali não circulassem carros! Se você estiver com o seu, estacione-o em alguma área próxima (a cidade não é perigosa) e caminhe, é a melhor opção.
Como se não bastassem os carros circulando, há também quem alugue (e pague este mico) carrinhos de golf pra rodar pela cidade (incluindo o centro histórico).
Se você não está a fim de caminhar, (nem de pagar mico) pode pedalar. Uma das empresas que alugam o tal carrinho, aluga também bicicletas. Uma das opções é a Dollar ( Calle Rivera Nº.128 casi 18 de Julio. E-mail: dollarcolonia@dollar.com.uy ).

E as praias?

As praias de Colonia são de rio (o Prata). E para nós brasileiros, tenho que confessar, não guardam lá grandes belezas.
Fazem parte da cidade as praias Del Muelle, Real de San Carlos, Balneario Municipal, Oreja de Negro, El Alamo, Las Delicias, Rowing e Ferrando.
Seguindo pela La Rambla (orla) sentido Real de San Carlos é possível ver algumas dessas praias, como a Las Delicias, bem como se deparar com o que já foi uma Plaza de Toros, que fazia parte de um complexo turístico construído pela família Mihanovich, ligada à indústria naval.
Já na ‘perpendicular’, sentido Ruta, está a Ferrando, igualmente de rio, mas uma das mais bonitas dali.

Conhecer a cidade de bicicleta é opção | Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

Conhecer a cidade de bicicleta é opção | Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

Onde ficar

A cidade oferece ótimas opções de hospedagem, de hostels a hospedagens em fazendas na redondeza, passando por hotéis das mais variadas “constelações”.
Quando chegamos por ali, sem reserva, as opções mais econômicas estavam todas lotadas.
Fomos atrás de campings e encontramos o Los Nogales, no bairro homônimo. Pouco estruturado e com atendimento pouco cordial (não sei se porque já era quase 23h). Custava 150 pesos + 50 pesos por dia, por pessoa (ou seja, como estávamos em 2, o primeiro dia nos sairia 250 pesos e os demais 100 pesos – coisa que eu fui entender somente muitos dias depois. Bem barato! Se quiser arriscar aí vai o e-mail para mais informações: campinglosnogales.colonia@gmail.com ).
Depois de bater de hostel em hostel, consultar uns 2 hotéis e sentir o cansaço bater de verdade, acabamos ficando em um hotel que para eles é considerado de 2 estrelas, o Romi, em excelente localização, perto da avenida principal (Rua Rivera, 236 – Centro. Telefones (+598) 452 30456 / 099 524420. Site: www.hotelromicolonia.com . Os preços do site estão em dólares americanos, mas eles aceitam reais).

Dentre os hostels que visitamos na tentativa de hospedagem estão os:
– Hostel Sacramento – Calle 18 de julio, 487. Site: http://hostelsacramento.com. Telefone: (+598) 4522 57 52.
– Hostel El Español – Calle Manuel Lobo, 377. Site: http://www.hostelespaniol.com . Telefone: (+598) 4523 0759.
– Hostel El Colonial – Avenida General Flores, 440. Telefone: (+598) 4523 0347.
– Hostel Del Sur – Rivadavia, 448. Site: http://www.surhostel.com/ Telefone: (+598) 4522 0553.
– El Viajero – W. Barbot, 164. Site: http://www.coloniahostel.com/ Telefone: (+598) 4522-2683.
De qualquer maneira, o preço dos hostels em suíte privada era o mesmo (ou pouca coisa menos) que pagamos no hotel: 1200 pesos (coisa perto de R$ 120 – casal/banheiro privativo/café da manhã).

Se você prefere se instalar com mais tranquilidade, pode reservar sua hospedagem em Colonia del Sacramento aqui.

Árvores de Maple, responsável por caminhões diários de folhas secas e por muito da beleza da cidade | Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

Árvores de Maple, responsável por caminhões diários de folhas secas e por muito da beleza da cidade | Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

Onde comer

Colonia é tão bonitinha, arrumadinha, limpinha e organizada que parece que por ali todos estão de férias. Chega a ser difícil buscar um restaurante do tipo: aqui um morador come (logo, é bom e mais barato).
Os bares e restaurantes instalados nos prédios do centro histórico são dos mais caros, então se você estiver com o orçamento apertado, fuja deles, ao menos quando precisar matar a fome (pra tomar UMA cervejinha até vai).
Se não resistir à tentação, vale a pena conhecer o El Drugstore que fica em frente a Basílica del Santísimo Sacramento, na rua Portugal, 174. A decoração original no entorno do bar-restaurante é cenário para belas fotos (principalmente ao entardecer).
Agora, se você estiver a fim de comer bem, num ambiente simples junto a outros viajantes, a pedida é o Parrilla La Amistad, que não está no centro histórico, mas que também não é tão longe dali. Fica na 18 de julio, 448 – Esquina Alberto Méndez.
Não espere frescurinhas no/do La Amistad, lá, a carne que vai ser assada é cortada (e ou esmurrada) na sua frente antes de ir à parrilla. Além do que é um lugar pra comer bem, sem gastar muito. Aproveite pra ‘viajar’ nas várias placas de diversos lugares que decoram o ambiente.

Decoração interna e externa do bar/restaurante chama atenção | Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

Decoração interna e externa do bar/restaurante chama atenção | Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

Como chegar

A partir de Montevidéu
De carro/moto/bike – Montevidéu, a capital uruguaia fica a 180Km de Colonia. Dali é possível chegar à cidade com veículo próprio através da Ruta 1, estrada asfaltada e em ótimo estado de conservação.
Dê ônibus – As empresas COT e Turil ligam a capital à Colonia e outras cidades uruguaias, incluindo Rivera, onde começou nossa viagem pelo país.

Chegando em Colonia | Foto: Claudia Severo de Almeida / Mochila Brasil

Chegando em Colonia | Foto: Claudia Severo de Almeida / Mochila Brasil

A partir de Buenos Aires
É possível sair da capital argentina rumo à Colonia, em barco, pelas empresas Buquebus ,Seacat ou Colonia Express.

Sobre o Buque Bus, SeaCat e Colonia Expressa a gente fala amanhã! Acompanhe!

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comentários

5 Comments

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  1. Viviane Cristina

    21 de novembro de 2013 at 15:25

    Deve ser coisa de sorte mesmo, porque de tudo em Colonia, minha única experiência péssima foi o La Amistad. Primeiro o assado (costela) só nervo (não era gordura, estava incrivelmente dura) e osso. Trocaram por outra carne, dura, muito mal passada – sangrando!. Pagamos 310 pesos argentinos pelo almoço do casal, que ainda nos colocaram pra pagar quase 70 pesos argentinos de IVA, imposto que não paguei em nenhum outro lugar em Colonia! Total decepção e revolta, e o pior é que fui e levei meu marido por recomendação de uns 3 blogs pelo menos. .. Me senti tão lesada que não voltaria lá nem por cortesia – ainda bem que as batatas fritas estavam boas.

  2. Pingback: Conhecendo a capital uruguaia, Montevidéu - Mochila Brasil

  3. Pingback: Os barcos no Prata: Buquebus não é a única opção - Mochila Brasil

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