América Central

San Blas – Panamá por Mochila Brasil

San Blás é aquele tipo de destino que quando você descobre não quer contar pra ninguém. Medo de que acabem com tudo, que transformem em mais um refúgio para milionários ou produto de turismo de massa.
Caribe. Areia branca, coqueiros, água cristalina (que com a luz do sol lhe mostra todos os tons azúis e verdes da Faber-castell 48 cores ou das palhetas do Photoshop com todas as suas variantes)…

Não bastasse a indescritível beleza, suas mais de 360 micro ilhas estão relativamente próximas à costa do Panamá, preservadas e sob a tutela da nação indígena mais organizada politicamente do continente americano, os Kuna: seguramente os guardiões do talvez “último paraíso (mochileiro) das Américas”.

Degradê - Foto: Silnei L. Andrade / Mochila Brasil

Degradê – Foto: Silnei L. Andrade / Mochila Brasil

Descobrimos San Blás conversando com outros mochileiros durante nossa jornada de 3 meses pela América Central (dezembro de 2007 a março de 2008). Os brasileiros que chegam às terras panamenhas costumam visitar Bocas del Toro, o Canal do Panamá e as regiões de serra e vulcões, também deslumbrantes mas as ilhas ah… são insuperáveis!
Ainda hoje, em 2012 são. Viajantes que visitaram as ilhas voltaram como nós há 4 anos, deslumbrados.
Na época, ao chegarmos no Brasil, pesquisamos no Google sobre o destino. Resultado: Não havia material jornalístico (na editoria de turismo ou não) sobre o local. Hoje, as editorias de turismo ainda não dedicaram espaço para San Blás, mas alguns mochileiros têm ótimos relatos em blogs ou na comunidade Mochileiros.com que apresentou o local para muitos, como os mesmos relatam.

Ainda que hoje uma estrada asfaltada tenha substituído a estrada de terra com paredões de barro de quase 90 graus de outrora e leve os turistas facilmente às ilhas e que na temporada o transporte pra lá seja mais concorrido, vale muito à pena visitar San Blás.
É certamente um dos lugares mais lindos do mundo, e ali você vai encontrar ricas cultura e história, de um povo símbolo de legitimidade e resistência, que é guardião de San Blás (ou Kuna Yala, nome oficial da Comarca).
Bem, mas apesar desse “escudo”, infelizmente a “invasão” turística (visitantes e barcos) já deixa seus sinais: lixo (garrafas pet, plástico etc) por alguns pontos do lindo mar caribenho.

A comarca Kuna Yala (Terra Kuna, na língua Kuna) tem uma área de 3.206 Km² e mais de 365 ilhas, 36 delas habitadas. Estão em 373Km da costa caribenha do Panamá e em parte do território colombiano (em ambos os países em terra e mar).

A capital da comarca é El Porvenir, onde há um pequeno aeroporto e alguma estrutura (hotéis, por exemplo). Alguns viajantes ficam hospedados ali, nós preferimos seguir para Carti Yandup, de onde partimos pra conhecer pedacinhos do paraíso.

 

Integração

Hospedados em uma cabana de uma família Kuna, pé na areia, paredes de bambú, telhado de palha… à luz de lampião, dormimos em redes, tomamos banho de canequinha (com todo o cuidado pra economizar a escassa água) e “encaramos” um banheiro pra lá de “alternativo” (pouco ecológico e nada confortável).
Na ilha só há um ponto coletivo com luz (captada por uma pequena placa de energia solar), que é aceso somente à noite. Já em El Porvenir, hotéis como o El Porvenir têm geradores ligados até as 21h.
Alí, onde ficamos, ao ar livre tomamos café e jantamos peixe, arroz e salada preparados pelos índios. Nos almoços o prato é mesmo, mas geralmente são servidos fora da ilha, pois todos partem dalí para outras ilhotas, as realmente paradisíacas (Carti Yandup seria uma base). E sim, eles levam o almoço até você! Às refeições todos os viajantes se integram e se integram mais ainda quando regados de uma cervejinha! Pois é, há cerveja gelada, água mineral e alguns produtos de primeira necessidade pra vender em espécies de armazéns, montados nas próprias cabanas das famílias. É uma forma de incrementar a renda local, tendo em vista que o turismo é a maior receita de San Blás.
Para entrar no território é preciso pagar uma taxa de US$ 6 por pessoa.

As ilhas

Bem, você já deve ter visto as fotos. Deve estar sem comentários… pois bem, eu também estou com dificuldades. Mergulhar naquele mar, pisar naquela areia e girar, e girar 360 graus e ficar tonto (literalmente) com tanta beleza parece no mínimo um exagero de quem está buscando adjetivos e não consegue achar, mas é real. Vá lá, depois adjetive e adjetive nos comentários ou no Mochileiros.com!

Como nosso papel é tentar passar pra você, entre outras coisas o que é bom e ruim (pra não entrar em “furadas”) dos lugares, tentaremos falar das principais ilhas em que estivemos, das que mergulhamos, comemos coco, conversamos com nativos, acompanhamos o preparo de uma refeição, compramos pão quentinho (!), bebemos água de coco (enquanto os nativos bebiam Pepsi) e, pasmem, na mais bela delas ficamos sozinhos!!!

O setor Cartí é o mais atrativo para os visitantes por abrigar diversas pequenas ilhas e corais. Pra se ter idéia somente no chamado Cayos Limón são mais de 30 pequenas ilhas, entre elas:

Isla Aguja – Seguramente a primeira bela surpresa do arquipélago. Toda beleza cênica local, mais um banheirinho com vaso sanitário e o melhor: a opção de se hospedar ali! Noite indescrítivel e, se tiver a companhia de outros viajantes imagine se aquilo não vira festa à altura das do filme “A praia”?!
Uma boa negociação (mínimo US$ 10) pode garantir-lhe a noite em rede fornecida pelo local ou espaço para sua barraca (deve levá-la) ali e certamente uma das experiências de viagem mais inesquecíveis de sua vida.

Isla Del diablo- A beleza continua com o adicional “conheça mais os Kunas”. Sim, ali com uma família super simpática acompanhamos o preparo de um almoço relâmpago: Pesca o peixe no mar, rala o coco, pica a banana, corta o limão, bota a panela na fogueirinha e lá está um autêntico prato Kuna. Dá pra ter boa conversa e conhecer um pouquinho do modo de vida deles.

Isla Perro- Unanimidade entre os questionados, a Perro é a mais linda ilha por onde estivemos. É cinematográfica e ali tivemos a sorte grande de ficarmos sós (mais a família local que seguia seu tranquilíssimo ritmo de vida enquanto nos extasiavamos com tanta beleza).

Um barco naufragado (barco hundido, em espanhol) está entre as ilhas Diablo e Perro. Alguns viajantes vão até ele com o snorkel e muito fôlego. Nenhum volta arrependido. O lugar é abrigo de inúmeras e belíssimas espécies de peixes.

O aluguel do snorkel custa US$ 3. Se tiver um é bom levá-lo. Além de economizar os US$ 3 às vezes não há snorkel suficiente pra todos.

 Isla Pelicano- Pequena. É aquele tipo de ilha encontrada em livro didático infantil. Parece um desenho: uma porção de terra (no caso areia branquinha), cercada de água com um monte de coqueiros super verdes e carregados da fruta.

Cenário paradisíaco – Foto: Silnei L. Andrade / Mochila Brasil

Locomoção e alimentação

Uma canoa de madeira com motor leva os turistas às ilhas. Os índios voltam à ilha “central” (no nosso caso a Carti Yandup) e dela trazem o almoço para você esteja em que ilha estiver. Claro que há de se ter bom censo e, se há vários viajantes, saber onde a maioria estará, senão não existe logística Kuna (ou outra) que dê certo.

Só o trajeto de uma ilha a outra é espetacular. Várias micro ilhas lindas, verdadeiros caprichos como a que tem um coqueiro só ou a Hormiga que tem apenas uma cabana Kuna.

O viajante com um pouco mais de tempo e com alguns dólares (US$ 50 por pessoa para um grupo de no mínimo 5) a mais no bolso, pode tentar se aventurar também pelas “Cayos Holandesas”. Conjunto de ilhas duas horas adiante dali. Infelizmente tem épocas do ano em que há muito vento e mar muitíssimo agitado (foi o nosso caso, em fevereiro, nem tudo é perfeito!) então, resolvemos parar em ilhas no meio do caminho. Nenhum arrependimento!!!

Dicas
Durante os trajetos, no barco, se não quiser “beber” muita água salgada, sente de costas à direção pra onde o barco vai. Sim, a repórter míope protegeu a lente de contato seguindo a dica do senhor Arquímedes (uma espécie de prefeito da Carti Yandup).

Levar uma câmera fotográfica subaquática pra lá é bem interessante. Outra coisa, acondicione muito bem em sacos plásticos o que levará no passeio às ilhas, pois é um verdadeiro “caldo”.

Também é legal levar para o passeio, barrinhas de cereal, biscoitos e/ou frutas e água mineral. Os três primeiros itens é melhor levar do continente, pois dificilmente encontrará à venda em Carti Yandup.

Tente evitar ir à San Blás no fim de semana. Com a facilidade de acesso que o asfalto gerou, por incrível que pareça (haja vista o número de ilhas) alguns pontos ficam cheios e comida e água ficam mais escassas.

Passeio de veleiro pela região – uma opção que pode agradar e muito os brasileiros é o Anima Mare, pois a anfitriã é uma mineira a Adriana, que com o marido vive na região de San Blás no veleiro do casal, oferecendo charter pelas ilhas.
O único porém (além do custo maior) é que, hospedado em uma das ilhas já com passeios quase pré-definidos com os índios, dificilmente você irá se deslocar à embarcação a não ser que queira fazer passeios mais prolongados pela região e que queira contar com a infra-estrutura de um veleiro. O oferecido é no mínimo 2 dias a partir de USD 170 por pessoa/dia.
Mais informações no: www.animamare.com

VISTO

Brasileiros com passaporte válido (atente para que ele não venha a expirar dentro de menos de 7 meses) não precisam de visto para entrarem no Panamá nem em outros países da América Central, exceto Belize (mais informações sobre viagens pela América Central, nas próximas edições).

Embarcação típica – Foto: Silnei L. Andrade / Mochila Brasil

Como chegar

Via Colômbia (ao Panamá)

Chegamos na Cidade do Panamá através de um vôo de 40 minutos de Cartagena, Colômbia, pela Copa Airlines.
Os impostos na Colômbia são exorbitantes, o que duplicam o preço anunciado da passagem, portanto não se espante com um valor relativamente alto por um vôo curto. Vale lembrar que passagens ida e volta custam menos.
(Se você vir opções pela Aero República, ela é filial colombiana da Copa Airlines que a comprou em 2006).

A idéia inicial da viagem era seguir por terra de São Paulo até a Guatemala, mas infelizmente não há estradas que liguem a América do Sul à América Central. A região de fronteira entre Colômbia e Panamá abriga a Selva de Darién, uma das mais perigosas florestas do mundo, não só por eventuais ações de guerrilhas, mas por ter sua natureza intocada (ainda que, algumas regiões da Província de Darién estejam ameaçadas pelo desmatamento).

Alguns viajantes relatam a experiência de chegarem ao Panamá via a cidade colombiana de Capurganá e lá carimbar o passaporte (saída da Colômbia), pois a entrada do Panamá fica a cerca de 40 minutos de barco dali, em Puerto Obaldia. Talvez compense para o viajante que quer explorar um pouco da área colombiana. Ressaltando que é necessário estar muito bem informado previamente para se “aventurar” nessa região.

Via Colômbia por mar
Como comentado acima, alguns viajantes relatam que é possível chegar ao Panamá por Capurganá e dali então pegar um barco para Puerto Obaldia, ou seja, um mix terra-mar.
Nós tentamos também por mar, mas com um barco desde Cartagena (Colômbia): seriam 5 dias de viagem até San Blás. Passamos dois dias na cidade colombiana tentando encontrar o serviço ou a carona (esqueça) mas todas as tentativas fracassaram. Sim, porque este não é um “passeio convencional”; vez ou outra, viajantes de barco aportam por ali rumo ao norte ou ao sul, utilizando a cidade como base e, para angariar fundos para seguirem viagem, oferecem o “serviço”.
Há vantagens e desvantagens em optar pela viagem de barco. Conhecer novas pessoas e navegar pelo lindíssimo mar caribenho não é nada mal; já a desvantagem (para quem está com o tempo curto) é “perder” os 5 dias e se acostumar aos mareios.
Cogitamos ir com o barco Stahlratte, o único que nos pareceu confiável e atraente na ocasião. Qualquer criança que olhe para o barco holandês de 1903, imagina que seja um navio pirata!!! Segundo seu capitão, um alemão, desde fevereiro de 2006 ele traslada mochileiros entre Cartagena e San Blás.
É preciso ficar atento às datas de partida de Cartagena e perguntar em que ilha de San Blás exatamente o barco atraca. O custo médio por pessoa por semana é de 420€ . Eles também fazem viagens para Cuba, México e Jamaica. Taí a dica pra quem tem um pouco mais de tempo e dinheiro.
Mais informações no: www.stahlratte.org

Via Brasil (ao Panamá)
Quem tem planos de conhecer toda a América Central ou queira ir somente ao Panamá (o que já vale o investimento) e está sem tempo de percorrer longos trajetos em ônibus como fizemos, deve voar do Brasil direto para Cidade do Panamá. Lembrando que, passagens ida e volta costumam sair mais barato.
Dê uma olhada em www.copaair.com .

De Ciudad de Panamá à San Blás
Como comentado no início do texto, quando estivemos em San Blás, pouco se falava do destino. Durante a viagem, quando isso acontecia era coisa do tipo “vou de qualquer maneira, só não sei como”.
Pois bem, nós conseguimos chegar lá, inspirados pelo ditado popular “quem tem boca vai à Roma”. Caminhando pelo Casco Viejo da Ciudad de Panamá, na Plaza de Francia, (matéria pra outra edição) onde estão alguns kunas, sobretudo mulheres vendendo artesanato e molas, perguntamos se elas poderiam nos ajudar com informações de como ir à San Blás. Tímidas mas super prestativas truncadamente iam nos dando as coordenadas. Como tínhamos idéia de ir em ônibus e sem agência, a conversa foi se prolongando e…
Eis que aparece Arnoldo Bonilla (também Kuna, genro do senhor Arquímedes, o “prefeito” da Carti Yandup) quem nos oferece o serviço completo da Cabañas Cartí: transporte ida e volta, hospedagem, refeições e passeios nas ilhas! O que mais queriamos? Ir imediatamente!!!
Ficou pra manhã seguinte! O basicão negociado foi: Transporte ida e volta em veículo 4×4 (mesmo hoje com asfalto) + diária que incluí hospedagem na cabana, banheiro compartilhado, banho de canequinha, café da manhã, almoço e jantar e um passeio de visita às ilhas que inclui a Aguja, a Diablo e a Perro.
Você combina, eles passam onde você está hospedado em Panamá City (geralmente a partir das 4:30h da manhã) e todos rumam felizes à San Blás. Lembre-se de levar dinheiro vivo, pois lá não há caixas eletrônicos nem maquininhas de cartão de crédito.
Mais informações em: http://www.kunatoursadventure.com/index.php , http://www.cabanascarti.es.tl/ ou através dos telefones: 507 6697-1193 e 507 6733-6309.
E-mail: cabanascarti@hotmail.com (Falar com o senhor Arquímedes, com Arnoldo ou ).

Hoje você não precisa utilizar-se tanto do ditado popular; na própria hospedagem lhe oferecerão a ida à San Blás, ainda com a opção de escolher em que ilha quer ficar!
Grosso modo, as mais estruturadas são as ilhas El Porvenir (a capital), Achutupu e Nalunega.

Do aeroporto Marcos A. Gelabert em Albrook partem vôos todas as manhãs pela Air Panamá
( www.flyairpanama.com ) até El Porvenir.
Em El Porvenir, uma opção de hospedagem (+passeios oferecidos) é o Hotel Porvenir
( http://www.hotelporvenir.com/ ).

Sem infra-estrutura, mas com cenário inesquecível, uma opção de hospedagem é a Ilha Aguja. Negocie uma rede (eles oferecem) ou espaço pra sua barraca de camping (leve) para ficar uma noite por ali. Leve também alimentos para preparar no local.
O preço da diária bem como de um passeio de barco deve ser negociado. (Falar com o senhor Luiz Barnett: 507 6697-6603 e 507 6654-6277 ou com Tony Harrington 507 6699-6953 e 507 6709-2834).

Para quem está com o orçamento mais folgado, uma opção de hospedagem é o Uaguinega Dolphin Cabañas (http://www.uaguinega.com/ ) que fica na ilha Achutupu.

Pechinche! Você pode (como nós) observar que não é muito fácil tentar montar alguma estrutura ali, que é difícil levar produtos para as ilhas, que cada turista (se não consciente) é uma “ameaça” ao frágil local e decidir não pedir desconto. Mas se na hora do perrengue o hábito de pechinchar aflorar…você conseguirá.
+ Na internet:
http://deleonkantule.tripod.com/ – site do artista Kuna, Oswaldo DeLeón Kantule. Lindas obras e um pouco do universo Kuna na arte (em espanhol e inglês).
Relatos e dicas de outros viajantes em:  http://www.mochileiros.com/san-blas-perguntas-e-respostas-t27650.html#.T9uq2RfOWSo (Dica: comece ler a partir da última página, onde há informações mais atualizadas. As demais também têm muita informação útil).

Curiosidades

Mulheres Kunas: especiais desde os primórdios
Tudo produzido por elas é primoroso. Um exemplo disso são as “molas”: tecidos com bordados sobrepostos de desenhos geométricos, sobretudo da fauna e flora, mas também antropomórficos e mitológicos, super coloridos e que são um incremento na renda das famílias.
Mola, em língua Kuna, significa roupa e faz parte do vestuário das mulheres Kunas desde bebês, quando são vestidas com “batinhas” de mola. Perto dos 7 anos começam a usar saia juntamente com blusas de mola.
Também em seus primeiros meses de vida elas têm o nariz perfurado para receber uma argola de ouro (o ritual é chamado “Ico-inna”, Festa da Agulha).
Pulseiras e tornozeleiras de miçangas e colares de moedas fazem parte do belo traje típico da mulher Kuna, verdadeiro símbolo de sua cultura.
Durante os 20 primeiros anos de independência do Panamá (da Espanha em 1821; da Colômbia em 1903) os Kuna tiveram vários problemas com os governos nacionais. Um marco ocorreu em 21 de abril de 1921, quando um movimento de ocidentalização das mulheres, via força policial, entre outros abusos queria que o traje típico fosse extinto.

Coragem
Neste mesmo ano, uma delas escapou da localidade de Narganá seguindo até o Rio Azúcar. Em represália, a polícia manteve encarcerados seus filhos e genro. No local havia um congresso indígena que não deixou a mulher partir e em nome da comunidade uma mensagem foi enviada à polícia dizendo que não fossem buscá-la. Não respeitado o “aviso”, três policiais indígenas e três policiais coloniais (chamados assim pelos Kunas, na época, os não indígenas) vão ao Rio Azúcar, onde começa uma batalha na qual morrem três moradores do povoado. Dois policiais indígenas e outros foram feridos com machados enquanto tentavam fugir em uma canoa. Os corpos dos policiais ficaram amarrados a um pau encravado na areia, até que seus familiares fossem recolhê-los.
A tensão durou até 1925. Os governos de então já se preocupavam com o suposto movimento independentista entre os indígenas e solicitaram ajuda aos EUA, que enviaram ao Panamá a missionária Anne Coope e o explorador Richard Oglesby Marsh. O norte-americano foi o impulsionador da “independência”. Quando em janeiro de 1925 encontrou o conflito entre policiais e indígenas, Marsh pediu a intervenção de militares norte-americanos à “Zona do Canal” para que exercessem um protetorado e redigiu a “Declaração de Independência e Direitos Humanos do Povo Tule e Darién”. O explorador obteve apoio do embaixador norte-americano quem ajudou o governo panamenho a firmar um acordo de paz com os kunas.
A chamada “Revolução Kuna” que ocorreu em 1925 foi decisiva. Bravamente criaram a República de Tule, o que os separadou do comando panamenho por apenas alguns dias. Após o tratado de paz o governo do Panamá se compromete a proteger os costumes Kuna, que aceitam o desenvolvimento do sistema educacional oficial do país nas ilhas.
As negociações que puseram fim ao conflito armado foram o primeiro passo para estabelecer a autonomia Kuna, manter vivos seus costumes e garantir seu espaço territorial. Uma pequena minoria ímpar entre os grupos indígenas da América Latina.
Somente em 1953 seu território foi definido. A Comarca Kuna Yala também faz parte do Corredor Biológico Mesoamericano, que contem vários ecosistemas marinhos, costeiros e terrestres vulneráveis e uma abundante diversidade biológica.

>> Talvez você se interesse também por:
Panamá City, uma das mais interessantes capitais da América Central e por obter mais dicas do Panamá com outros viajantes clicando aqui!

Fotos de San Blas:

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comentários

29 Comments

29 Comments

  1. Paulo Carvalho

    25 de novembro de 2013 at 14:02

    Qual a melhor época para se visitar San Blas?

  2. Pingback: Viajando pro Panamá com crianças: o meu planejamento

  3. Carolina Lima

    17 de novembro de 2013 at 1:38

    Oi, tudo bem? uma pergunta baaaasica, voce acha que da pra ir tranquilamente com 2 criancas? Alguma outra recomendacao nesse caso?
    Obrigada

  4. Josimara

    25 de agosto de 2013 at 11:44

    Bom dia,
    antes de viajar a San Blas encontrei poucos relatos em Português , por isso, após voltar encantada com o lugar deixo minha contribuição para quem esta pesquisando sobre o lugar a viagem :

    http://100dimensoes.blogspot.com.br/2013/08/uma-ilha-para-cada-dia-do-ano.html

    Josimara
    100dimensões

  5. Herry Chagas

    12 de junho de 2013 at 16:37

    Ola,
    Estou programando uma viagem com minha esposa de lua de mel, porém o primeiro destino que eu vi foi Cartagena, ai buscando mais vi panamá.. tentei conciliar nos meus planos as duas cidades, porém acho que vou gastar um bom valor. então gostaria de saber se no panamá tem praias lindas “mar do caribe” tanto na capital como essa em que vc postou.

    obrigado

  6. Suélen

    13 de março de 2013 at 15:46

    Esta ilha é simplesmente perfeita… vale muito a pena!!

  7. JULIANA FERREIRA

    11 de março de 2013 at 15:29

    Olá boa tarde,

    primeiro queria parabenizar o blog por esse texto maravilhoso e super explicadinho de San Blas. Estou montando um roteiro de 17 dias pela Colômbia e pensei em ficar uns 13 dias por lá e ficar uns 4 no Panamá. Não tenho interesse em conhecer a capital, só queria ir pra esse lugarzinho ai fantástico. Você acha que vale a pena. Qual seria o trajeto mais indicado para chegar lá?
    Abs,
    Juliana.

    • Claudia Severo

      Claudia Severo

      11 de março de 2013 at 16:23

      Oi Juliana 🙂
      Legal que tenha gostado!
      Então, como você leu, pegamos o avião de Cartagena para Panamá City. O voo durou cerca de 40 minutos.
      Pensando ainda em litoral… acredito que haja voos a partir de Barranquilla também, o que não ficaria difícil. Vai depender do roteiro que você estiver fazendo na Colômbia. De Bogotá é certeza partirem voos para Panamá City. Apesar de você não ter interesse em conhecer a capital panamenha, se não for de barco, será inevitável passar por ela.
      No http://www.mochileiros.com/busca.php?cx=partner-pub-1018022360237417%3A9907296399&cof=FORID%3A10&ie=UTF-8&q=san+blas&sa=Pesquisar tem alguns relatos e outros roteiros de outros viajantes que foram à San Blás (não sei exatamente a partir de que ponto), mas talvez seja interessante você dar uma olhadinha 🙂
      Abraço e uma ótima viagem!

  8. Elisa

    16 de janeiro de 2013 at 9:52

    Olá, vou ao Panama em junho, mas ficarei somente 2 noites. é possível ( e vale a pena) ir até alguma ilha em um dos dias??

    • Claudia Severo

      Claudia Severo

      6 de fevereiro de 2013 at 0:59

      Oi Elisa! É uma pena que tenha apenas 2 dias no Panamá. Sendo assim, acho que não dá pra você acrescentar San Blás no seu roteiro por lá.
      Em Panamá City oferecem passeios para ilhas mais próximas, como algumas do arquipélago de Las perlas, que eu infelizmente não tive tempo de conhecer. Vale buscar a informação quando estiver por lá (de quantas horas são os passeios, o que incluem, etc). Las Perlas estão no Oceano Pacífico, San Blás, no Atlântico.
      Uma linda viagem pra você! Abs

  9. Gizela Tamega

    11 de janeiro de 2013 at 19:02

    Espetáculo de reportagem! O lugar parece ser maravilhoso! Quero muito conhecer! Voces tem alguma informa;ão sobre as praias do norte do Peru?

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