Brasil

Lençóis Maranhenses

O que dizer de um “deserto” com lagoas de águas cristalinas, onde os peixes brincam de aparecer e desaparecer, “guiados” pelas chuvas? De um lugar especial onde labaredas noturnas parecem beijar o céu ( é o Fogo-Fátuo, um raro fenômeno que alguns moradores disseram já ter visto)?
A área do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses é infinitamente bela e é um destino sobre o qual não se tem a típica dúvida: qual é a melhor época para estar lá?
Todas. Agora se você quer unir o útil ao agradável pode escolher a época de festejos juninos no Maranhão, onde é forte a manifestação de um dos folclores mais ricos e preservados do país. De quebra vai pegar as lagoas cheias o que além de deixar suas fotos um espetáculo, dará um dos mergulhos mais inesquecíveis de sua vida! Estivemos lá quando as lagoas estavam começando a secar (outubro). Depois de um verdadeiro “shake” no jipe rumo ao parque, apanhar caju do pé, bater papo com outros viajantes… descemos com nossas botas, um calor de rachar e o guia diz: é melhor ir descalço! Descalço? Imagine (diz nosso pretencioso pensamento) meu pé vai torrar! Três passos e… bota carregada de areia!!! O negócio foi atolar o pé e seguir pelas dunas do nosso deserto entre o Atlântico e o Maranhão.

O acesso e os jegues

O principal acesso ao Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses é pela cidade de Barreirinhas (a 272Km de São Luís) e é facilitado (cerca de 3h de viagem em carro ou ônibus), por um estrada asfaltada, a MA-402. Fomos de carro e encaramos a viagem à noite, mesmo depois de perder duas rodas e três pneus entre Piauí e Maranhão (BR 222).
A placa “animais na pista” não foi vista ou não existia e, depois da curva… Dois jegues! Apesar da prudente direção foi inevitável a pancada nas ancas de um dos animais que saiu ileso do local como se tivesse sob o efeito de Prozac. Ufa! Passado o susto, nenhum animal morto ou machucado, sem lanterna e com o capô amassado, seguimos rumo à Barreirinhas.

Barreirinhas

Num primeiro momento a cidade mostra de turístico apenas as placas com a palavra pousada. Fomos para a nossa. Na manhã seguinte outra cidade se revela. Simples, de infra-estrutura modesta, com sua praça, igreja, casas antigas e pequenos comércios. O lugar é um dos mais propícios para sentir de perto o cotidiano “urbano” do povo dali; no corre-corre das crianças, no lavar panelas e roupas das donas de casa no Rio Preguiças e no vai e vem das voadeiras (pequenas lanchas) que levam os turistas para passear pelo rio (imperdível) e a povoados como Atins, Caburé e Mandacarú (básicos).
Agito por lá? Só nos barcos ou nos jipes em meio ao areial. Pra se ter idéia do movimento, entre 12h e 15h nada fica aberto na cidade. Você corre o risco de encontrar até restaurante fechado para almoço (brincadeira!). O calor é intenso neste horário.
Falo “urbano” de Barreirinhas, pois comparada aos demais povoados dos Lençóis, a cidade é uma “metrópole”.

Passeios básicos
– Em barco (voadeira):
descer o Rio Preguiças passando por igarapés e mangue. Pedir para o piloto desligar o motor por um momento proporcionará cena inesquecível.
Esses passeios levam os visitantes geralmente aos povoados de Mandacarú e Caburé, com possibilidade de estender o passeio até o Atins.
Do alto de seu farol, Mandacarú proporciona vista espetacular do parque nacional. Já em Caburé, um vilarejo, na verdade uma faixa de areia entre o rio e o mar, com poucos pescadores e algumas pousadas. O mais interessante do local além da beleza cênica, é que daqui a alguns anos ele não vai mais existir. As pousadas no local têm funcionários exclusivos para tentar conter a areia movida pelo vento.
Uma tarde de descanso no Atins é o tipo de coisa que você para e pensa naquela frase cômica: “eu me permito…” Dali partem algumas trilhas por dunas.
– Em jipe: Barreirinhas tem pelo vários receptivos, a maioria na avenida principal (Av. Joaquim Soeiro de Carvalho). Todas fazem os mesmos passeios e praticamente nos mesmos veículos. Na maioria dos casos, os guias são nativos (“free-lancers”) não exclusivos de X agência, o mesmo ocorre com os carros que são alugados de gente que os comprou para viver disso.
– Avião:  as agências locais oferecem também sobrevôos que proporcionam bela vista dos Lençóis, principalmente com as lagoas cheias.

Rotas alternativas

Se você está com o orçamento folgado e tem um certo preparo físico pode encarar uma expedição de uma semana pela imensidão do parque, por exemplo.
Uma expedição “curta” de três dias, a pé, com acampamento, partindo do Atins, pode ser uma ótima opção também. Em qualquer um dos casos, essas “expedições” são mais apropriadas para um grupo de amigos, haja vista que o custo da empreitada poderá ser dividido entre todos.
No vai e vem deste paraíso se escondem praias desertas, povoados (Santo Amaro, Queimada dos Britos…) e até nômades (pescadores que em determinadas épocas do ano se mudam para as margens do Rio Preguiças na “altura” de Vassouras).
No Atins ou em Barreirinhas, procure por:
Tealbes (98-9143-8247),nativo que há mais de 25 anos trabalha como guia nos Lençóis  ou o Orlandinho (José Orlando da Cruz Souza – 98 3369-1149/1143).
Geralmente os guias cobram por diária e tudo pode ser negociado. Conversando com eles você provavelmente conseguirá boas dicas e visitará lugares que agências de médio porte que enviam turistas de todos os cantos do Brasil pra lá sequer passam perto. Vale tentar!!!
Alguns viajantes relatam a possibilidade de fazer algumas caminhadas pelos Lençóis Maranhenses sem guia, o que não é recomendável mesmo com GPS e experiência (preparo físico e boa noção de orientação). O relevo local não tem pontos de referência, as rotas são mutáveis e algumas lagoas em determinadas épocas do ano estão fundas e atravessá-las pode ser perigoso.

Proteção solar

Além do bloqueador solar por todo corpo e rosto, proteger a pele com roupas também é recomendável. Alguns viajantes indicam fazer essas travessias com camiseta manga longa de dry fit (tecido altamente transpirável) em cor clara; para quem estiver de shorts ou bermuda, a canga ou uma toalha pode acabar virando um “manto” protetor.
Chapéu e óculos escuros devem fazer parte do “arsenal” (a areia clara incomoda a visão).
Leve também: chinelos, roupas de banho, lanches leves e muita água (para qualquer passeio na região).

Onde ficar

Barreirinhas é o local onde há mais opções de hospedagem. A maioria das pousadas é simples, porém têm o mínimo de conforto para quem quer uma boa noite de sono.
Para conhecer boas opções de hospedagem em Barreirinhas, Caburé, Atins e Paulino Neves, clique aqui!

Onde comer em Barreirinhas

Restaurante do Carlão: Famoso, faz jus. Pratos simples e exóticos como peixe ao molho de manga. Fica na Pousada Victória do Lopez. Rua Coronel Godinho, 72.
Restaurante Bela Vista: Com deck sobre o Rio Preguiças vale pela vista.Rua Anacleto de Carvalho, 6617.
Restaurante do Hotel Pousada Buriti: Cardápio internacional, com pratos e doces regionais. Rua Inácio Lins, s/n.
Bar e Restaurante Bambaê: Fica na margem direita do Rio Preguiças com praia de rio privativa, redes, chuveiros e caiaques para locação. Em algumas noites há música ao vivo, apresentações de capoeira etc. Fica na Estrada da Boa Vista, s/nº, atrás da Pousada Encantes do Nordeste.

Onde comer no Caburé

Restaurante da Pousada Porto Buriti – Praia do Caburé.


Onde comer no Atins

Restaurante e Pousada Rancho dos Lençóis – Praia de Atins, s/nº. Ali você pode provar a especialidade da casa, arroz com tarioba.

Onde comer em Santo Amaro

Restaurante Pontual – Praça Nossa Senhora da Conceição s/nº.

No Maranhão, experimente…

Tiquira – no Maranhão você encontrará a Tiquira, super-aguardente feita da mandioca.
Jesus – sim, não há dúvidas de quanto Ele é Bom, mas estamos falando do refrigerante. Criado em 1920 tem gosto de canela é cor-de-rosa e vende como água por todo o Estado.
Arroz com tarioba – arroz com uma espécie de fruto do mar.
Arroz de cuxá – Camarão seco e gergelim fazem parte da receita da iguaria africana que se instalou de vez no Maranhão.

No Maranhão você pode experimentar várias frutas como o murici, o sapoti, o bacuri, mas só não peça açaí, porque lá ele é conhecido como juçara!

Dicas para os Lençóis Maranhenses

–  Evite os passeios com agências pela manhã. Você estará no centro do “vulcão” em pleno sol do meio-dia! Além disso, os carros partem em comboio (tipo 12 jipes com 25 pessoas cada) rumo às lagoas. Os passeios vespertinos seguem com menos pessoas e com o sol mais ameno e você ainda pode contemplar o por do sol de cima das dunas.
– Barco “de linha” leva ao povoado de Atins passando por outros pontos. É para quem não está com pressa. Saídas da orla, no centro de Barreirinhas.
– Toyota “de linha” leva ao Atins. Saída da praça na Av. Joaquim Soeiro de Carvalho.
– As lagoas estão cheias entre junho e final de setembro. Escolher as noites de lua cheia para as caminhadas garantem ainda mais o espetáculo da natureza.

Como chegar

A partir de São Luís pela MA 402 chega-se em Barreirinhas em cerca de 3 horas de viagem. Caso alugue um carro ou esteja no seu, cuidado com os animais na pista.
Ônibus partem diariamente do terminal rodoviário da capital.
A empresa que faz a linha São Luís – Barreirinhas ou São Luís – Santo Amaro é a Cisne Branco ( http://www.cisnebrancoturismo.com.br/ ).

Serviços

Banco: há uma agência do Banco do Brasil e uma do Bradesco em Barreirinhas.
Lavanderia: não há profissional, mas algumas pousadas e/ou hotéis oferecem o serviço ou indicam pessoas que o fazem.
Aluguel de carros 4×4 em São Luís: Locaventura ( http://locaventura.com.br/  )
Para fazer os passeios convencionais é melhor ir com os receptivos, que saem mais barato. Caso tenha autorização do IBAMA, um motorista experiente à bordo e um pouco de dinheiro sobrando pode alugar um carro para fazer alguma rota alternativa.

Saiba +

http://www.barreirinhas.ma.gov.br/turismo/ – Barreirinhas
http://www.mochileiros.com/lencois-maranhenses-a-pe-t22253.html (Lençóis Maranhenses… a pé! Relato de um dos maiores trekkers do Brasil).
http://www.mochileiros.com/lencois-maranheses-travessia-a-pe-dicas-praticas-t52345.html (Dicas práticas).
http://www.mochileiros.com/travessia-santo-amaro-x-atins-lencois-maranhenses-t38133-30.html – Travessia Santo Amaro-Atins (dicas de viajantes).

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