Mochilosfera

Conheça o ‘Mochila & capacete’ num bate-papo com seu autor

Trekking, montanhismo e muita estrada são os ingredientes básicos do “Mochila & Capacete”, blog do viajante Marcos Paulo Lopes Ferreira, 31 que quando não está à serviço do Judiciário Federal (ele é bacharel em Direito) está à bordo de sua moto pelas estradas do Brasil e do mundo. Às vezes ele viaja sem moto, somente com a inseparável companheira, a mochila.
Ele é apaixonado por viagens e por um destino em especial, a Patagônia – um dos cenários de sua mais recente viagem que durou 55 dias e percorreu mais de 15.000Km!
Conheça um pouco do blog e do autor neste bate-papo:

MB –  Marcos, qual foi sua primeira viagem independente (para que local e quando)?

Fiz várias viagens curtas pelo Brasil, como Ilha Grande, PETAR, etc.. porém a grande viagem que fiz foi em outubro de 2008, foi pela Argentina, passando por Buenos Aires e pela Patagônia (Ushuaia, EL Calafate e El Chaltén) aliás, nessa viagem nasceu minha grande fascinação pela Patagônia.

O viajante é fascinado pela Patagônia | Foto: Arquivo pessoal

O viajante é fascinado pela Patagônia | Foto: Arquivo pessoal

MB – Você fez essa viagem sozinho ou acompanhado? Se sozinho, qual foi sua maior dificuldade e qual foi o ponto mais positivo em fazê-la? Se foi acompanhado, o que vê de positivo nisto?

Fiz com um dos meus melhores amigos – Erlan Valverde – que hoje sou padrinho de casamento. O bom de viajar com ele foi que até hoje temos muitas histórias para contar, e todas às vezes que nos encontramos tocamos no assunto.

MB – Qual foi sua viagem mais marcante e por que?

Foi a última – carinhosamente batizada como “De Mochila e Capacete até onde o vento faz a curva”, em que passei 55 dias rodando de moto de São Paulo até Ushuaia/Arg, passando por grande parte do Uruguai, da Argentina e do Chile, visitando as patagônias argentinas e chilenas, com direito a um trekking de 8 dias por Torres del Paine/CHI. Fui acompanhado em grande parte pela minha ex-namorada, Laila Akemi e, por um grande amigo, Shane Kost, um americano que conheci 4 anos antes em Torres del Paine. Foi marcante pois foi uma viagem intensa, com muitas atividades, mais de 15 mil quilômetros de estradas, muitas emoções, perrengues e passagens emocionantes.

Marcos esteve acompanhado do amigo americano, Shane Kost | Foto: Arquivo pessoal

Marcos esteve acompanhado do amigo americano, Shane Kost | Foto: Arquivo pessoal

MB- Fica claro para quem entra no “Mochila & Capacete” que ele é um site feito por e para quem gosta de viagens de moto. Para você, que já viajou de outras formas, o que mais o fascina nas viagens de moto?

O Mochila & Capacete tem como público aqueles que gostam de motos, porém não é o único foco, também é para o mochileiro e para o montanhista. Viajar de moto, diferente de outros meios de locomoção, faz parte da aventura, pilotar por centenas de quilômetros é como viver centenas de emoções, onde a estrada é sua única companhia e cada curva um desafio único.

MB- Quais são os prós de se viajar de moto? (Com relação a carro, por exemplo).

A moto é mais econômica que o carro, se paga menos pedágios, gasta-se menos combustível e não é um simples meio de locomoção é uma diversão a parte.

Emoção ímpar na chegada à Ushuaia | Foto: Arquivo pessoal

Emoção ímpar na chegada à Ushuaia | Foto: Arquivo pessoal

MB – O que levou você a contar suas experiências de viagem na internet? Quando isso começou?

Comecei a compartilhar minhas experiência em 2008/2009 no Mochileiros.com, a princípio como meio de retribuir as informações que ali consegui, posteriormente peguei gosto por escrever sobre isso e hoje tenho a escrita como uma espécie de diários de memórias, que culminou no lançamento do Mochila & Capacete no início do ano passado.

MB – Dentro de um destino o que mais lhe atrai? (Esportes de aventura, balada, história/cultura, trilhas etc).

Gosto muito de conhecer a cultura e a culinária local e por óbvio a paisagem natural – a possibilidade de percorrer a natureza me fascina.

MB – O que não pode faltar na mochila do Marcos?

MP3. Sou um ser muito musical, para cada ocasião há uma música que me marca, no final de cada trilha, trecho de estrada há uma música especial para o momento.

MB – Qual é o seu maior sonho relacionado ao tema viagem?

Tenho 2 sonhos, meus objetivos maiores: ir de moto até o Alasca saindo do Brasil e o Trekking até o acampamento base do Everest.

Trekking sempre presente nas viagens do blog | Foto: Arquivo pessoal

Trekking sempre presente nas viagens do blog | Foto: Arquivo pessoal

MB – Qual lugar você já visitou mais que uma vez e sempre que pode está por lá? Por que?

Um lugar que considero especial é o Pico Paraná, na Serra do Ibitiraquire, próximo a Curitiba. Já fui para lá algumas vezes, é um trekking com uma dificuldade acentuada, mas sempre que estou precisando de um contato com a natureza me refugio. Já fui sozinho, com amigos, já passei perrengues, mas cada vez que saio de lá eu penso quando voltarei, é um pequeno refúgio.

MB – Quase todo mundo que escreve sobre viagem recebe mensagens do tipo: “também quero iniciar ‘nessa vida’ [viajante]”. Quais são seus principais conselhos para quem tem o sonho de botar a mochila nas costas e conhecer o mundo mas ainda não começou? E especificamente para quem tem o sonho de fazê-lo à bordo de uma moto.

Primeiro conselho é parar de pensar e colocar em prática. Ficar no computador olhando não te levará a lugar nenhum. Se não tem companhia faça sozinho, já viajei solo algumas vezes e foi uma das melhores experiências da minha vida.
A mesma dica vale para quem quer viajar sobre duas rodas. Saia da zona de conforto e arrisque-se. A moto pode ser perigosa, porém com prudência e utilizando os equipamentos de segurança adequados o risco é minimizado e o prazer alcançado vale qualquer esforço.

MB – Sua última expedição foi a “De Mochila e Capacete até onde o vento faz a curva”. Essa expedição levou você de onde a onde e qual a maior experiência/ensinamento/exemplo você extraiu dela?

Bom sai de São Paulo, passei por Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, cruzei o Uruguai de norte a sul. Entrei na Argentina e desci atá Ushuaia pela Ruta Nacional 3, passando pela Peninsula Valdés. De Ushuaia fui até Torres del Paine no Chile, voltei para Argentina e fui de El Calafate até San Martin de los Andes pela mítica Ruta Nacional 40. Voltei para o Chile, visitei Pucón, Santiago e Viña del Mar, voltei pela Argentina e fui de Córdoba até as Caratas do Iguaçu e de lá voltei para casa após 15.104 km em 55 dias.

O maior ensinamento que tive foi me conhecer melhor. Todos esses quilômetros me serviram para refletir na vida, vencer meus medos, meus limites e curtir muito. Os dois pontos mais altos da viagem foram chegar em Ushuaia e terminar o Trekking em Torres del Paine, o que tentava terminar desde a minha primeira vez por lá em 2009.

A companheira prestes a entrar no Chile | Foto: Arquivo pessoal

A companheira prestes a entrar no Chile | Foto: Arquivo pessoal

MB – Nesta expedição você esteve à bordo de qual moto? (Putz, não entendo nada de motos – risos – modelo, marca…) Qualquer pessoa, habituada a andar de moto poderia fazer o seu roteiro, com qualquer outra moto (quer dizer, qualquer uma aguenta)?

Eu optei por pilotar uma moto on/off road e a escolhida foi um BMW F800GS. A escolha foi perfeita, a moto foi muito bem em termos de mecânica, conforto e rendimento. Costumo dizer que qualquer moto pode te levar a qualquer destino, seja uma 125cc ou um trator de 2 rodas, o que muda é o grau de conforto. Da mesma forma, qualquer motociclista está apto a fazer esse roteiro, basta querer.

MB – Quais itens não podem faltar para um mochileiro que viaja de moto?

A viagem de moto exige mais preparação que uma viagem “normal”, ainda mais se for para lugares mais afastados da civilização. Ferramentas e peças de manutenção são essenciais, carreguei câmaras de ar, pastilhas de freio, reparos para furos de pneus, cabo de bateria, lâmpadas sobressalentes e todo tipo de ferramenta necessária. Na Argentina e em alguns pontos do Chile, postos de gasolina são escassos, então um galão de gasolina extra faz parte da bagagem. GPS e mapas são itens quase que obrigatórios, assim como todo o equipamento de segurança (capacete, jaquetas e roupas apropriadas, etc.)

MB – É preciso bancar o mecânico em algum momento? Você tem alguma situação inusitada pra comentar sobre ou em outra circunstância?

Com certeza, tem horas que temos que sujar a mão de graxa, a moto exige manutenção básica, como lubrificar a corrente de trasmissão. Em Puerto Madryn a motocicleta do meu amigo Shane Kost apagou. Não funcionava nada. O americano desesperado já estava ligando para a concessionária BMW de sua cidade natal nos EUA. E então desmontei a motocicleta e com uma lixa de unha e um pouco de WD-40 limpei os conectores da bateria que estavam oxidados e a moto ligou perfeitamente – o mais engraçado é que estávamos em frente a um hotel de frente para o mar e os hóspedes e turistas nos olhavam como se fossemos alienígenas.

MB – Ah, você teve um episódio que lhe tirou da estrada por um tempinho. Quanto tempo você ficou no hospital? Qual foi o tempo de recuperação. Depois dele teve algum momento em que você disse: “nunca mais viajo de moto” ou você pensava justamente o contrário? Em que ano esse acidente ocorreu. Se puder/quiser, divida essa experiência com a gente.

Em janeiro de 2010 sofri um grave acidente de moto, cai na rodovia Castello Branco em SP, quase perdi meu pé esquerdo, quando cheguei no hospital a primeira coisa que perguntei era se minha moto (na época tinha um Harley Davidson) tinha estragado muito. Fiquei 28 dias no hospital e foram 5 meses sem trabalhar. 9 meses depois voltei a andar de moto e a fazer trilhas. Apesar de todo o sofrimento que tive, nunca desisti da moto.

MB – O que é a seção “Mochila & capacete ao vivo” do seu blog?

Essa parte do blog é um dispositivo que utilizo em algumas viagens. Trata-se de um rastreador pessoal via satélite que dá minha posição em tempo real em um link do Google maps, onde o leitor pode acompanhar meu roteiro passo a passo. Durante a expedição “De Mochila e Capacete até onde o vento faz a curva” utilizei com muito sucesso esse rastreador.

MB – Prepare as armas: motoqueiro, motociclista, motoestradeiro… são vários os termos e muita gente se confunde (eu por exemplo). Você seria um motomochileiro -risos. O que significa cada uma dessas expressões e na qual você se encaixa?

Adorei o Motomochileiro!!! mas não me classifico em rótulos, que acabam dizendo a mesma coisa com palavras diferentes. Eu sou apenas um viajante!

MB – Além do blog, você tem outros canais de comunicação com seus leitores? 

Uso o Facebook, Twitter e Youtube, divulgo todo o material do blog por essas mídias sociais.
https://www.facebook.com/MochilaCapacete
http://www.youtube.com/Mochilaecapacete
https://twitter.com/marcosplf

Na imagem que abre o bate-papo, Marcos no Mirador del Condor | Foto: Arquivo pessoal

Os temas abordados pelo blog também estão no Facebook, Twitter e tem um canal no Youtube | Foto: Reprodução

Os temas abordados pelo blog também estão no Facebook, Twitter e tem um canal no Youtube | Foto: Reprodução

Votar

0 ponto

Total de Votos 0

Votos Positivos: 0

Upvotes percentage: 0.000000%

Votos Negativos: 0

Downvotes percentage: 0.000000%

Comentários do Facebook

comentários

4 Comments

4 Comments

  1. Pingback: Mochila & Capacete na mídia | Mochila & Capacete

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

To Top

E aí, tudo bem? Bora logar!

ou

Entrar

Esqueceu a senha?

Ainda não tem uma conta? Cadastro

Fechar
de

Enviando Arquivo…