Entrevistas

O Turismo Backpacker na Nova Zelândia

Para falar sobre isso, conversamos com Willian Wattie que é neozelandês e seguindo o costume de seu país, botou a mochila nas costas e o pé na estrada pela Europa, Ásia, América do Sul entre outros e hoje está no Brasil sendo um dos representantes do Turismo da Nova Zelândia na América Latina. Ele garante: viajar ao estilo backpacker é uma experiência muito enriquecedora. Conhecer outras culturas e idiomas, gente e, a versatilidade nata do mochileiro fazem com que a viagem seja também um caminho para o auto-conhecimento.

Além das belezas naturais e da diversidade e contraste de paisagens em um pequeno espaço (neve e praias maravilhosas por exemplo) brasileiros não precisam de visto para mochilar pela Nova Zelândia! Então, acompanhe um pouco do que o país pensa sobre os backpackers e o que oferece para eles e já comece o planejamento!

Mochila Brasil – A explosão do que foi batizado de “Turismo Backpacker” se deu em meados dos anos 80, com ênfase na Austrália. Isso ocorreu também na NZ?

[Willian Wattie]: Aconteceu e com relação à Austrália, na Nova Zelândia o impacto na economia do país foi bem maior. A Nova Zelândia ganhou muita popularidade devido ao fato de que viajar pelo país é mais fácil do que na Austrália, país de dimensões continentais como o Brasil. Na Nova Zelândia é possível aproveitar toda a gama de contrastes geográficos em um espaço menor, portanto mais fácil e barato para viajar. Além disso, com o clima temperado, viajar e acampar fica mais fácil e confortável. Vale ressaltar também, que a Nova Zelândia ficou renomada pela estrutura dos Parques Nacionais e pela facilidade de acampar neles por um custo mínimo; obviamente, começou a surgir naquela época, o Turismo de Aventura. Os backpackers que procuravam uma experiência além da já oferecida, também foram atraídos no mesmo período.


Mochila Brasil – Vocês divulgam bastante o Turismo de Aventura na Nova Zelândia para brasileiros. O que o país oferece para os viajantes brasileiros?

[Willian Wattie]: Na Nova Zelândia a infra-estrutura para essa indústria é bem avançada, atendendo qualquer orçamento. Existem hotéis de cinco estrelas e por outro lado, albergues e backpackers (hospedagem do tipo albergue) em cada cidade, aldeia e centro de esportes radicais e ecoturismo.
Existem por exemplo, empresas que levam os mochileiros do aeroporto em Auckland até o fim da ilha sul, para aventuras de uma, duas, três ou até mais semanas. Enfim, falta de opção e preços não tem.

Na Nova Zelândia, um país pequeno de uma economia pequena, que depende muito do renome e dos elogios dos turistas, não existe espaço para erro ou insatisfação. Lá é muito mais seguro pular de pára-quedas ou bungee do que atravessar a avenida paulista na madrugada!
O país está sempre inventando um novo esporte radical, tanto para entretenimento dos neozelandeses quanto dos turistas internacionais. Primeiro foi o Bungee, que conquistou o mundo; agora foi o Zorb e o Fly-by-wire.

Mochila Brasil – Sabemos que o público mochileiro pratica algum esporte de aventura eventualmente em suas viagens, mas não vai em busca do destino para isso. O que de mais atraente a Nova Zelândia oferece a esse viajante?

[Willian Wattie]: Estudos feitos com backpackers ou “budget travellers” (viajantes que fazem viagens econômicas), mostram que a natureza e a facilidade com que essas pessoas podem aproveitar essa natureza maravilhosa é que atraem muitas pessoas à Nova Zelândia. Além disso, a língua é o inglês, então, a comunicação é relativamente fácil. É um país de primeiro mundo em termos de desenvolvimento, mas a moeda neozelandesa (dólar neozelandês) é igual ao Real, portanto, para o primeiro mundo é um turismo relativamente barato.
Brasileiros que já estiveram no país, também comentam que em poucos lugares do mundo você se sente tão seguro.

Mais uma vez é importante salientar que, poucos países tem a diversidade da Nova Zelândia. Em um país do tamanho do Rio Grande do Sul há geysers, glaciers, rios, lagos cristalinos, florestas, montanhas, neve, praias maravilhosas, uma riqueza cultural Maori preservada. Para os estrangeiros é uma experiência única em um único país. Por essa riqueza e contrastes naturais em um pequeno espaço, é que o Senhor dos Anéis foi filmado na Nova Zelândia.

Mochila Brasil – Poderia nos falar brevemente sobre a cultura Maori?

[Willian Wattie]: Bem, os maoris chegaram da Polinésia, no século cinco, provavelmente. Até então, a Nova Zelândia não era habitada por seres humanos, sendo possivelmente a última grande área sem humanos, até a ocasião.

Quando os europeus começaram a chegar no final do século 18, descobriram uma população relativamente avançada, com aldeias grandes, pescadores e fazendeiros bem adaptados e produtores de maravilhosas e complexas esculturas em madeira e pedras preciosas. Representantes da coroa inglesa assinaram um trato com os chefes das principais tribos em 1840, garantindo a eles, direitos às terras, florestas e águas. Em troca, eles se tornariam súditos da rainha inglesa.
Mesmo tendo gerado muitas discussões desde então, foi um marco na história colonial e até hoje é uma “arma” para os Maoris que são protegidos pela lei.
Como os índios no Brasil, os maoris sofreram de muitas doenças trazidas da Europa, resfriados, sarampo, catapora e no final do século 19, a população chegou a 40.000. Muitas pessoas disseram que a raça maori ia sumir, porém isso não aconteceu.
Na segunda metade do século 20 alguns líderes começaram a estimular o ensino da cultura Maori, e a reaprendizagem da língua Maori. Assim seus descendentes (hoje cerca de 10% da população, de 3.860.000 se identificam como maoris) começaram a se identificar e se orgulhar de sua origem. O governo os acolheu e atualmente, a língua maori, como o inglês, é uma língua oficial na Nova Zelândia e sua cultura é ensinada nas escolas e faculdades do país.

Mochila Brasil – Além de representar o país é perceptível que representam muito também para o turismo (sobretudo backpacker). É possível falar o que o turismo representa para os Maoris?

[Willian Wattie]: Na Nova Zelândia multi-cultural, a contribuição Maori é muito importante e valorizada. A preservação e continuação da cultura proporciona ganhos materiais e não materiais aos Maoris. Muitos turistas querem ter uma experiência junto à cultura Maori e vão para centros como o Rotorua onde é possível visitar um Marae (centro de encontro entre comunidades Maori), comer um Hangi (comida cozida em baixo da terra – uma delícia!) e ver esculturas sendo feitas por artesãos. A troca é uma experiência muito rica para ambos.


Mochila Brasil – Como a Nova Zelândia vem se organizando para enfrentar o turismo de massas e como se enquadra o backpacker nesta situação?

[Willian Wattie]: A Nova Zelândia está enfrentando o desafio de ser popular demais. Quinze anos atrás, o país não recebia nem 400.000 visitantes por ano; em 2001 superou os 2 milhões. Algumas áreas, estão recebendo mais turistas do que o ecossistema pode agüentar e para preservá-lo o mercado vai reagir: preços vão aumentar nas áreas de maior demanda. Porém, os backpackers como sempre, vão fugir desses preços maiores, indo para lugares mais remotos, beneficiando, obviamente, comunidades menores e isoladas. Na minha opinião pessoal, isso faz parte do desenvolvimento do turismo.

Mochila Brasil – Outro traço do público mochileiro, observado inclusive por você (em outra conversa) é que geralmente, esse viajante consome mais racionalmente que os demais e tem uma maior consciência sobre a preservação ambiental. Qual é a importância disso para países que exploram o turismo, sobretudo Nova Zelândia e Brasil?


[Willian Wattie]: Obviamente, turistas conscientes são bem-vindos à Nova Zelândia tanto quanto ao Brasil. Além de esperá-los, é preciso investir bastante na conscientização do turista, o que a Nova Zelândia realiza, senão não seria suportável para comunidade e meio ambiente a quantidade de turistas que o país está recebendo nos lugares mais populares.


Mochila Brasil  Na sua opinião, qual a é o maior desafio do Brasil em relação ao turismo sustentável?

[Willian Wattie]: A história do Brasil como a de outros países nos últimos séculos é de exploração dos recursos naturais, sem a preocupação de que uma hora eles poderiam acabar. No desenvolvimento do Ecoturismo no Brasil existem três qualidades: proteção e respeito ao meio ambiente, atendimento e satisfação total do cliente e marketing no exterior. O Brasil ainda tem muito para aprender e decidir se concretizar seu potencial de ser um grande centro de Ecoturismo e Turismo Backpacker. Não é necessário um órgão desenvolver um planejamento estratégico para a região, basta focar nessas três áreas.

Mochila Brasil – Além da hospedagem especializada, que até leva o mesmo nome desse tipo de viajante (backpacker), a Nova Zelândia oferece serviços especializados em transporte também. Poderia citar quais são as principais diferenças com relação aos serviços para o turista convencional?

[Willian Wattie]: Os serviços de turismo e transporte para backpackers são – obviamente – mais em conta. Geralmente a turma é jovem e ao invés de ficarem em hotéis, todo mundo dorme em backpackers. Os roteiros são mais voltados ao público jovem, com esportes radicais, visitas aos bares mais alegres e ecoturismo. 

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