O Mercado Público Municipal foi inaugurado em 1869  | Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

Porto Alegre – O que fazer (com pouco tempo) ?

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Depois de conhecer um pouco dos principais destinos no Uruguai e para chegar até lá, cruzar entre outras áreas todo o Rio Grande do Sul, decidimos na volta, dar uma passadinha na capital gaúcha. Como já estávamos sem tempo e orçamento para explorar Porto Alegre, elegemos o boêmio bairro Cidade Baixa pra conhecer; boa pedida para qualquer viajante.
Se você procura diversão ali tem! Se você quer comer bem, lá é possível. Se você quer experimentar uma boa cerveja, incluindo as produzidas na região, também pode.
Na rua General Lima e Silva por exemplo, estão instalados bons bares e restaurantes e as opções são bastante variadas. Tanto que de repente você se vê num restaurante nordestino, em plena Porto Alegre. Nós não resistimos ao Dona Zefinha – restaurante de comida nordestina. Os pratos são saborosíssimos e alguns mesclam o NE com o Rio Grande: a picanha regada com manteiga de garrafa acompanhada de macaxeira e farofa matuta é imperdível.
Decididos a provar uma Coruja, deixamos o chopp Heinekken do Dona Zefinha e seguimos em busca da cerveja artesanal fabricada em Teutônia (RS). Na mesma rua, do ladinho, que boa surpresa: a Emporium Bier. A modesta loja-bar está meio escondida no Centro Comercial Nova Olaria. No empório, cujo dono demonstrou ser um apaixonado por cervejas, vários rótulos de diferentes tipos de cerveja de vários lugares do mundo, incluindo a gaúcha Coruja. Se você gosta do ‘suco de cevadis’ (como diria o Mussum), vale a visita. A Coruja? Aprovada! Ah, e a garrafa então é digna de ser guardada de recordação (é uma réplica daqueles frascos de remédio das antigas boticas).
No Nova Olaria há além dos bares e restaurantes, livraria e cinema.

Cerveja Coruja . Embalagem originalíssima  | Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

Cerveja Coruja . Embalagem originalíssima | Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

Caminhando mais um pouco pelo bairro e até conseguindo ‘enganar’ uns guris com minha imitação do sotaque (eu adoro sotaques e já havia tomado umas Corujas. Mais à frente, consegui escutar o comentário ‘Bah, mas ela é daqui!’. Àquela altura, talvez ele também tivesse tomado umas Corujas – risos) chegamos à rua João Alfredo e ali conhecemos um bar bem legal, o Woodoo Lounge.
A mistura anos 80 (há jogos de tabuleiro, videogames, fliperama, telão com séries e filmes etc tudo da época) e Rock n’Roll nos agradou, embora o atendimento tenha sido pouco simpático e os petiscos e bebida bem caras. (Rapaz, só deu pra comer uma porção de amendoim!)
A decoração é nota 10 e se você está solteiro(a) ali é um bom lugar pra paquerar (Alguém ainda fala isso? Ok, a palavra denunciou o porque de gostarmos dos anos 80 e Rock n’Roll – passamos dos 30. Eu 6 primaveras além das 30. O fotógrafo, 10. Hey, pra mochilar não tem idade!).

Cervejinha e "Cara a cara" (aquele jogo antigo) com os amigos | Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

Cervejinha e “Cara a cara” (aquele jogo antigo) com os amigos | Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

Voltinha de 26Km

Para vocês não nos chamarem de ‘mochileiros-manguaça’, na manhã seguinte ao nosso passeio quase etílico pela Cidade Baixa fomos dar uma voltinha pela capital antes de seguir viagem. Pegamos o ônibus turístico (R$ 20 por pessoa).
São 2 roteiros, o do Centro Histórico, cujo foco são os atrativos históricos, arquitetônicos e culturais da região mais central (são percorridos cerca de 26km, passando por 11 bairros, durante cerca de 2h de viagem); e o Zona Sul, um trajeto sem paradas cujas atrações são as paisagens naturais da cidade, com destaque para a Praia de Ipanema (é cariocas, eles também tem uma e na Zona Sul) e o Morro da Pedra Redonda que permite uma vista panorâmica da cidade.
Nossa escolha foi tanto por gosto pessoal quanto pelo horário. Ele já estava a ponto de iniciar o trajeto partindo em frente a Secretaria Municipal de Turismo, na Cidade Baixa. O Roteiro Centro Histórico permite que o passageiro embarque e desembarque em cinco pontos do trajeto para conhecer em mais detalhes os lugares e serviços dos bairros percorridos.
No andar superior do ônibus, um casal de turistas franceses (que foram obrigados a ouvir, aparentemente sem entender, o áudio em português – o único existente) e brasileiros.

Prédio da Fundação Iberê Camargo é um dos mais belos da capital  | Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

Prédio da Fundação Iberê Camargo é um dos mais belos da capital | Foto: Silnei L Andrade / Mochila Brasil

No trajeto merecem destaque o Parque Redenção, ou Farroupinha, um dos mais frequentados da cidade; o verdadeiro túnel verde formado por belas árvores na Rua Gonçalo de Carvalho; o prédio do que foi a Cervejaria Bopp (depois Brahma) no Bairro Floresta, de colonização alemã.

Já no centro, o belíssimo prédio do Hospital São Francisco (Santa Casa de Misericórdia, fundada em 1803); o prédio da Confeitaria Rocco (são impressionantes as esculturas que ‘apoiam’ suas sacadas nos ombros); a Praça da Matriz onde estão ícones cívicos e religiosos da cidade; o edifício do Santander Cultural, cujo cofre foi adaptado e é um Café entre outros.
Este último aliás, fica na Praça da Alfândega, área com belíssimos prédios e museus, todos eles com entrada grátis. Por ali, todos os anos, na Primavera, há uma Feira do Livro.
Outro ponto que merece a visita é o Mercado Público Central – Patrimônio Histórico e Cultural de Porto Alegre, inaugurado em 1869 para abrigar o comércio de abastecimento da cidade. Por ali há produtos regionais (uma infinidade de Erva-mate que eu só vi ali), restaurantes, lanchonetes, lojas de artesanato, açougues, peixarias, floricultura etc.
O prédio da Fundação Iberê Camargo, na Av. Padre Cacique, 2000 chama atenção. Na fundação, acervo de um dos mais importantes nomes da arte brasileira do século 20, Iberê Camargo (1914-1995) que nasceu em Restinga Seca, interior do Rio Grande do Sul. Suas mais de 7 mil obras estão ali. São pinturas, desenhos, guaches e gravuras.
Além das obras do artista gaúcho, na fundação há exposições, seminários, programas educativos, cursos e oficinas. A entrada é franca.
Símbolo da cidade, a Usina do Gasômetro é outro ponto que merece destaque. Ali funcionava de 1928 à 1970 uma usina movida a carvão mineral. Hoje é um dos lugares mais visitados da capital gaúcha e um grande centro cultural; um dos melhores lugares para curtir o pôr-do-sol no Guaíba. Ali perto, sentido Mercado, no Cais do Porto é possível pegar barcos para passear pelo lago.
Ah, sim, só em Porto Alegre eu descobri que o Guaíba não é um rio e sim um grande lago (496Km²). Há pouco mais de 20 anos um estudo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul em conjunto com universidades norte-americanas revelou que por não ter nascente, entre outras questões técnicas, ele é um lago.
A Linha Turismo funciona de terça a domingo (Roteiro Centro Histórico) e de quarta a domingo (Roteiro Zona Sul). Mais informações nos links entre os parênteses ou através do telefone (51) 3289.0176.

Cartaz em uma das ruas da Cidade Baixa | Foto: Claudia Severo de Almeida / Mochila Brasil

Cartaz em uma das ruas da Cidade Baixa | Foto: Claudia Severo de Almeida / Mochila Brasil

Onde ficar

Se você quiser conhecer a Cidade Baixa, uma boa é ficar hospedado no próprio bairro ou no Centro. Dali uma corrida de táxi ligando um bairro ao outro não passa de R$ 12.
Nós ficamos em um hotel bastante precário na Avenida Farroupilha, no Centro. R$ 90 (casal/banheiro privativo/com café da manhã). Acabei nem anotando o nome do dito cujo porque aquilo não se indica pra ninguém – risos. Acabamos ficando nele por já estar meio tarde e por estar inclusa na diária a vaga de estacionamento.
Os preços dos hotéis próximos eram mais ou menos esse e as instalações não muito diferentes.
Uma ótima opção na Cidade Baixa mesmo é o Porto Alegre Eco Hostel. No bairro Floresta há o Porto Alegre Hostel Boutique, o primeiro hostel boutique da Hostelling International no Brasil. Ambos, sem vagas na ocasião.
Além dessas opções você encontra outras opções de hospedagem em Porto Alegre, aqui.

Nossa jornada

E depois de conhecer os principais destinos uruguaios, um destino que corre o risco de sumir (o Salto do Yucumã, Rio Grande do Sul/Argentina) e um pouquinho da capital gaúcha é hora de voltar para o nosso QG provisório (Santa Teresa – Rio de Janeiro) e seguir mostrando a vocês as novidades do mundo da mochila, dividindo nossas experiências de viagem e aprendendo com a de vocês e claro, planejar uma próxima. Obrigada por estarem conosco =]

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http://www.mochilabrasil.com.br

Jornalista responsável e editora do Mochila Brasil | Co-fundadora do Mochileiros.com


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  • Olá, primeiramente, obrigada! Gostei muito das suas dicas, pois me encontro em Porto Alegre, com pouco tempo e gostaria de conhecer um pouco da sua história. Obrigada novamente, vou tentar fazer o tour com a Linha Turismo! Abraços.

    Thamires Coelho 03/30/2013 0:46 Responder

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